Teste nuclear da Coreia do Norte: escalada perigosa do conflito entre Washington e Pyongyang

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Artigo de Niall Mulholland, membro do Secretariado Internacional do CIT, publicado originalmente a 9 de Setembro em socialistworld.net.

O teste nuclear ocorrido a 3 de Setembro, na Coreia do Norte, foi o mais poderoso até então, bem como a reação beligerante dos EUA, que sublinha a situação perigosa e volátil na península e em toda a região.

A gigantesca explosão no norte do país foi sentida na Coreia do Sul e na China. O regime admite ter sido uma bomba de hidrogénio até catorze vezes mais poderosa do que a do teste anterior.

Horas mais tarde, com o apoio dos EUA, a Coreia do Sul realizou também exercícios militares e lançamentos de mísseis num ataque simulado à Coreia do Norte.

Entretanto, com a escalada de retórica bélica entre ambos os lados, estão previstos para os próximos dias mais testes nucleares da Coreia do Norte.

Muitas pessoas na região e no resto do mundo temem que as manobras agressivas dos EUA, assim como o programa de armamento da Coreia do Norte resultem numa escalada para um conflito armado ou até uma guerra nuclear, quer voluntariamente ou por ‘acidente’. A perspectiva de um confronto armado, que afetaria todo o planeta — um ‘inverno nuclear’ — e resultaria na perda de um número incalculável de vidas e na destruição ambiental, certamente horroriza milhões de pessoas.

Apesar do programa de armamento da Coreia do Norte parecer surpreendente, não é nada comparado com as 7,000 ogivas nucleares que a superpotência americana detém. Os EUA são também o único país a alguma vez utilizar armas nucleares, nas cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, em 1945, matando centenas de milhares.

Enquanto Trump condena a ameaça Norte Coreana à “paz mundial”, a potência imperialista dos EUA lançou, desde o início de 2017 até ao momento, mais de 6,000 bombas em diversos países, matando milhares de cidadãos inocentes.

A administração Trump deu uma resposta fria ao teste nuclear da Coreia do Norte. Quando questionado “Vai atacar a Coreia do Norte?”, Trump responde “Vamos ver”.

O Secretário da Defesa dos EUA, James (“Mad Dog”) Mattis, ameaçou que os Norte Coreanos iriam enfrentar uma “resposta militar massiva” perante quaisquer ameaças aos EUA ou os seus aliados, o que resultaria na “aniquilação total” da Coreia do Norte. Ao mesmo tempo refletindo as opções limitadas em relação à Casa Branca e as suas posições contraditórias, Mattis afirma que os EUA não têm planos para uma “mudança de regime”.

Sanções

A embaixadora dos EUA para a ONU, Nikki Haley, declarou que Kim Jong-un estava a “implorar pela guerra” e lançou um apelo pelo fim de todas as ligações económicas com a Coreia do Norte. As novas sanções que se encontram a ser discutidas (as sanções americanas iniciais contra a Coreia do Norte foram impostas em 1950) incluem o fim de todos os abastecimentos de petróleo, da exportação de trabalhadores Norte Coreanos (é estimado que mais de 50,000 Norte Coreanos trabalham na China e na Rússia, trazendo de volta capital estrangeiro a Pyongyang) e de todas as transações financeiras.

Esta é uma ameaça direta aos interesses da China, que é a principal parceira de troca com a Coreia do Norte e o seu abastecedor principal de petróleo.

A Coreia do Norte já se encontra sujeita a sanções recentes por parte da ONU, nomeadamente na proibição de exportações de carvão, de chumbo e de pescado, avaliadas em um milhar de milhão de dólares por ano, ou um terço da sua receita anual.

Num tweet, Trump ameaçou “parar todo o comércio com qualquer país em negócios com a Coreia do Norte”. Esta política suicida significaria acabar com o comércio entre os EUA e a China, as duas maiores economias mundiais, dando início a grandes guerras comerciais e mergulhando a economia mundial no caos e muito provavelmente numa depressão severa.

O regime chinês caracterizou o último teste nuclear norte coreano como um “erro” e apelou para que esta crise seja resolvida “pacificamente”.

As propostas da China e da Rússia de um ‘freeze for freeze’ — os EUA e a Coreia do Sul devem cessar exercícios militares massivos nas fronteiras norte coreanas e em retorno, Pyongyang acaba com os testes de mísseis e de ogivas nucleares, para que o diálogo seja restabelecido — são descartadas pela Casa Branca.

Tanto a China como a Rússia fazem fronteira com a Coreia do Norte e competem com os EUA na região da Eurásia. Ambos criticam o programa de armas nucleares de Pyongyang, em parte porque dá ao imperialismo americano o pretexto de aumentar em grandes proporções o seu poder militar na península coreana.

Simultaneamente, a China e a Rússia opõem-se a sanções severas, incluindo embargos ao petróleo, pois estas podem levar a grandes problemas sociais na Coreia do Norte ou até ao colapso do regime de Pyongyang, com milhões de refugiados a procurar abrigo na China e até na Rússia. Temem que o fim do “amortecedor” norte coreano resulte numa Coreia ‘reunificada’, dominada pelos EUA, com armas de destruição maciça às suas portadas e voltadas para si. É esperado que a China e a Rússia procurem refutar significativamente as propostas de sanções levadas a cabo pelos EUA e os seus aliados da ONU.

Numa resposta furiosa relativamente à ameaça de sanções, o presidente russo Putin defende que Kim Jong-un não é “maluco”, como este é descrito frequentemente nos media ocidentais, e que está a agir racionalmente. “Todos se lembram bem daquilo que aconteceu no Iraque e com Saddam Hussein. Hussein acabou com a produção de armas de destruição maciça… E eles [na Coreia do Norte] também o sabem e lembram-se bem,” afirma Putin. “E acham que a Coreia do Norte abandonará [o seu programa] devido a algumas sanções?”

De facto o regime de Kim Jong-un parece ter acelerado o seu programa nuclear para atuar como ‘dissuasor’ contra um ataque liderado pelos EUA. Gaddafi, o ditador Líbio, abandonou o seu programa nuclear em 2003 em troca de promessas de integração económica e acordos de segurança com o ocidente. Contudo, os EUA e os seus aliados apoiaram os rebeldes contra Gaddafi, em 2011, o que levou à queda do seu regime e ao terrível fim de Gaddafi.

Quaisquer que sejam as sanções levadas a cabo contra a Coreia do Norte — que resultará principalmente no sofrimento da classe trabalhadora — o regime de Pyongyang vê o armamento nuclear como o único recurso de vantagem e garantia da sua própria sobrevivência.

Estalinismo

Os testes de bombas e de mísseis do regime norte coreano certamente que comportam o risco de um conflito, no entanto o principal culpado pela criação desta situação alarmante no nordeste asiático são as políticas agressivas e imprudentes da administração Trump.

O regime norte coreano é uma forma particularmente grotesca do Estalinismo, mas há décadas que o seu desenvolvimento tem sido fortemente influenciado pelas ameaças de intervenção militar do imperialismo americano.

O imperialismo japonês anexou brutalmente a Coreia em 1910 e durante a década de 30 o movimento independentista coreano voltou-se para a resistência armada. O avô de Kim Jong-un, Kim Il-sung, liderou uma luta de 13 anos que culminou com a perda do controlo japonês da Coreia, em 1945.

No final da Segunda Guerra Mundial, os EUA temiam que soldados soviéticos, que estavam a entrar pela região norte da península, juntamente com dezenas de milhares de guerrilheiros coreanos sob liderança do Partido Comunista Coreano, tomassem toda a Coreia sob o seu controlo. Os planners do American State Department escolheram o 38º paralelo para dividir a Coreia e 25,000 soldados dos EUA entraram pela região sul da Coreia para estabelecerem um governo militar brutal.

Depois de uma série de incursões sul coreanas no norte, iniciou-se a guerra em grande escala, em 25 de Junho de 1950. O comandante militar dos EUA, o General McArthur, defendeu o lançamento de 20 ou 30 bombas nucleares no norte (devido a esta indiscrição, foi dispensado do seu cargo pelo Presidente Eisenhower). Sob a bandeira da ONU (incluindo 60,000 tropas britânicas) o bombardeamento do norte, anteriormente a região mais industrializada da Coreia, causou enormes baixas (incluindo 2 milhões de mortes civis) e a destruição maciça das infraestruturas do país.

Em simultâneo, o regime militar do sul levou a cabo uma violenta repressão contra quem estivesse associado com a esquerda. Estima-se que pelo menos 300,000 pessoas tenham sido detidas ou executadas ou que tenham ‘desaparecido’ no sul, durante os primeiros meses da guerra. Vários dos responsáveis tinham servido os governantes japoneses e foram colocados novamente no poder pelos americanos.

A Guerra Coreana terminou em 1953 com a fronteira inicial, sem tratado de paz formal e mantendo a recusa dos EUA de reconhecer a ‘República Popular Democrática da Coreia’.

A guerra e décadas de ameaças militares dos EUA resultaram na transformação da Coreia do Norte, cada vez mais, numa forma isolada e monolítica de Estalinismo. Kim Jong-un é um líder hereditário de um regime marcado pela sua xenofobia, culto de personalidade e uma fraudulenta ideologia “Juche” (auto-suficiência). O regime totalitário mantém centenas de milhares de prisioneiros políticos em campos de trabalho.

Os regimes reacionários da Coreia do Sul e a contínua ameaça militar apenas deram espaço ao regime Estalinista para justificar o seu governo. Os EUA, com o seu ‘controlo operacional’ do exército coreano, mantiveram-se indiferentes a dois golpes de estado militares da direita que ocorreram na Coreia do Sul, em 1961 e 1980.

Durante as primeiras décadas da sua existência, a Coreia do Norte, sob uma economia planeada, foram capazes de superar o sul económicamente, aumentando significativamente o nível de vida e as taxas de alfabetização, saúde e educação. Tornou-se num país amplamente urbanizado e industrializado.

Contudo, como todos os estados Estalinistas, o governo burocrático de cima para baixo corrompeu as conquistas da economia planeada e tornou-se numa barreira fundamental ao seu desenvolvimento. O aparelho militar, com cerca de um milhão de soldados e uma vasta gama de armamento convencional torna-se um enorme fardo para a economia.

Economia Norte Coreana

A economia foi amplamente afetada pelo colapso da União Soviética depois de 1990, o que privou a Coreia do Norte de importações baratas. A situação agravou-se com inundações, entre 1995-96, que levaram à fome.

A liderança de Kim Jong-il foi forçada a permitir o crescimento de mercados agrícolas privados, e em 2002 o regime anunciou o desenvolvimento de duas Zonas Económicas Especiais.

Tanto o mercado formal como o informal cresceram, assim como as empresas privadas. Em 2013, Kim Jong-un anunciou a sua “linha byungjin”, uma política de desenvolvimento simultâneo da economia e de armas nucleares. Esta permitiu a abertura para 400 mercados. Além disso, os mercados não oficiais representam agora entre 70 a 90 por cento do rendimento doméstico total. O banco central sul coreano afirmou no mês passado que a economia do Norte cresceu em 2016 em 3.9%, o crescimento mais rápido dos últimos 17 anos. No entanto, a economia está “longe de recuperar do desempenho económico em relação à crise”, de acordo com o Professor Byung-Yeon Kim da Universidade Nacional de Seul.

Capitalistas por toda a região Este da Ásia estão interessados, claro, em explorar a mão-de-obra barata da Coreia do Norte.

Somente o controlo e a gestão democrática dos trabalhadores, em todos os níveis da sociedade na Coreia do Norte, poderia ver realizado o potencial total de uma economia planeada. Isso implica derrubar o regime despótico de Kim Jong-un e criar laços com a classe trabalhadora sul coreana na sua luta contra o capitalismo e o imperialismo.

Trump queixa-se das ambições nucleares da Coreia do Norte, mas foram os EUA que introduziram armas nucleares na península coreana, em 1958, até que foram retiradas posteriormente ao colapso da União Soviética. Desde 1991, os EUA têm sobrevoado regularmente o espaço aéreo da Coreia do Sul com bombardeiros nucleares e também navegam frequentemente águas circundantes com submarinos nucleares. Os EUA mantém também uma presença militar massiva “convencional” na Coreia do Sul.

Armamento Nuclear

Em resposta, a Coreia do Norte embarcou num longo percurso para a capacidade nuclear e testou o seu primeiro míssil de médio-alcance em 1992, e o seu primeiro míssil de longo-alcance em 1998. Usou a ameaça de armas nucleares e o seu vasto arsenal convencional para forçar a superpotência dos EUA a entrar em negociações. O regime necessitava de concessões económicas para evitar o colapso e procurou terminar o assalto estratégico imposto pelos EUA desde o final da Guerra Coreana.

O presidente dos EUA Bill Clinton admitiu que “nós até tínhamos elaborado planos para atacar a Coreia do Norte e destruir os seus reatores, e dissemos que iríamos atacá-los a não ser que cancelassem o seu programa nuclear”. No entanto a verdade dura que o imperialismo americano iria enfrentar — guerra na península resultaria em pelo menos um milhão de mortes, incluindo pelo menos 100,000 americanos, e custaria mais de três milhares de milhões — obrigou a uma viragem política dos EUA e negociaram um acordo com a Coreia do Norte.

Sob esse acordo, a Coreia do Norte suspendia o seu programa nuclear, e os EUA forneciam assistência económica em petróleo e alimentos, bem como na construção de dois reatores de “água leve” (que não produzem plutónio), para a geração de electricidade, e os EUA regressavam a uma “total normalização de relações políticas e económicas”.

O acordo resultou numa paragem de oito anos (1994-2002) em todas as suas infraestruturas de plutónio e encaminhava-se para o desarmamento nuclear. Os EUA, contudo, nunca cumpriram as suas promessas, levando a Coreia do Norte a secretamente renovar as suas políticas de armas nucleares.

Uma grande seção da classe capitalista na Coreia do Sul, no entanto, era fortemente a favor de um acordo com o Norte, para evitar o seu colapso e uma vasta crise de refugiados. Isto resultou numa cimeira de encontro entre os regimes do Norte e do Sul em Junho de 2000.

No entanto a administração de George W. Bush descartou o acordo e cessou o diálogo com a Coreia do Norte. No seu discurso infâme no State of the Union, em 2002, Bush declarou a Coreia do Norte como parte de um “eixo do mal”.

Ainda assim “Six-Party Talks” decorreram em 2003 entre o Norte e a Coreia do Sul, os EUA, a Rússia, China e o Japão. A Coreia do Norte recebia assistência económica em troca do desarmamento nuclear. Em Julho de 2007, a Agência Internacional de Energia Atómica confirmou que o reator produtor de plutónio de Yongbyon e o complexo de montagem de combustível nuclear foram encerrados.

Contudo, a suspeita mútua e a desconfiança entre a Coreia do Norte e os EUA mostrou-se irremediável; os pedidos constantes de mais informação sobre o programa nuclear norte coreano enfureceram o governo, e os EUA apontaram que a Coreia do Norte teria continuado um programa secreto de enriquecimento de urânio.

Sob a administração Obama, apesar de reduzir a retórica de guerra, não existiu nenhuma grande diferença na política em relação à Coreia do Norte. A chegada ao poder da administração agressiva e imprudente de Trump viu, regressar novamente a uma escalada de tensões.

Opções limitadas do Imperialismo dos EUA

Porém, Trump enfrenta as mesmas opções limitadas que os anteriores presidentes dos EUA, ainda mais agora que a Coreia do Norte aparenta estar à beira de possuir armas nucleares (que Pyongyang garante que alcançarão o continente americano).

Pouco depois de ter sido despedido pela Casa Branca, Steve Bannon, o anterior conselheiro “alt-right” de Trump, descreveu as relações dos EUA com a Coreia do Norte como um proxy para a “guerra económica” com a China. “Não existe solução militar” para parar os programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, admite Bannon.

“Esqueçam”, diz ao American Prospect magazine (16 Agosto). “Até alguém resolver a parte da equação e me mostrar que dez milhões de pessoas, em Seul, não morrerão nos primeiros 30 minutos com armas convencionais, eu não sei do que fala, não existe nenhuma solução militar aqui, eles têm-nos na mão.”

Com artilharia massiva alinhada na fronteira entre o Norte e o Sul, é estimado por analistas militares que 100,000 pessoas em Seul poderiam morrer nos primeiros dias do conflito. E que não existe garantia que um ataque militar dos EUA consiga destruir todas as partes escondidas dos programas nucleares norte coreanos.

A perspetiva de Bannon é partilhada por muitos oficiais e antigos oficiais dos EUA. “Ele está absolutamente certo,” disse o antigo negociador nuclear para a Coreia do Norte, Joel S. Wit. “Esta [uma primeira ofensiva dos EUA] não é uma ameaça credível nem nunca realmente foi desde os anos 90. Temos fingido ser credível, mas na realidade não é.”

Em Agosto, o presidente sul coreano Moon Jae-in fez comentários semelhantes: “Posso dizer com confiança que não haverá novamente uma guerra na península coreana.”

Depois do teste nuclear norte coreano de 3 de Setembro, Trump acusa a Coreia do Sul de “apaziguamento” e despoletou dúvidas acerca da continuidade do acordo de livre troca entre os EUA-Coreia do Sul – uma afirmação muito provocadora para a qual a Casa Branca rapidamente se distanciou.

Moon Jae-in enfrenta pressões internas, pois chegou à presidência depois de vastos protestos terem forçado o impeachment do seu antecessor de direita. Prometeu revogar leis repressivas de segurança, promover a reconciliação com a Coreia do Norte e que Seul irá adotar uma política externa mais independente dos EUA. Enquanto Moon Jae-in se encontra sob pressão para aceitar trazer mais mísseis dos EUA, foi reportado que o seu governo considera desenvolver o seu próprio programa de armas nucleares.

Situação volátil e perigosa

Apesar de que todos os factos apontam contra uma primeira ofensiva dos EUA, a situação permanece volátil e perigosa, envolvendo dois líderes imprevisíveis, Kim Jong-un e Donald Trump. O New York Times avisa que Trump necessita de iniciar o diálogo com Kim Jong-un, “antes que um erro de cálculo leve para a guerra”.

Ações militares ‘táticas’ mal pensadas, provas ou incidentes ‘acidentais’ podem resultar para a  escalada de um conflito devastador

A Casa Branca lança declarações contraditórias em como pretende lidar com a Coreia do Norte. Isto reflete não só o caráter instável da presidência de Trump mas os debates e cisões intensas a terem lugar neste momento nos círculos de poder dos EUA.

Seções do establishment dos EUA aconselham ações mais agressivas. No editorial, o Wall Street Journal apela ao armamento nuclear da Coreia do Sul e encorajou a elite da Coreia do Norte para “se renderem ou fazerem um golpe interno”. Continuou apelando para que a fome em massa seja usada como arma contra Pyongyang: “retirando os apoios alimentares para deixar o governo cair, normalmente seria impensável, mas a Coreia do Norte é um caso excecional”. (WSJ, 5 Setembro 2017)

O conflito armado na península coreana provocaria vastos protestos anti-guerra e anti-imperialismo por todo o mundo, e ainda movimentos revolucionários — os EUA não seriam excepção, onde a administração Trump já se encontra muito odiada por grande parte da população americana.

Protestos tiveram lugar esta semana na Coreia do Sul contra a instalação de novos mísseis dos EUA. A classe trabalhadora Sul Coreana tem uma história profunda de lutas em massa contra a militarização, tendo movimentos em massa que derrubaram ditaduras militares anteriores.

A longo prazo, os EUA muito provavelmente terão de enfrentar a perspectiva de entrar em negociações com a Coreia do Norte e chegar a algum tipo de acordo para tentar “conter” a artilharia nuclear norte coreana. O Washington Post aponta que os EUA e a Coreia do Norte mantiveram um “calmo período diplomático nos meses passados que poderia ser usado para entrar em negociações mais substanciais”.

Contudo, a única forma de assegurar a paz e a estabilidade a longo prazo na região é através do desenvolvimento de uma oposição forte da classe trabalhadora internacional às agressões da administração Trump, contra a militarização da península coreana e pelo desarmamento nuclear a nível mundial.

Aliado a isto, está a luta para mudar fundamentalmente a sociedade — lutar pelas necessidades das pessoas, não pelo lucro — da classe trabalhadora da península coreana e dos EUA. A unificação da Coreia sobre uma base socialista genuína, e a criação de uma federação socialista, voluntária e igualitária na região, traria o fim da exploração de classe e das guerras.

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