Eleições britânicas: Derrotar o governo conservador com políticas socialistas

artigoSP

A propósito da convocação de eleições antecipadas no Reino Unido pela actual primeira-ministra conservadora Theresa May, publicamos aqui o comunicado do Socialist Party, CIT em Inglaterra e Gales.

Eleições britânicas: Derrotar o governo Tory dos milionários

Corbyn deve disputar as eleições com políticas socialistas

Theresa May convocou eleições gerais por uma razão apenas – não aquela que invocou – mas devido à fraqueza do governo conservador face à onda de raiva que se agiganta na sociedade Britânica.

Os trabalhadores sofrem a mais longa diminuição de salários desde o início do sec. XIX. Cortes nos subsídios sociais estão a deixar milhões de pessoas na pobreza, sem dinheiro suficiente para darem de comer a si e às suas famílias. No ano passado 200.000 pessoas foram admitidas no hospital devido a subnutrição. A Educação e o Serviço Nacional de Saúde (NHS) sofreram e sofrem cortes que põem em risco a sua existência. A crise na habitação agudiza-se. As novas e ultra-draconianas leis anti-sindicais estão a criar amargura e frustração entre os sindicalistas.

Longe de ser um governo forte, Theresa May teme que, devido à diminuta maioria que os Conservadores detêm no parlamento, poderá ser dominada por reviravoltas forçadss. No primeiro ano de maioria conservadora o governo recuou por 11 vezes e agora, para evitar ainda mais recuos, May fez a maior inversão até aqui. Depois de ter prometido não convocar eleições antecipadas, renegou a promessa e fez exactamente isso. O que mostra que os políticos capitalistas mudam as regras quando lhes é conveniente.

David Cameron e Nick Clegg (líderes do Partido Conservador e dos Liberais-Democratas, no anterior governo de coligação de 2010) introduziram o Decreto de Mandatos Fixos do Parlamento (que obriga eleições antecipadas a serem aprovadas por 2/3 do Parlamento e não apenas pelo Primeiro-Ministro), de forma a reforçar o governo de Coligação por cinco anos, mas agora May está a sobrepor-se ao decreto para reforçar o frágil governo Conservador. May aposta, com base nas sondagens actuais, que vencerá a eleição com um aumento de maioria, o que permitirá continuar o seu verdadeiro programa – não as falsas e doces promessas de ajudar as famílias em dificuldades, mas um programa de austeridade brutal.

Alto Risco para os Tories

É uma aposta de alto risco. A verdadeira sondagem acontecerá no dia 8 de Junho e muito pode ocorrer entretanto. May está parcialmente a colocar a eleição

como um referendo ao Brexit, na esperança de que um terço dos eleitores conservadores que apoiaram a permanência continuem a apoiar, relutantemente, o seu governo. Isto não é garantido – alguns podem mudar-se para os Liberais-Democratas, que são pró-permanência.

Além disso, os odiados Tories não terão muitas hipóteses de fazer progressos significativos na Escócia. O Partido Nacional Escocês não foi completamente desmascarado e provavelmente manterá a sua base eleitoral. A vitória nas eleições intercalares em Copeland provavelmente criou alguma esperança em May que os Tories poderão melhorar a sua posição no Norte de Inglaterra. No entanto, tanto nas eleições em Copeland como em Stoke, o voto nos Conservadores desceu em termos absolutos. Os Tories apenas conseguiram, por pouco, vencer em Copeland porque o voto nos Tories não diminuiu tanto como o voto no Labour.

Globalmente, as lições de eleições recentes – nos Estados Unidos, em França e na Holanda – dizem-nos que os eleitores procuram castigar o capitalismo, e que os partidos e candidatos que se proclamam contra o ‘establishment’ são um pólo de atração. Melénchon em França, que concorre com base num programa de esquerda, subiu em flecha para 19% de intenções de voto nas sondagens, podendo chegar à segunda ronda. Corbyn já afirmou que o Labour não se irá opor à convocação de eleições antecipadas. Agora terá de lançar uma campanha eleitoral baseada em políticas socialistas relevantes para a vida das pessoas de classe trabalhadora.

Políticas para uma mudança socialista

Claramente, grande parte da cabala pró-capitalista na cúpula do Partido Trabalhista dá secretamente as boas-vindas a estas eleições, pois pensa que Corbyn será derrotado, podendo substituí-lo por um líder pró-capitalista e pró-austeridade. No entanto, poderão vir a lamentar o dia em que a eleição foi convocada. Se Corbyn disputar as eleições com um programa claramente socialista – por um Brexit que defenda os interesses da classe trabalhadora e da classe média proletarizada – poderá vencer.

As políticas que o impulsionaram para a liderança dos Trabalhistas seriam um bom começo – introdução imediata de um salário mínimo de 10 libras por hora, educação gratuita para todos, construção massiva de habitação pública e a nacionalização das empresas de energia e ferroviárias. Estas deverão ser complementadas com medidas como o fim imediato de cortes nos serviços públicos e a promessa de renacionalizar imediatamente o Royal Mail (Companhia de Correios).

Corbyn deveria deixar claro que irá expulsar os privatizadores dos serviços públicos e da educação. Deveria prometer a refundação de um NHS (Serviço Nacional de Saúde) verdadeiramente socialista – devidamente financiado, abrangente, de elevada qualidade, sob controle democrático, com cuidados gratuitos no local de uso. Estas exigências deverão estar ligadas à necessidade de uma mudança socialista pela raiz – uma sociedade gerida para os interesses da maioria e não para o lucro de uma minoria.

Este tipo de campanha eleitoral não deverá estar limitada a discursos e tempo de antena. A campanha para defender o NHS tem que ser ligada ao movimento de massas que começou com a manifestação nacional de 4 de Março. Corbyn discursou nessa manifestação. Agora, em conjunto com o movimento sindical e os activistas do movimento em defesa do NHS, deveria convocar uma segunda manifestação, durante a campanha eleitoral, que mobilize milhões de pessoas contra os Tories e em defesa do NHS.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s