Finlândia: Grande greve contra o ataque do governo

Artigo originalmente publicado em inglês no website do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores, a 4 de Fevereiro de 2018.

Milhares de manifestantes concentraram-se na Praça do Senado, o centro do poder político em Helsínquia.

Helsínquia esteve parada a 2 de Fevereiro devido à greve do sindicato dos transportes, AKT, que rapidamente evoluiu para uma ação nacional contra o chamado “Modelo Activo” de desemprego. Sob este modelo as pessoas desempregadas têm de provar que tinham trabalhos ocasionais, muitas vezes precários ou tirado formações profissionais, de forma a continuarem a receber os subsídios da segurança social.

Uma marcha que começou na sede do AKT, no distrito de Kallio, em Helsínquia, transformou-se numa demonstração de massas onde 15,000 pessoas encheram a Praça do Senado, apesar da greve ter feito parar quase todos os transportes públicos da cidade e de uma forte queda de neve. Por todo o país, não só os trabalhadores dos sindicatos dos transportes, como também da construção e fabris estiveram em greve, correspondendo a um décimo dos trabalhadores finlandeses.

O Sosialistinen Vaihtoehto (CIT FInlândia) observou que a disposição para uma mudança política tem vindo a aumentar há meses, desde logo com a acção de Joukkovoima [1] contra o governo de direita em Setembro. A greve de dia 2 de Fevereiro ocorre numa altura em que a tensão política aumentou ainda mais: as negociações entre os sindicatos nacionais e o patronato sobre os acordos salariais de 2018 estão a decorrer com dificuldade.

Com a ação de dia 2, os sindicatos estão a redescobrir a sua voz, proclamando que o “Modelo Activo” é uma violação do Pacto de Competitividade assinado entre os sindicatos e o governo há 2 anos atrás. Os sindicalizados têm de aproveitar este momento e pressionar, a partir da base, os seus sindicatos a agir: agora é a altura de fazer uma greve geral contra o Modelo Activo, contra a austeridade, contra todos os ataques do governo aos trabalhadores, aos pobres e aos oprimidos.

Certamente que o Modelo Activo é o alvo certo: odiado pela maioria da população, está a ser explicitamente usado para forçar os desempregados a aceitar trabalhos com baixos salários ou precários e passar por imensa burocracia apenas para receberem dinheiro suficiente para comer. Enquanto a taxa de desemprego na Finlândia praticamente não mudou dos 9%desde 2011, enquanto as filas das “sopas dos pobres” aumentam, este governo claramente não está mais interessado do que os anteriores em arranjar trabalho para a população.

Em vez disso, alguns analistas apontam um paralelo entre o Modelo Activo e esforços semelhantes no Reino Unido e outros países: o grande aumento de burocracia vai criar uma oportunidade para o governo de direita passar a administração da segurança social para o sector privado, minando os trabalhadores do sector público e criando oportunidades para os grandes burgueses lucrarem com o dinheiro público. Tais planos devem ser resistidos ao máximo.

Quem pode liderar esta resistência? A Líder da Aliança de Esquerda, Li Andersson, recebeu um apoio entusiasta da multidão, em contraste com a candidata presidencial Merja Kyllönen, que ficou em penúltimo lugar nas eleições; sondagens recentes dizem que Andersson é extremamente popular entre os votantes da esquerda e o público geral. A sua popularidade, no entanto, e à semelhança da Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Jacinta Ardern, do Partido Trabalhista, é baseada fundamentalmente na sua imagem pública e não nas suas ações.

A reeleição de Sauli Niinistö enquanto presidente no final do último mês foi um sinal da fraqueza do Partido Social Democrata e da Aliança de Esquerda.

Se a Aliança de Esquerda, que tem ligações com a maioria dos sindicatos da Finlândia, conseguir aproveitar esta energia paramobilizar trabalhadores, estudantes e desempregados num movimento de massas contra a austeridade, conseguirão certamente lançar uma onda de choque na política finlandesa capaz de varrer com o governo e as camadas mais fracas da oposição, abrindo espaço para vozes mais radicais. Se a Aliança de Esquerda se recusar a apresentar um programa claramente socialista, com financiamento total dos subsídios para os desempregados, um programa de criação de emprego e escala móvel de salários que assegure que os empregos e salários não estão dependentes dos jogos de casino do mercado, condena os trabalhadores finlandeses a mais austeridade.

O Sosialistinen Vaihtoehto (CIT Finlândia) luta por:

  • Aumentar o combate ao Modelo Ativo: mobilizar para uma greve geral!
  • Parar todos os ataques aos benefícios do governo e serviços públicos. Sem cortes nos empregos, sem cortes nos benefícios, sem privatizações!
  • Um partido de massas dos trabalhadores com um programa claramente socialista – trabalhadores, estudantes e desempregados, unam-se para um movimento de massas contra a austeridade!

 


[1] “Poder do Povo”, frente ampla do Partido Comunista Filandês (SKP), que tem promovido manifestações anti-austeridade nos últimos dois anos contra o governo de Sipilä.

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