As mulheres erguem-se por todo o mundo

As mulheres erguem-se por todo o mundo

Por Aprille Scully, Socialist Party, Irlanda — Tradução de Mariana Mourinho

A desigualdade sob o sistema capitalista tem acelerado nos últimos anos. 1% da população possui mais riqueza do que o resto dos 99%. O neoliberalismo significa privatização e subfinanciamento dos serviços públicos, que afecta particularmente as mulheres nas áreas da saúde e educação, licença de maternidade e baixos salários. É neste contexto que, por todo o mundo, estamos a ver uma nova geração de mulheres e pessoas LGBT a desafiar a opressão e a desigualdade através de movimentos e acções radicais.

Islândia: greve das mulheres contra a diferença salarial

Na Islândia, para protestar contra a diferença salarial baseada no género, milhares de mulheres saíram duas horas e 22 minutos (30% do dia) mais cedo do seu local de trabalho de forma a explicar que, se fossem homens, teriam já trabalhado horas suficientes para receber o seu salário. Juntaram-se em praças públicas para exigir o fim do sexismo, imitando o mesmo acto realizado em 1974, boicote que teve a participação incrível de 90% das mulheres na Islândia.

Movimento explosivo na Polónia

Na Polónia, a ala extrema-direita do governo, na tentativa de aplicar uma abolição total contra o aborto, provocou a criação de movimentos de base de oposição. Este novo e inspirador movimento foi repleto de uma raiva tão intensa que apelou, não só a um simples protesto, mas a uma greve de mulheres! A 3 de Outubro, mais de 10 000 mulheres manifestaram-se por todo o país.
A reivindicação era clara: qualquer movimento que oprima as mulheres, que sirva para recuar nos nossos direitos, não pode ser alvo de negociação ou compromisso, deve ser combatido da forma mais completa e pelo método mais poderoso que conhecemos — retirando o nosso trabalho. Esta situação orientou os conservadores de volta aos seus planos. Os protestos ligaram-se também a amplas camadas da classe operária que viram a verdade num movimento genuíno, com mais pessoas na Polónia a identificarem-se pró-escolha do que antes dos protestos acontecerem.

Desafiar o femicídio

Também na América Latina, um movimento explosivo de mulheres fez recuar o estado. Milhares de mulheres são mortas por homens, todos os anos, na América Latina, em atos de vingança e ódio, normalmente por ex-companheiros ou homens da sua família. No Brasil, 15 mulheres são mortas por dia por homens. Esta misoginia é perpetuada pelo estado, pela polícia e pelo sistema judicial — muito poucos assassinos aparecem em tribunal e, normalmente, ficam sujeitos a penas leves.
Em 2015, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, gabava-se numa entrevista de rádio sobre como as mulheres “lá no fundo” até gostavam de levar com comentários impróprios na rua. “Eu não acredito naquelas que dizem que não gostam” dizia ele. Um ano depois, uma adolescente foi violada por 33 homens no Rio de Janeiro, Brasil. O depoimento da rapariga foi rejeitado e ridicularizado pela polícia, ao mesmo tempo o abuso foi filmado e colocado nas redes sociais. Em resposta, enormes mobilizações de mulheres ocorreram, com mais de 200,000 pessoas na Argentina a tomarem as ruas contra o machismo.
O enorme movimento levou 15 países na América Latina a tornar as sentenças mais pesadas para crimes de femicídio. Mas o sucedido é também um apelo para um avanço na vida das mulheres na América Latina – como direitos no aborto, salário igual, contracepção e o fim do tráfico.

Solidariedade internacional

O movimento de revogação na Irlanda é parte deste processo. Um dia de solidariedade internacional tem sido reivindicado pelas redes sociais para 25 de Novembro, por mulheres activistas na América Latina e na Polónia segundo o slogan “a solidariedade é a nossa arma”, que consequentemente construirá um importante avanço.

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