Trump ordena ataque com mísseis contra base aérea de Shayrat

IMG_1575.JPGNiall Mulholland, CIT

Tradução por Клaрa

Ataque aumenta conflito sírio e alimenta tensões entre poderes

A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de lançar mísseis num ataque contra a base aérea de Shayrat, na Síria, aumentou o já longo conflito no país e alimentou perigosamente as tensões entre os EUA, Rússia e Irão, assim como a Coreia do Norte e China. Também aumentou significamente as rivalidades entre regimes de base sunita e xiita no Médio Oriente. Trump afirmou que o ataque com mísseis tomahawk foi ordenado “contra o aeródromo na Síria de onde o ataque químico foi lançado”, referindo-se a Khan Sheikhun, onde mais de 70 pessoas morreram no início desta semana.

O pavoroso número de civis mortos, incluindo crianças, levou com toda a razão à repulsa e condenação por parte de trabalhadores de todo o mundo. No entanto, os EUA, apoiados por outras potências ocidentais, cinicamente aproveitaram o terrível incidente para tentar fortalecer a sua posição no conflito Sírio. As potências ocidentais, que querem a saída do presidente Bashar al-Assad, apressaram-se a culpar o regime Sírio pelas mortes. A instável administração Trump está também a usar o ataque de mísseis como uma forma de tentar aumentar o apoio interno, desviando as atenções do fracasso das promessas eleitorais de Trump e da sua incapacidade de proporcionar soluções para as vidas dos americanos.

Na ausência de uma investigação sobre as razões das mortes com químicos e sem procurar um mandato da ONU, ou mesmo um mandato do Congresso dos EUA, Trump ordenou o ataque de mísseis contra a Síria. O ataque dos EUA foi bem recebido pelos governos europeus, incluindo o Reino Unido, Alemanha e França, assim como a Turquia e Israel. A oposição islamista Ahrar al-Sham, na Síria, agradeceu o “ataque cirúrgico”.

Assad irá usar o ataque dos EUA para tentar reforçar as suas credenciais anti-imperialistas na Síria. No entanto, os socialistas não apoiam de maneira alguma o regime de Assad, que não tem mostrado preocupação para com as vidas de civis inocentes durante esta longa e sangrenta guerra civil na Síria. Assad é um ditador brutal preparado para usar os meios mais cruéis para se manter no poder. No entanto, por agora, não existe nenhuma prova concreta para dizer que o regime de Assad foi responsável pela morte de civis graças a químicos. Dado que Assad, com a ajuda crucial de Putin, está a vencer a guerra, parece contraprodutivo, na sua posição, lançar um ataque químico indiscriminado tendo plena consciência de que isso seria um pretexto para um possível ataque militar dos EUA.

Moscovo insiste que a força aérea Síria atingiu um armazém de armas químicas produzidas por rebeldes que lutam contra as forças do governo. Günther Meyer, director do Centro de Pesquisa para o Mundo Árabe da Universidade de Johannes Gutenberg em Maine, vai ainda mais longe: “Apenas grupos da oposição armados poderiam beneficiar de um ataque com armas químicas. De costas contra a parede, eles não têm praticamente nenhuma hipótese de se opor ao regime militarmente. Como recentes declarações do presidente Trump mostram, tais ações fazem possível com que grupos anti-Assad recebam mais apoio.” [Citado pela radiodifusora Alemã, Deutsche Welle (6/4/17)].

Contra-revolução

De momento, a única certeza sobre as cenas horríveis desta semana em Khan Sheikhun é que foram mortos vários civis, para além das centenas de milhar de outras mortes provocadas pela guerra. Isto é fundamentalmente um resultado da contra-revolução que decorreu na Síria após uma genuína revolta de massas contra o governo de Assad em 2011, inspirada nos movimentos revolucionários na Tunísia e no Egipto. Contudo, na ausência de organizações unidas e fortes da classe trabalhadora e de uma liderança socialista, forças sectárias e islamistas conseguiram entrar no vácuo, auxiliadas por Estados reacionários do Golfo e pela Turquia, além das potências ocidentais, levando à degeneração da revolta de massas numa perversa e multifacetada guerra civil.

É incerto se o ataque dos EUA é uma demonstração de força numa acção limitada ou se é o presságio de uma mais ampla intervenção militar na Síria. A base aérea de Shayrat é um importante centro para as operações militares sírias e russas contra a oposição armada maioritariamente islamista, e o ataque dos EUA foi um golpe nestas operações.

A Rússia condenou os ataques aéreos dos EUA como sendo um “acto de agressão” e uma “violação da lei internacional” e suspendeu o seu canal de comunicação militar na síria com Washington, usado para prevenir conflitos acidentais.

Estes desenvolvimentos deixam em aberto a possibilidade de confrontos directos entre forças militares dos EUA e da Rússia na Síria, com consequências profundas na região e internacionalmente.

O Irão, que tem milícias a lutar lado-a-lado com as tropas de Assad, também condenou fortemente as ações dos EUA. Além das perigosas complicações no terreno, forças Iranianas estão igualmente no Iraque, lutando nominalmente lado-a-lado com o regime de Bagdad, financiado pelos EUA, contra o ISIS. Trump apareceu para ordenar o ataque aéreo enquanto conversava com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a sua visita aos EUA, o que só serviu para aumentar tensões com o regime de Pequim. No início desta semana, Trump indicou que estava preparado para avançar com uma ação militar “unilateral” contra a Coreia do Norte e ainda fez comentários ameaçadores acerca do exército Chinês relativamente à “construção de ilhas” no Mar da China Meridional. De acordo com o Financial Times (Londres 07/04/17), «Liu Binjie, que faz parte do comitê que supervisiona o Parlamento Chinês, advertiu contra a ação unilateral contra a Coreia do Norte “Todo o Estado é militarizado”, disse ele. “Se os ameaçar com força, isso pode virar-se contra si.”»

Como o CIT advertiu, a chegada da administração de Trump marca uma mudança para relações mundiais mais perigosas e imprevisíveis. Nesta situação, a classe trabalhadora e jovens do Médio Oriente, EUA e todo o mundo necessitam de um movimento anti-guerra de massas e de desenvolver poderosos partidos da classe trabalhadora, com arrojadas políticas socialistas, para combater a guerra, o terror e a pobreza do capitalismo e imperialismo.

  • Pelo fim dos ataques de Trump contra a Síria — Oposição à interferência de todas as potências externas na região;
  • Fim à guerra e ao terror na Síria, Iraque e Médio Oriente;
  • Não ao racismo e à utilização de imigrantes e refugiados como bodes expiatórios;
  • Pela união dos trabalhadores e pelo socialismo!

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