Preparar a resistência contra Trump

Publicamos um artigo do Socialist Alternative, CIT nos EUA, sobre as tarefas de luta contra a agenda reaccionária de Trump, o artigo original é de 3 de Janeiro, mas a análise mantém-se actual e pertinente, apontando os desafios da esquerda estado-unidense no próximo período.

Phillip Locker e Tom Crean, Socialist Alternative

Tradução de Gonçalo Romeiro

A vitória de Trump nas eleições presidenciais foi um profundo choque para dezenas de milhões de trabalhadores progressistas, jovens, imigrantes, mulheres, pessoas de côr, muçulmanos e pessoas LGBTQ em todos os EUA. A lista de alvos da administração Trump tornou-se mais clara. isto é correspondido por um aumento dos crimes de ódio, por todo o país, desde as eleições. O enorme medo e raiva, em muitas comunidades, só aumentou.

A natureza imprudente e indisciplinada de Trump abriu também reais divisões na própria classe dominante, largos sectores temem que ele possa prejudicar os seus interesses domésticos e internacionais. Esta divisão foi vista mais recentemente na sua rejeição do anúncio da CIA de que o governo russo estava por detrás do ataque cibernético ao Comité Nacional Democrata. Isto mereceu a forte censura de importantes líderes republicanos.

Muitos estão expectantes em relação ao desenrolar dos acontecimentos ou alimentam esperanças de que Trump será razoável e moderar as suas posições. Mas os planos para deportar 3 milhões de pessoas, atacar imigrantes muçulmanos como “extremistas”, criminalizar a divergência e nomear um Supremo Tribunal que vote rasgar os direitos sindicais no sector público não são ameaças vãs.

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas de todo o país nas semanas que seguiram as eleições. O Socialist Alternative convocou muitos dos protestos iniciais, que foram dominados pela juventude. Mas agora vemos forças mais amplas prepararem-se para o que serão protestos verdadeiramente massivos ao redor da tomada de posse de Trump, em particular a Marcha das Mulheres em Washington, D.C. no dia 21 de Janeiro. Nós e os Socialist Students estamos focados na construção de marchas estudantis por todo o país, ligados a acções por todo o mundo, no próprio dia da tomada de posse, dia 20 de Janeiro, estas podem tornar-se a maior mobilização estudantil coordenada desde a guerra do Vietnam. (veja Why We’re Walking Out Against Trump)

Sem mandato

A verdade é que a agenda racista e misógina de Trump não tem mandato popular. Apesar de vencer no anti-democrático Colégio Eleitoral, Trump recebeu apenas 46% do voto popular e 2,9 milhões de votos a menos que Clinton.

Uma enorme polarização política e social continua a existir nos EUA. Houve uma viragem à esquerda de grandes sectores da sociedade nos últimos anos. Isso foi expresso no Occupy, na luta pelos 15$ [hora de salário mínimo], no Black Lives Matter, o apoio massivo à igualdade no casamento e, mais recentemente, à luta do povo nativo contra o oleoduto em Dakota.

Sem dúvida, a expressão mais dramática desta tendência foi o apoio a Bernie Sanders. Milhões, particularmente jovens, apoiaram o apelo de Sanders por uma revolução política contra a classe multimilionária. Afinal, a campanha do status quo de Clinton não atraiu aqueles que se opõem à elite dominante e falhou em galvanizar e mobilizar os progressistas norte-americanos em números suficientes, apesar do medo de Trump. Como demonstrou a afluência de apenas 54% às urnas, dezenas de milhões de norte-americanos simplesmente não viram motivos para escolher entre os dois candidatos presidenciais mais impopulares da história do país.

Isto levou à actual situação em que a direita controla a Casa Branca, bem como as duas câmaras do Congresso. Em 23 estados, os Republicanos controlam as esferas do governo. Isto dá à direita um enorme poder institucional. Existe também o perigo da extrema-direita galvanizada criar raízes. Mas existe, também, uma enorme força potencial na oposição a Trump, especialmente se o poder social da classe trabalhadora puder ser usado. A agenda de Trump é derrotável, mas será preciso a mais profunda luta social desde o movimento pelo Direitos Civis e anti-guerra dos anos 1960 e 1970.

As nomeações de Trump

Apesar da conversa de Trump sobre “sarar as divisões” da campanha, a sua agenda emergente e as suas nomeações para o gabinete e conselheiros na Casa Branca apontam para a administração mais reaccionária desde, pelo menos, Ronald Reagan. De entre os seus conselheiros mais próximos Steve Bannon da Breitbart News, um apologista da extrema-direita racista e nacionalista, enquanto o conselheiro para a segurança, o General Michael Kelly, um palerma que acredita que o Islão é um “cancro”.

Para Secretária da Educação, ele escolheu uma inimiga da educação pública; para Secretário do Trabalho, apontou um executivo da fast-food e inimigo do salário mínimo; para Secretário do Interior, apontou um inimigo jurado do controlo de emissões às centrais eléctricas a carvão.

[Trump] afirmou que iria “secar o pântano” de Washington de infiltrados corporativos para de seguida nomear um executivo da Goldman Sachs para Secretário do Tesouro. Para além dos monstros do pântano, recheou o seu gabinete de bilionários. O Daily Mail (16/12/2016) reportou que o rendimento combinado do seu gabinete será superior ao conjunto do terço inferior das famílias americanas. Isto de um sujeito que disse que iria representar “os homens e mulheres esquecidos” da classe trabalhadora!

A agenda de Trump torna-se mais clara

É necessários sermos claros acerca das múltiplas ameaças que uma administração Trump coloca ao povo trabalhador e às minorias.

Ele pretende cumprir a sua promessa de rapidamente deportar 3 milhões de imigrantes. Se bem sucedido, Trump fará em meses o que levou à administração Obama 8 anos a alcançar ao deportar, nesse período 2,7 milhões de pessoas. Haverá também um enfoque especial nos imigrantes muçulmanos sob o pretexto de “combater o ISIS”, com o “veto extremo” para todas as pessoas oriundas de uma lista de países “muçulmanos”.

Trump irá nomear um juiz de direita para o Supremo Tribunal que se irá comprometer a perseguir o Roe v. Wade [direito ao aborto], e talvez esteja em posição de mais uma nomeação nos próximos 4 anos. Isto depois de um ataque sistemático aos direitos reprodutivos das mulheres pelos estados do sul, dominados por Republicanos, ao longo dos últimos anos, agora o processo estende-se para o Midwest.

Sindicatos e direitos sindicais serão atacados, especialmente no sector público. A equipa de Trump vê a campanha bem sucedida de Scott Walker de esventrar os sindicatos do sector público em Winsconsin como um modelo. Mas o alvo mais imediato da administração serão os sindicatos que representam os trabalhadores federais, assim como os seus direitos e rendimentos. Eles certamente vêem este sector como um alvo fácil que não irá angariar grande simpatia. Se tiverem sucesso, isso irá permitir-lhes escalar e alargar a campanha anti-sindicatos.

Trump irá cortar protecções ambientais em nome de “trazer empregos de volta” ao sector energético e mais, no que será efectivamente uma enorme renda para as maiores empresas petrolíferas do mundo. Apesar da retórica eleitoral, a indústria do carvão colapsou devido a factores de mercado, especialmente os preços extremamente baixos do petróleo e gás natural, não por “excessiva regulação”. Trump irá procurar reverter a vitória contra o DAPL [o oleoduto no Dakota do Norte].

Trump apoiará a reversão do Obamacare, o que irá privar milhões de um seguro de saúde – especialmente se os Republicanos forem bem sucedidos em reverter a extensão do Medicaid. Podem tentar privatizar o Medicare. Devemos opor-nos a todos estes ataques ao mesmo tempo que apontamos para um sistema universal que providencie cuidados de saúde para todos.

Trump sabe que irá enfrentar uma oposição massiva, e tentará criminalizar a divergência. Isto é parte do que está por detrás do seu sombrio discurso sobre uma ofensiva da “Lei e Ordem”. Irá perseguir particularmente o movimento Black Lives Matter (BLM). O antigo presidente da câmara de Nova Iorque Rudy Giuliani, um aliado chave de Trump, descreveu o BLM como “inerentemente racista” e “anti-Americano”.

Mas, para além desta agenda reaccionária, Trump também irá avançar com medidas populistas como gastos em infra-estruturas e licenças parentais pagas. Um sector da classe trabalhadora e classes médias tem reais expectativas com base nas promessas de Trump para trazer de volta empregos de qualidade na indústria. Eles serão severamente desapontados, mas talvez não imediatamente.

Lições do passado

As apostas estão agora extremamente altas. Trump irá procurar infligir severas e desmoralizantes derrotas ao apontar a um alvo de cada vez. Todos os sectores da sociedade na mira de Trump devem, assim, unir as suas forças desde o início.

O velho slogan do movimento operário: “um ataque a um é um ataque a todos”, nunca foi tão relevante. O movimento operário tem um papel chave a desempenhar nesta situação. Apesar do seu longo recuo, os sindicatos ainda representam 16 milhões de trabalhadores e mantém força nalguns sectores industriais, especialmente no sector público e em cidades chave que serão centrais para a resistência contra Trump.

O poder social do povo trabalhador unindo-se para construir um movimento de massas deve ser contraposto ao poder institucional da direita. Os protestos de massas em volta da tomada de posse são um primeiro passo crucial. Mas temos que retirar importantes lições das anteriores batalhas contra a direita para nos prepararmos para a situação pós-20 de Janeiro.

Em 1981, o sindicato de controladores aéreos, PATCO, entrou em greve por melhores condições de trabalho. O presidente Ronald Reagan transformou este conflicto numa guerra com todo o movimento laboral ao despedir todos os membros da PATCO, apesar destes o terem apoiado nas eleições de 1980! Havia uma forte vontade no, ainda poderoso, movimento laboral de resistir. No dia do Trabalho em 1981 250.000 trabalhadores marcharam em Washington, D.C. com os trabalhadores do PATCO à cabeça. Mas a liderança sindical criminosamente recusou estender a greve e o PATCO foi esmagado, colocando o movimento decisivamente na defensiva. O que é recordado é a derrota, mas o que é igualmente importante é que Reagan podia ter sido derrotado. Uma vitória do PATCO teria mudado toda a dinâmica e encorajado o desenvolvimento de um movimento de massas para derrotar a restante agenda neoliberal de Reagan.

Em 2006, o Congresso republicano passou o projecto de lei Sensenbrenner, que ameaçou com deportações em massa todos os trabalhadores sem documentos nos EUA e criminalizou qualquer auxílio aos mesmos. Isto provocou as maiores mobilizações de massas na história dos EUA, incluindo o “Dia Sem um Imigrante” no 1º de Maio, que teve elementos de uma greve geral dos trabalhadores imigrantes latinos. Este movimento derrotou o projecto de lei e fez recuar atitutes anti-imigrante por um período. Embora muitos apoiassem a luta de milhões de imigrantes exigindo direitos de cidadania e “direitos iguais para todos os trabalhadores”, a classe trabalhadora nacional ficou, em larga medida, nas linhas laterais. Isso permitiu que eventualmente a administração Bush reprimisse barbaramente o movimento, especialmente os trabalhadores imigrantes que activamente se orientavam à sindicalização.

Em 2011, em Winsconsin, o governador Scott Walker e a legislatura dominada por republicanos avançou com cortes selvagens na educação e ataques que visavam destruir os sindicatos do sector público, ao retirar-lhes o direito à negociação colectiva em todas as questões excepto salários. Este foi o mais grave ataque frontal ao movimento laboral desde a greve do PATCO. No início de 2011, dezenas de milhares marcharam em Madison, capital do Estado, numa base semanal, com o edifício do capitólio a ser ocupado durante semanas.

Derrotar Walker requeria escalar o movimento. O Socialist Alternative defendeu uma greve geral de 24 horas do sector público como um primeiro passo nessa direcção. Houve uma resposta muito positiva a esta ideia por parte dos trabalhadores, mas a liderança nacional do AFL-CIO, como em 1981, pisou o travão. Em vez de escalar, desmobilizaram e apelaram à destituição de Walker para eleger um democrata. Esta estratégia falhou compreensivelmente e Walker ainda se encontra no poder hoje.

Como em 1981, 2006 e 2011, a direita pode ser derrotada mas apenas com uma estratégia eficaz e uma liderança absolutamente determinada.

A direita é derrotável

Há vários factores que podem ajudar o movimento contra Trump. Em primeiro lugar, a ideologia de direita está socialmente mais fraca hoje que nos anos 1980 quando o neoliberalismo tinha uma base real de apoio social, incluindo em certos sectores da classe trabalhadora e classes médias. A extrema-direita é encorajada pela vitória de Trump, mas a sua base social é ainda muito fraca.

Além disso, como assinalámos anteriormente, a classe dominante permanece, em geral, profundamente insatisfeita com a ascensão de Trump ao poder. Vêem-no como potencialmente muito prejudicial aos seus interesses domésticos e externos. É verdade que Wall Street está entusiasmada com as suas propostas de mais reduções de impostos aos super-ricos e de revogar regulamentação financeira, mas existe a possibilidade real de uma recessão global e doméstica no próximo período, lançando a administração Trump numa crise profunda.

Com ou sem recessão, sectores da classe dominante podem começar a exercer uma pressão real contra Trump, especialmente se ele se exceder provocando uma efectiva resistência de massas. Fá-lo-iam no interesse geral do sistema e, precisamente, para bloquearem um movimento desde baixo. Neste contexto, é significativo o número de presidentes de câmara democratas em grandes cidades que prometeram resistir a qualquer tentativa de banir “cidades santuário” para imigrantes, apesar das ameaças de Trump de cortar financiamento federal. O governador de Nova Iorque, Cuomo, um fiel aliado de Wall Street, chegou mesmo a declarar que ele, como neto de imigrantes, deveria ser o primeiro a ser deportado.

Mas onde estava Cuomo quando a administração Obama incrementou as deportações para níveis record? Não podemos confiar Democratas corporativos, cujas políticas anti-classe trabalhadora empurraram milhares para os braços da direita. Ao invés disso, um movimento de massas contra Trump deve centrar-se no poder social do povo trabalhador mobilizado para lutar pelos seus próprios interesses de classe independentes.

Unidade de classe contra a direita

A media liberal muito tem escrito ultimamente sobre a “classe trabalhadora branca”, quer difamando-a como uma massa reaccionária em sintonia com Trump, quer tentando “perceber” as suas preocupações. Temos consistentemente rejeitado a narrativa de que o apoio a Trump é simplesmente motivado pelo racismo e sexismo, embora esse seja um factor real para um sector dos seus apoiantes. Temos realçado repetidamente que Trump, através de um apelo de direita, populista e nacionalista, explorou a raiva contra os efeitos do neoliberalismo e da globalização, especialmente a perda massiva de postos de trabalho na indústria. Isto foi, em parte, o resultado de acordos comerciais como o NAFTA. De acordo com o Instituto de Política Económica, 5 milhões de postos de trabalho industriais foram destruídos nos EUA entre 2000 e 2014.

Mas tão pouco estamos cegos ao facto de que o racismo, xenofobia e misoginia abertas de Trump atraíram um sector dos seus apoiantes. Esta não é a primeira vez na história que os falhanços acumulados das lideranças da esquerda e do movimento laboral abriram as portas a perigosas ideias de direita. Esta situação pode ser revertida com um movimento de massas determinado que fale directamente dos interesses comuns de todos os sectores da classe trabalhadora e opondo-se firmemente ao racismo e ao sexismo.

A verdade é que a cúpula do Partido Democrata perdeu a capacidade de sequer pretender falar pelos interesses do povo trabalhador, seja ele branco, negro ou latino. O que é notável nestas eleições não foi apenas o limitado, e frequentemente exagerado, giro dos trabalhadores brancos para os Republicanos, mas a falta de entusiasmo entre a juventude negra pelos Democratas e, incrivelmente, os quase 30% de votos em Trump entre os latinos.

Enquanto alguns tentarão desvalorizar os apoiantes de Trump como uma massa reaccionária, é evidente que se formos sérios em construir um movimento para derrotar a direita, isso irá requerer a articulação de um programa que aborde as necessidades gerais do povo trabalhador e, ao lutar por esse programa, ganhar sectores da base de Trump. Pode isto ser feito? Os números das sondagens de Sanders contra Trump, significativamente mais elevados que os Clinton, bem como a enorme resposta que ele recebeu pelo seu programa pró-classe trabalhadora mostra que sim.

Outro sector da base de Trump não será alcansável. Mas é possível isolar e derrotar as forças organizadas da extrema-direita, incluindo a “alt-right” [“Direita Alternativa”] que, apesar de encorajada, mantém-se de momento pequena e, em geral, ineficaz.

Enormes desafios pela frente

A enorme determinação em resistir, já demonstrada por centenas de milhares de jovens, mulheres, pessoas de cor e LGBTQ, aponta para o potencial de construir o maior movimento de massas da história americana, infligindo um golpe decisivo à direita.

No entanto, para vencer, precisamos de entender claramente as tarefas que nos são colocadas e quem são os nossos amigos e inimigos. Precisamos de uma estratégia clara, baseada no poder social dos trabalhadores. Alguns poderão desesperar, dada a liderança conservadora dos actuais sindicatos, mas também existem claros sinais de vida: a greve de Verizon no início do ano foi a maior greve em quase 20 anos.

Afinal de contas, a ascendência de Trump é um reflexo da profunda e crescente crise do sistema capitalista, cujas instituições foram descredibilizadas no último período, em particular, no último ciclo eleitoral. O próprio Trump, embora desagradável para muitos na elite, é na verdade a personificação perfeita da natureza completamente corrupta e predatória desta ordem social.

A elite governante está dividida, insegura em como reagir. O colapso económico de 2008 e 2009 levou à destruição de milhões de postos de trabalho e despejos hipotecários enquanto os ricos ficavam mais ricos, juntamente com a iminente catástrofe climática e a exposição da gritante injustiça racial, fez com que milhões de pessoas questionem seriamente o sistema.

A presidência de Trump aprofundará a radicalização de sectores da sociedade. Sondagem atrás de sondagem indica o crescente apoio ao socialismo, especialmente entre a juventude. O Socialist Alternative está a trabalhar na perspectiva de fundar um novo partido socialista, baseado em políticas marxistas. O movimento que estamos a construir irá precisar de uma força claramente anti-capitalista e socialista no seu seio que defenda uma luta centrada na classe trabalhadora contra Trump e todo o sistema, que expirou totalmente o seu prazo de utilidade. Se concordas, junta-te!

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