Controlo democrático na CGD é necessário!

Posted on 19 de Outubro de 2016 por

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João Gorizia, Socialismo Revolucionário Lisboa, publicado originalmente n’A Centelha nº 6

Depois de ser uma bóia de salvação dos desaires da banca privada portuguesa durante os últimos anos, e de ter sido durante décadas um sorvedouro de dinheiro dos trabalhadores para clientelas políticas e corporativas, os trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) serão agora chamados a pagar a factura, primeiramente, com os seus postos de trabalho.

Um dos desafios apontados à nova administração da CGD é precisamente a redução de até 3000 funcionários, podendo gastar para o efeito até 700M€ em rescisões amigáveis e reformas antecipadas. Este enorme despedimento colectivo é apenas um acelerar do que já tinha vindo a ser feito nos últimos anos, com uma diminuição do número de funcionários e agências um pouco por todo o país.

Controlo público ao serviço do privado

Não basta que a tutela da CGD seja estatal para que automaticamente esta tenha o objectivo de prestar um serviço público de qualidade. As sucessivas administrações, constituídas por reputados gestores e administradores que alternam entre o público e o privado, e os sucessivos Governos, provam o contrário. É portanto necessário que os trabalhadores da Caixa reclamem uma gestão democrática que responda, quer aos seus direitos enquanto trabalhadores, quer às necessidades de serviço público que um banco deveria ter na nossa sociedade.

Nenhum despedimento!

Os trabalhadores da CGD não são descartáveis, eles são precisos para que a Caixa consiga oferecer um serviço público adequado. Devemos, isso sim, exigir a contratação de mais trabalhadores e a reabertura dos balcões encerrados nos últimos anos, sempre que estes forem necessários às populações locais. Uma luta de base contra os despedimentos, que envolva os utentes, deve não só definir um plano de acção, mas também começar a discutir em que moldes o banco deverá ser gerido.

Por uma banca pública e democrática

Para que a banca seja um serviço público, a CGD enquanto único banco estatal não é suficiente. Enquanto existir banca privada, virada para a acumulação com base na especulação, esta constitui um risco sistémico que não podemos aceitar. Não basta nacionalizar os prejuízos, já pagámos a banca, agora temos de a controlar!