Líderes do Partido Democrático do Povo detidos

Posted on 10 de Novembro de 2016 por

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Um apelo urgente à libertação imediata

Alternativa Socialista – CIT na Turquia. 04/11/2016

Durante a noite do 3 de Novembro, as casas de vários líderes e membros do HDP (Partido Democrático do Povo), partido de esquerda e pró-curdo, foram alvo de rusgas pela polícia turca. Os dois co-presidentes, Selahattin Demirtas e Figen Yuksekdag, foram detidos e permanecem em custódia juntamente com, pelo menos, 9 membros parlamentares.

As sedes do partido, em Ankara, foram alvo de violentas rusgas. Estas rusgas ocorreram a meio da noite e foram acompanhadas por um bloqueio das redes sociais – óbvias tentativas de bloquear a propagação das reações às rusgas.

Isto acompanha a detenção, ocorrida no passado domingo, dos dois co-presidentes da câmara da cidade curda de Diyarbakir. No decorrer dos últimos dois meses, vários presidentes de câmara foram suspensos pelo governo, arbitrariamente, e foram substituídos por administradores políticos às ordens do governo central do AKP. Tudo isto ocorre sob a alçada do bode expiatório que é a guerra contra o “terrorismo”, uma farsa usada para silenciar qualquer oposição ao governo.

No entanto, estas novas detenções, dirigidas aos membros mais influentes do HDP e do movimento curdo, tomam proporções inéditas. São um marco para a nova etapa da repressão na Turquia, contra tudo e todos que desafiam o AKP e o Erdogan, fortalecendo a tomada do poder.

O HDP está na linha de fogo, sendo o único partido da oposição que não alinhou no chamado “consenso nacional”, após a tentativa de golpe de estado do dia 15 de Julho. O HDP, segundo Erdogan, é a única força política que se intromete na reunião das condições necessárias para instaurar uma ditadura presidencial.

Contra-golpe arrasador

Após o golpe falhado deste verão, organizou-se um contra-golpe arrasador, através do espezinhamento dos direitos democráticos. Todas as vozes opositoras estão a ser afectadas: vários académicos, jornalistas e activistas políticos foram detidos, milhares de funcionários públicos foram despedidos e os media mais críticos foram desactivados, arbitrariamente. Na última segunda-feira, os membros editoriais e funcionários do jornal “Cumhuriyet” (importante jornal da oposição) foram detidos.

Entretanto, o processo de guerra contra os curdos escalou, para aumentar o prestígio e defender as ambições de Erdogan. Isto aumenta a insegurança e o risco de vida da população da Turquia e do Curdistão.

O Sosyalist Alternatif e todo o CIT condenam estas detenções e exigem a libertação imediata de todos os representantes do HDP. Apoiamos os movimentos de base e protestos, não caímos na armadilha provocadora, montada pelo Estado, de responder através de acções violentas individuais. Esta manhã explodiu um carro, matando 8 pessoas, na zona de Diyarbakir, possivelmente em resposta às detenções. Este tipo de acções contra-producentes apenas facilitarão a tarefa do Governo, legitimando o aumento da repressão. Estes actos apenas prejudicam a construção de um movimento de massas, unido e eficaz, contra o governo de Erdogan.

É necessário, mais do que nunca, unir a classe trabalhadora em solidariedade contra a repressão, o terror e a guerra. Os trabalhadores e os estudantes, juntamente com o resto da esquerda, dos dois lados da divisão étnica, precisam de se unir para organizar uma resposta urgente à investida do governo turco.

  • Libertação imediata todos os membros e deputados do HDP.
  • Reestabelecimento dos mandatos municipais do HDP.
  • Fim do estado de emergência e de todas as perseguições contra as vozes opositoras.
  • Restauração de todos os direitos democráticos, incluindo o direito de organização e de protesto.
  • Pela liberdade de expressão, dos media e de imprensa.
  • Não às novas guerras e invasões, tragam as tropas para casa.
  • Pela união dos protestos na Turquia e internacionalmente, como ponto de partida para a construção da luta contra o governo de Erdogan.
  • Abaixo o Erdogan e o regime capitalista do AKP.

Por favor, enviem cartas de protesto ao Ministério da Justiça Turco no seguinte email: info@adalet.gov.tr, com cópias para o cwi@worldsoc.co.uk .