Combater a extrema-direita — estratégia e tácticas socialistas

Centenas de pessoas marcharam em Oakland, numa demonstração de solidariedade com as vítimas do ataque terrorista de extrema-direita em Charlottesville.

Artigo de George Martin Fell Brown. Publicado originalmente a 12 de Junho de 2017 antes da marcha e do ataque terrorista de extrema-direita em Charlottesville, Virginia no website do Socialist Alternative, secção estado-unidense do CIT

À medida que Trump lança ataque após ataque sobre os trabalhadores e os oprimidos, fomenta uma histeria racista, sexista e xenófoba para alimentar o apoio a esses ataques. Muitos já acusaram Trump de fascismo, mas em paralelo com os ataques de Trump, temos visto um crescimento de forças de extrema-direita que se adequam muito melhor ao rótulo de fascistas. Nos primeiros dez dias depois da eleição de Trump, o Southern Poverty Law Center registou 867 incidentes de ódio, a vasta maioria de celebração da eleição de Trump. Organizações fascistas, neo-nazis e nacionalistas brancas saíram dos seus buracos, por vezes sob a fachada da dita “alt-right”.

O ascenso da extrema-direita nos EUA faz parte de um crescimento mais amplo das forças fascistas e da extrema-direita pelo mundo. Isto tem sido particularmente acentuado em países como a Grécia ou a Hungria, onde partidos que se dizem fascistas de forma explícita têm sido capazes de obter um um apoio tão alto quanto 20% em eleições nacionais. À medida que o termo “fascista” se tornou um epíteto vazio usado contra qualquer político do qual não se gosta, a realidade das forças fascistas e de extrema-direita no terreno revelou-se um despertar brusco para muitos. A questão do combate contra a extrema-direita voltou à agenda.

O que é o fascismo?

A renovada preocupação sobre o fascismo revelou uma intensa confusão popular sobre o que é de facto o fascismo. Explicações populares tomam geralmente a forma de comparações superficiais psicológicas entre figuras como Trump e fascistas históricos como Hitler e Mussolini. Este tipo de explicações consegue pintar qualquer político de direita como fascista, e é geralmente usado para afastar as pessoas de votarem em “terceiros partidos”. Semelhantes explicações superficiais têm sido também usadas para comparações históricas ainda mais dúbias, como é o caso de tentativas de comparação entre Trump e Lenin.

Esta foi vista num artigo recente da Raw Story que afirmava expor “os paralelos assustadores entre Trump e Mussolini”. Passando pela biografia de Mussolini de R.J.B. Boswort, o artigo começa então a despejar uma panóplia de banalidades e psicanálise de poltrona. Assim aprendemos que ambos Trump e Mussolini “preferiram evitar conversas profundas”, que se dedicaram a “intimidar a imprensa” e que “existiam poucas coisas que os irritavam mais do que críticas frontais”. Trump é um horrível reaccionário, mas este tipo de análise superficial não proporciona nenhuma compreensão dos factores que o levaram ao poder, da ameaça que representa, e de como a sua agenda pode ser derrotada.

O fascismo é melhor entendido enquanto movimento social, não enquanto uma lista de traços psicológicos. É desta forma que Marxistas como Leon Trotsky abordaram a questão na década de 1930, quando o fascismo estava no seu auge. O capitalismo alemão e italiano entraram em crise no início da Primeira Grande Guerra, provocando massivos tumultos revolucionários. Mas a classe trabalhadora sofreu uma série de derrotas, enquanto o capitalismo se manteve incapaz de resolver a sua crise. Apesar de tudo, a questão da revolução social começou a ser claramente levantada novamente no contexto da Grande Depressão. Os movimentos fascistas de Hitler e Mussolini foram movimentos de massas cujo objectivo era liquidar fisicamente todas as organizações de trabalhadores de forma a salvar o capitalismo. Repousando sobre a classe média arruinada, o fascismo serviu os interesses dos grandes negócios, com os criminosos de camisas castanhas a fazer o que os capitalistas não conseguiram eles próprios concretizar.

O fascismo, como força de massas, pode triunfar apenas destruindo completamente as organizações da classe trabalhadora e esmagando toda a dissidência. A situação hoje não é a mesma da década de 1930. Sob verdadeiro fascismo, a esquerda não poderia organizar-se ou protestar publicamente. Donald Trump poderá ter um suficiente apoio passivo de parte da população para ser eleito, mas não há equivalente a um exército de camisas castanhas capazes de arrasar com toda a dissidência. Nos últimos dois meses, Trump suavizou a sua hostilidade perante secções do aparelho de Estado e, em certa medida, também a sua campanha contra os media. Pelo menos por enquanto, está a apoiar-se mais nos generais e na liderança republicana do que em figuras de extrema-direita como Bannon, que foi parcialmente afastado da administração.

A eleição de Trump, por outro lado, revigorou várias forças genuinamente fascistas e semi-fascistas, como fragmentos do Ku Klux Klan, várias organizações neo-nazis e brancas nacionalistas, e uma camada semi-fascista que está a crescer a partir das forças da chamada “alt-right”. Estas forças poderiam de bom grado desempenhar o papel dos camisas castanhas americanos. Mas, de momento, apesar da sua confiança, permanecem extremamente fracos. Até na Europa, onde a extrema-direita está bem mais organizada e tem peso real em vários países, muitos dos principais partidos de extrema-direita têm cortado frequentemente os seus laços com os neo-nazis. Este é, por exemplo, o caso da Frente Nacional Francesa, liderada por Marine Le Pen.

Podemos não estar a repetir a experiência da Alemanha de 1933, mas a emergência da direita representa efectivamente uma ameaça para os trabalhadores e os oprimidos. As pequenas forças fascistas e semi-fascistas podem não estar à beira do poder, mas conseguem ainda assim intimidar as comunidades imigrantes, as pessoas transgénero, e outros grupos oprimidos. E podem ainda avançar com ataques violentos a greves e protestos, como visto quando os nacionalistas brancos dispararam contra uma manifestação do Black Lives Matter em Minneapolis, em 2015.

A dita “alt-right”

Um novo fenómeno que distingue a extrema-direita de hoje do fascismo clássico é o desenvolvimento da dita “alt-right”. O termo foi cunhado em 2010 por Richard Spencer. Spencer tornou-se mais tarde famoso por ter sido atingido na cara por um soco durante a tomada de posse de Donald Trump. Spencer é um nacionalista branco assumido que apela à “limpeza étnica pacífica” para construir uma pátria para a “raça branca desapossada”. Mas Spencer recusou abertamente identificar-se com termo “neo-nazi”.

Forças identificadas com a dita “alt-right” tornaram-se uma ala proeminente da campanha de Trump. O site de propaganda de direita Breitbart apropriou-se do termo, com o CEO do website,Steve Bannon, a chamar o site de “plataforma para a alt-right”. Bannon tornar-se-ia mais tarde o conselheiro de campanha de Trump durante a eleição e, posteriormente, o seu mais destacado estratega. Depois da eleição de Trump, os activistas “alt-right” organizaram festas de vitória onde utilizavam saudações nazis e cantavam “Heil Trump”. Apesar de nem todos os elementos rotulados de “alt-right” possam ser chamados de fascistas, este termo é cada vez mais uma forma de as forças fascistas e semi-fascistas alcançarem de forma sub-reptícia à respeitabilidade política. Isto não pode ser visto, pelo menos até agora, como um movimento coerente.

Mais do que fascismo clássico, a emergência de Trump, e a sua relação com a dita “alt-right” remonta à tradição americana de virulento populismo de direita, muitas vezes namorando ideias fascistas. A relação entre Trump e Bannon comporta uma forte semelhança com Huey Long, que planeou uma campanha presidencial populista de direita para as eleições de 1936, apoiado por um comentador de rádio pró-Hitler, Father Charles Coughlin. A campanha de Long foi encurtada pelo seu assassínio em 1935, mas outros populistas de direita têm avançado com campanhas presidenciais que obtêm um apoio perturbador, desde a campanha de 1968 do segregacionista George Wallace, à candidatura do nativista Pat Buchannan em 2000, pelo Partido Reformista. Ironicamente, durante a eleição de 2000, Donald Trump avançou com uma campanha contra Buchanan nas primárias, apresentando-se como um moderado.

Em adição ao populismo de direita, o movimento de “alt-right” também cresceu a partir dos movimentos libertários, com muitos frisando o apoio ao economista anarco-capitalista da Escola Austríaca, Murray Rothbard. Este é especialmente o caso nos campi universitários, onde este movimento se apoia em estudantes com melhores condições que têm um menor interesse em apelos populistas e um maior interesse em defender “liberdades pessoais” contra “guerreiros de justiça social”. Grupos de estudantes libertários como o Jovens Americanos pela Liberdade, que emergiu da campanha de Ron Paul em 2008, foram os primeiros a trazer oradores da “alt-right” para as universidades. Isto levou a lutas internas no movimento libertário, especialmente quando Richard Spencer foi convidado a estar presente na Conferência Internacional de Estudantes pela Liberdade.

Uma característica particular da “alt-right”, proveniente da tradição libertária universitária, é o uso da ironia para encobrir a sua política nociva. O movimento floresceu em fóruns de internet do 4chan, que se especializa em humor mórbido e chocante. Foi construída uma nova iconografia a partir de memes baseados em cartoons de sapos e de antigos mascotes de fast food, tornando-se difícil entender quando se tratavam de piadas ou não. Pessoas que não gostassem eram acusadas de ser “flocos de neve” facilmente ofendidos que simplesmente não conseguem lidar com piadas. Quando um orador homossexual “alt-right” como Milo Yiannopoulos diz “se alguém te chamar anti-semita, vai à página dele e mostra-lhe suásticas”, obscurece os limites entre os fascistas genuínos e as pessoas que brincam ao fascismo para irritar os outros.

Outra característica particular da “alt-right” é o seu uso de Internet para fazer ataques. Yiannopoulos foi banido do Twitter em Julho de 2016 por usá-lo para organizar campanhas de assédio direccionadas a indivíduos específicos. Antes de ter caído recentemente das graças por uma controvérsia de pedofilia, Yiannopoulos participou numa tour nos campi universitários onde  recolheu informação pessoal de estudantes, publicando-a para incitar a campanhas de assédio.

Na Universidade de Wisconsin-Milwauke, Yiannopoulos expôs um estudante transgénero. Iniciou também uma campanha para denunciar estudantes sem documentos em todo o país.

Estas campanhas de assédio revelam a realidade por detrás da fachada da ironia. Yiannopoulos poderá estar a “gozar” quando publica suásticas nos perfis de Facebook das pessoas, mas campanhas sistemáticas de assédio e intimidação contra as pessoas transgénero e imigrantes não poderão ser explicadas com ironia.

Liberdade de expressão

Enquanto as forças de extrema-direita ganham respeitabilidade, o movimento contra estas tem crescido. Quando figuras como Milo Yiannopoulos e Richard Spencer vão a tours para discursar pelo país, activistas de esquerda têm mobilizado para os calar.

Mas estas acções têm provocado um debate em torno da questão da liberdade de expressão. É alegado que, se silenciarmos os discursos nas digressões de pessoas, não somos diferentes dos fascistas que contestamos. Este debate apareceu principalmente depois de um protesto anti-Yiannopoulos em Berkeley que o Socialist Alternative ajudou a organizar. A visita de Yiannopoulous esteve integrada na sua campanha de expor os estudantes sem documentos. O Socialist Alternative ajudou a iniciar o protesto, criando uma página de evento do Facebook.

Um vasto conjunto de forças surgiu, desde um grupo de professores que introduziu uma petição de universidade para cancelar o evento, até um grupo de anarquistas Black Bloc. Os protestos conseguiram impedir o evento de Yiannopoulos, mas isto foi acompanhado por actos de vandalismo levados a cabo por anarquistas do Black Bloc e pela intervenção de manifestantes anti-fascistas em confrontos físicos com os apoiantes de Yiannopoulos. Apoiantes da “alt-right” têm usado este episódio para se apresentarem enquanto vítimas.

Mas Yiannopoulos tinha a intenção de usar essa plataforma para denunciar os estudantes sem documentos. Quando usou a sua plataforma para publicar a informação pessoal dos estudantes, ele não estava a expressar as suas opiniões, estava directamente a organizar uma campanha de assédio e intimidação.

A defesa liberal da liberdade de expressão para fascistas foi levada a extremos quando Daniel Dropik, um estudante da universidade de Wisconsin-Madison, tentou construir um clube estudantil de “alt-right” na universidade. Dropik é um membro da organização neo-nazi Partido Americano da Liberdade e já tinha sido condenado por ataques incendiários racistas contra igrejas negras antes de ingressar na universidade. Mas um editorial no Jornal do Estado de Wisconsin teve a coragem de defender Dropik através de um apelo à diversidade, declarando: “Se a universidade vai tratar a diversidade como um bem incontestável, não pode contestar quando essa diversidade surge sob a forma de um condenado federal ‘alt-right’”

Mas se uma camada de liberais adopta uma defesa crua e essencialista da liberdade de expressão a todo o custo, existe também uma camada do movimento anti-fascista que assume uma defesa crua e essencialista da noção de “nenhuma plataforma para fascistas”.

Os socialistas advogam a mobilização de movimentos de massas para bloquear os fascistas e outras forças de extrema-direita no seu uso de plataformas públicas para mobilizar, incitar ataques e recrutar. Também nos opomos aos apelos ao governo para banir organizações fascistas. Combater a extrema-direita tem que ser o produto da luta de massas, e nunca reforçar o aparelho repressivo do Estado. Quando tal legislação tem passado, tem sido utilizada para reprimir também a esquerda.

Foi este o caso em 1940, com o Smith Act, ostensivamente focado no combate ao fascismo, mas que mais tarde foi usado contra grupos socialistas, o caso mais notável sendo o da organização trotskista Partido Socialista dos Trabalhadores, que enfrentou em Minneapolis, no ano de 1941, um julgamento por sedição. Ao contrário dos trotskistas, o Partido Comunista apoiou inicialmente esta legislação, apenas para a ver ser usada contra si próprio mais tarde.

Ao mesmo tempo, para nós nada é automático na posição de “não plataforma”, mesmo quando lidamos com fascistas assumidos. Em geral, apoiamos a rejeição de uma plataforma para as forças fascistas e outras de extrema-direita, assim como apoiamos esmagá-los antes mesmo de ganharem espaço. Mas tal não pode ser feito de forma artificial, especialmente quando foram capazes de atingir uma audiência vasta que precisará de lhes ser retirada primeiramente através do debate político. Este problema foi visto no Reino Unido durante a última década, quando os semi-fascistas do Partido Nacional Britânico (PNB) estavam a obter ganhos eleitorais. Grupos anti-fascistas como o Unidos Contra o Fascismo recusam por princípio debater com os membros do PNB. Isto significou que quando os media atribuíram uma plataforma para o PNB não existiu, muitas vezes, uma voz anti-fascista para os desafiar.

Ambos os lados desta questão foram vistos na controvérsia que surgiu quando o apresentador de televisão Bill Maher convidou Milo Yiannopoulos para o seu programa. Isto garantiu a Yiannopoulos uma enorme plataforma pública, e as pessoas estavam correctamente revoltadas com a decisão de Maher. Mas a partir do momento em que Maher deu essa plataforma a Yiannopoulos, o comediante Larry Wilmore, correctamente, aceitou aparecer no mesmo programa e desafiar Yiannopoulos.

Exactamente que tácticas são apropriadas depende da extensão que as forças de extrema-direita foram capazes de atingir no desenvolvimento de uma base real de apoio. Onde os fascistas e a extrema-direita foram capazes de ir além de pequenos círculos e ameaçam criar raízes mais profundas, isto geralmente reflecte o completo desespero de secções da classe média e classe trabalhadora diante da crise do capitalismo e da derrota das principais forças à esquerda ou do movimento laboral em mostrar uma claro caminho em frente.

A questão que se coloca aos socialistas nesta situação é precisamente a de expor a falsa ideia de que nos dirigirmos apenas às minorias irá resolver os problemas das pessoas, tornando claro que o necessário é uma luta unida da classe trabalhadora e todos os oprimidos contra o capitalismo. Isto, evidentemente, deve ser acompanhado pela mobilização da classe trabalhadora para contra-atacar e prevenir ataques físicos da extrema-direita. Desta forma, o núcleo duro da extrema-direita pode ser exposto, isolado e derrotado. No final do dia, a luta contra o fascismo e a extrema-direita é, em 90%, uma luta política.

A necessidade de acção de massas

É óbvio que o crescimento da extrema-direita não é simplesmente uma ameaça ideológica, mas também uma ameaça física. Até antes da eleição, a questão da violência e da auto-defesa estava a ser discutida. O soco ao Richard Spencer e a violência em Berkeley nos protestos anti-Milo Yiannopoulos contribuíram para alargar isto a uma questão mais abrangente sobre o papel da violência na luta contra a extrema-direita.

O Socialist Alternative não tem objecções morais em relação a soquear nazis ou partilhar memes sobre soquear nazis. E defendemos inequivocamente o direito dos trabalhadores e oprimidos à auto-defesa. Mas a resistência mais eficaz contra a extrema-direita será a resistência de massas.

Quando um activista isolado deu um soco na cara de Richard Spencer, muitas pessoas sentiram-se reconfortadas, mas isso pouco importou para de facto travar a organização de Spencer. Quando os anarquistas do Black Bloc em Berkeley atravessaram a barricada da polícia enquanto Milo Yiannopoulos estava a tentar discursar, isto serviu concretamente para encerrar o evento e prevenir a exposição dos estudantes sem documentos, mas foi acompanhado por graffitis e janelas partidas, o que afastou activamente o público mais alargado.

Para além disto, ao mesmo tempo que silenciaram a extrema-direita a curto-prazo, reforçaram-na a médio-prazo. No dia 15 de Abril, forças “alt-right” organizaram um novo comício pela “liberdade de expressão” em Berkeley, no qual contra-manifestantes se encontraram severamente ultrapassados em número e foram violentamente atacados pelos manifestantes de extrema-direita. Isto mostra precisamente o perigo de nos centrarmos na “luta de rua” entre pequenos grupos.

Ainda para mais, as acções do Black Bloc avançaram sem qualquer participação democrática das massas, incluindo os outros manifestantes. Foi um pequeno grupo de pretensos revolucionários agindo em nome das massas. Muitos dos anarquistas que são atraídos pelas tácticas do Black Bloc opõe-se por princípio à construção de estruturas democráticas de massas, e as acções do Black Bloc tendem a dificultar a construção dessas estruturas. Mas são precisamente estruturas como essas que são necessárias para construir um movimento de massas capaz de desafiar e fazer recuar o populismo de direita e a extrema-direita.

Em Minneapolis, em 2015, quando supremacistas brancos dispararam tiros sobre um protesto do Black Lives Matter, o Socialist Alternative apelou às forças trabalhadoras e comunitárias envolvidas para organizarem uma ampla coligação de defesa para proteger fisicamente o movimento de ataques. Apesar de a coligação nunca ter sido estabelecida, o apelo foi bem-recebido, e à medida que a luta contra a extrema-direita se polariza, este tipo de coligações amplas de defesa geridas sob bases democráticas tornar-se-ão uma característica mais proeminente da luta.

Para além do combate à extrema-direita, a acção de massas é necessária para travar o populismo de direita de Trump e as condições que alimentam o Trumpismo. Antes de Trump, vimos uma onda de populismo de direita através do Tea Party, que viu um crescimento massivo em 2009-2010. Mas a partir de 2011, o Tea Party foi impelido a recuar pelo movimento de massas da classe trabalhadora em Wisconsin. Apesar do movimento ter sido incapaz de parar os ataques aos sindicatos, a mera existência do movimento atravessou o apoio popular do Tea Party e contribuiu para uma mudança de consciência à esquerda. O mesmo precisa de acontecer face a Trump.

Confrontar fisicamente elementos quase-fascistas da alt-right é necessário. Mas limitarmo-nos a batalhas de rua a pequena-escala falha na luta mais alargada que estamos a enfrentar. Precisamos de nos defender não apenas dos fascistas, mas dos ataques dos Serviços de Imigração e Controlo de Alfândegas dos EUA e da repressão policial. Temos que construir um partido dos 99% que consiga enfrentar não apenas os fascistas, mas Trump e toda a classe bilionária. Temos que combater, não apenas a extrema-direita, mas as condições que tornam possível o crescimento da extrema-direita.

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