Irlanda: 57% boicotam as taxas de água

Posted on 27 de Julho de 2015 por

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Campanha de não pagamento em massa alcança resultados

Michael O’Brien, Vereador da Anti-Austerity Alliance (AAA) e membro do Socialist Party, CIT na Irlanda, 18/07/2015

A confiança dos activistas anti-taxas de água dada a reticência do governo irlandês e da Irish Water em revelar os dados do pagamento das primeiras contas de água provaram estar correctas. Na terça-feira, uma declaração veio confirmar que 57% boicotaram a primeira conta, representando cerca de 860.000 agregados familiares entre os 1,52 milhões que eles reclamam como a sua base de “clientes”.

Reviravolta corajosa sobre resultado humilhante

A reivindicação de 43% de agregados sujeitos a pagar a primeira conta de água pela Irish Water na véspera do encerramente do Dáil (parlamento irlandês) para as férias de verão, é um tremendo golpe para eles, o ministro Alan Kelly, e o governo como um todo, gostaria imenso de desaparecer do país por um punhado de meses! Entretanto, as suas tentativas nos media e no Dáil a 16 de Julho de dar uma reviravolta à escala do boicote são completamente vazias e estão a convidar a uma ridicularização bem merecida por todo o país.

O que foi alcançado até agora é o testemunho da luta que tem sido travada por dezenas de milhares de activistas anti-taxas de água no último ano e meio, cujo esforço colectivo influenciou centenas de milhares de pessoas a boicotarem-nas. A maioria daqueles que aderiram ao boicote provavelmente nunca tinham ido a uma reunião pública ou protesto mas estavam confiantes o suficiente de que havia uma campanha lutando contra as taxas e que tinha respostas para a propaganda da Irish Water e do governo.

A centralidade do não-pagamento

A escala do boicote é também uma vindicação de organizações como o Socialist Party, a Anti-Austerity Alliance e da campanha We Won’t Pay (Nós não pagamos). Eles colocaram, desde o início, uma ênfase particular na importância vital do não-pagamento organizado, acima de todas as outras tácticas válidas e necessárias a usar, de forma a alcançar uma vitória. Eles iniciaram um debate dentro do movimento mais amplo contra as taxas da água, argumentando que quanto mais grupos, partidos e sindicatos apoiassem o boicote mais forte seria a nossa posição. Aqueles que têm adiado, até agora, um apelo explícito pelo boicote, tal como o Sinn Fein e os sindicatos ligados ao Right2Water, deviam fazê-lo agora.

Com o segundo ciclo de cobrança a chegar, a nossa tarefa agora é estender o boicote encorajando aqueles que não pagaram a primeira cobrança e manterem-se firmes e apelarem àqueles que pagaram, por medo ou desinformação, a juntarem-se a nós. Um boicote ainda mais forte à segunda cobrança, com as eleições gerais a chegar, seria fatal para a Irish Water.

Manter a pressão!

A legislação forçada através do Dáil, que detalha como a Irish Water irá agir de forma a forçar uma mudança e perseguir os “atrasados”, combinada com uma “permissão de conversação” do Departamento de Protecção Social, eram ambas um último lançar dos dados para aumentar os níveis de pagamento. Mas claramente, não funcionou.

A legislação é uma vergonha mas oposição a ela não é uma arma eficaz para derrotar a táctica de boicote. Com altos níveis de não-pagamento agora uma realidade, podemos esperar que cada vez mais políticos que, desde o início, não tinham nenhuma objecção contra as taxas, a avançar com promessas de abolição, reflectindo a pressão sentida por todos os políticos do sistema político nesta questão.

No entanto não podemos iludir-nos e assumir que as promessas daqueles que aspiram a estar no próximo governo podem ser confiadas. Consideremos as pressões que qualquer futuro governo sofrerá das instituições da Troika e dos interesses do grande capital. Ao manter um boicote elevado, até e para lá das eleições gerais, damos a estes políticos pouco espaço de manobra e todo o incentivo para abolirem a odiada taxa que contribuirá para enfraquecer severamente o principal partido do governo, Fine Gael, e a merecida dizimação do seu parceiro júnior, o Partido Trabalhista.