A Europa no seguimento do choque pós-Brexit

Posted on 5 de Agosto de 2016 por

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O Brexit marcou o pano de fundo da discussão sobre a Europa, na Escola do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT). No evento de discussão e debate que durou uma semana, entre os dias 17-23 Julho, organizado na Bélgica, participaram 320 camaradas, de 32 países (da Europa, Ásia, África e América).

Peter Taaffe, Secretário-geral do Socialist Party e membro do CIT, inaugurou o plenário introdutório da discussão sobre a Europa. Esta é uma versão editada, por Kevin Parslow, e traduzida pelo Socialismo Revolucionário – Socialist Party (CIT Inglaterra e País de Gales), do discurso do Peter e da discussão que se seguiu.

Socialistworld.net

 

Este ano a Escola do CIT reuniu-se no seguimento do voto do Reino Unido pelo Brexit, no referendo do dia 23 de Junho. Este referendo chocou, sem dúvida, a classe capitalista britânica e mundial. Dirigida por Peter Taaffe, do Secretariado Internacional (SI) do CIT, a Escola discutiu os desenvolvimentos e os seus efeitos na Europa, na primeira sessão de discussão.

O terrível atentado em Nice, que resultou na morte de inúmeras pessoas atropeladas por um camião conduzido propositadamente contra a multidão e a tentativa de golpe de estado na Turquia, ocorreram recentemente antes da realização da Escola. Coskcu da Turquia, disse que a tentativa do golpe significaria que mais medidas antidemocráticas seriam impostas às massas. O CIT opôs-se ao golpe, mas claro que não há qualquer confiança que o Presidente Erdogan defenda os direitos democráticos e da classe trabalhadora. Aliás, é o oposto, visto que Erdogan usou o golpe falhado como pretexto para deter milhares e brutalmente reprimir direitos democráticos.

Todo o mundo capitalista encontra-se em crise, sem um verdadeiro recobro da crise de 2007-08 e com a classe trabalhadora que sofre severos cortes no seu rendimento. Isto explica a recorrente revolta mundial das massas, o que tem alimentado movimentos populistas.

A Europa e em particular o Reino Unido, assim como os Estados-Unidos com o movimento de Sanders, estão na frente dos desenvolvimentos. Devido ao peso do capitalismo britânico, o Brexit foi a pedra no charco. A repercussão será imediata, mas os seus efeitos serão sentidos durante meses e anos.

Para ter noção do potencial desta crise é necessário ter em conta que o Reino Unido é a segunda maior economia da Europa e a quinta maior do Mundo. Em termos de comparação, a sua economia é quinze vezes maior do que a grega, que foi confrontada com a possível expulção da zona euro e da UE em 2015.

As consequências do referendo foram expressas pela capa da revista “Economist”, intitulada “Anarchy in the UK” (Anarquia no RU), fazendo referência ao 40º aniversário ao fenómeno punk-rock. O descontentamento crescente reflete-se na forma como a globalização capitalista acumulou a indignação generalizada, indignação essa que é usada para infligir danos na elite.

Paira agora uma melancholia entre os capitalistas da Europa e os seus representantes políticos. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que é pressionado pelo partido populista de direita anti-imigração, o Partido pela Liberdade (PPL) que encontra-se na liderança das sondagens, disse abruptamente: “A Inglaterra colapsou politicamente, monetariamente, constitucionalmente e democraticamente.”

 

Voto pela Independência

O Brexit colocou um novo referendo sobre a independência da Escócia na agenda. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, avisou sobre o perigo das consequências a nível nacional, nomeadamente na Catalunha e no País Basco. O Sinn Féin apelou imediatamente a uma votação sobre a fronteira da Irlanda, que pode causar um aumento no sectarismo. Kevin Henry, da Irlanda do Norte disse que os líderes do Sinn Féin afirmaram que a Irlanda do Norte foi forçada a sair da UE pelos “Little Englanders” [nome jocoso dado às pessoas que defendem um isolacionismo britânico associado a proteccionismo].

O referendo no Reino Unido foi visto como uma forma de salvar a pele do primeiro-ministro, David Cameron, e de amenizar as picardias dentro do partido Conservador ao ceder nas exigências à ala mais à direita do partido. Algo que teve o efeito contrário, como previmos. Isto é provavelmente o maior revés na posição mundial do imperialismo britânico desde 1945, certamente desde a aventura do Suez em 1956.

Os líderes de ambos os lados do referendo caíram que nem tordos! Cameron foi relegado à história, Boris Johnson, que liderou a campanha pela Saída e era expectável que herdasse a coroa [de Cameron], foi atraiçoado pelo seu camarada de partido, ministro do Governo e apoiante proeminente da Saída, Michael Gove, depois foi nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros enquanto Gove foi demitido do Governo! Nigel Farage demitiu-se igualmente de líder do Partido pela Indepedência do Reino Unido (UKIP na sigla inglesa). As guerras internas no Partido Conservador atingiu proporções de “Grand Canyon”. A nova Primeira-Ministra Theresa May tentará emendar as fissuras, mas será difícil consegui-lo enquanto decorrerem as negociações para o Brexit.

O Socialist Party avisou que a extrema-direita tentaria utilizar o nacionalismo e imigração mas que o voto pela Saída seria, na sua essência, um voto de classe contra a elite. Temos de lutar contra o racismo onde quer que apareça e seja qual for a sua manifestação. Os jovens votaram, na sua grande maioria, pela permanência basicamente por razões internacionalistas: liberdade para viajar, estudar e trabalhar onde quiserem, e por um rejeição do nacionalismo.

Aqueles que dão a entender que este voto representa uma dramática viragem à direita falham em compreender a correlação de forças de classe actual. Alguns dos nossos críticos à esquerda acusaram o CIT inclusive de “ultra-esquerdismo” mas foram eles que exageram desmedidamente a possibilidade da reacção, nesta fase. Basta olhar para o que aconteceu no rescaldo desta derrota para sectores decisivos da classe capitalista. O ex-Ministro das Finanças Osborne recuou nas suas anteriores políticas de austeridade, May mencionou uma diminuição dos ataques contra a classe trabalhadora, and Gove pronunciou-se contra a “desigualdade em demasia”!

A demissão de Cameron poderia ter precipitado uma eleição geral e a possibilidade de Jeremy Corbyn e os trabalhistas subirem ao poder. Nessas condições passaria a existir uma pressão colossal para a mudança e uma dinâmica completamente nova.

Esta possibilidade confirma-se através da campanha feroz contra Corbyn na imprensa capitalista. Uma campanha de difamação sem precedentes está a ser conduzida contra ele e a maioria do grupo parlamentar do Partido Trabalhista exige a sua resignação. Tony Blair pensa que Corbyn é “perigoso”, apesar dele próprio estar completamente desacreditado pelo inquérito Chilcott à guerra do Iraque.

 

Pequena onda de greves

Em vez da desmotivação, a confiança tem estado a crescer, com uma pequena onda de greves, exemplificada pelos médicos internos, professores, ferroviários e outros. Conferências sindicais têm também tomado decisões radicais, tais como o Sindicato dos Transportes Ferroviários e Marítimos (RMT na sigla inglesa), reafirmando o seu apoio à Coligação Socialista e Sindical. O sindicato GMB declarou o seu apoio a um orçamento social a nível local, à semelhança da épica luta de Liverpool [contra Tatcher e as suas medidas neoliberais]. Este é um argumento crucial contra os vereadores que impõem cortes e exigem a substituição de Corbyn.

Quem quer que ganhe a eleição para a liderança do Labour, o resultado provável será a existência de dois partidos, sendo um deles resultado da purga da ala direita e que assim combaterá a austeridade. É preferível ter um partido de massas com um número inferior de deputados do que o compromisso actual, que pode provocar uma perda de apoio a Corbyn. No entanto, é mais que expectável que ele ganhe a eleição à liderança.

O referendo teve reprecussões por toda a Europa. Lucy Redler da Alemanha salientou que não tem havido uma semana sem crise na UE. Esta tem sido uma “primavera e verão do descontentamento na UE”: a UE proibiu a Irlanda de abolir a odiada Taxa da Água, foi proposto um aumento da militarização da união e surgiu ainda mais oposição à ‘irreformável’ UE . Tanja da Bélgica disse que o “establishment” da UE estava a tentar prevenir um contágio.

Danny do SI disse que a questão da UE dividiu a esquerda na Europa e tornou-se num microcosmo da diferença entre uma aproximação reformista e revolucionária, algo que começou a abriu divisões nas organizações de esquerda.

Na realidade, continuou Peter, há um sentimento eurocético na maior parte dos países. Cerca de 53% dos franceses querem um referendo sobre a permanência na UE; há resultados semelhantes nos Países Baixos, apesar de não haver ainda uma maioria em nenhum dos países que queira sair da UE.

 

Eurocetisismo

Após a austeridade imposta pela UE, a Grécia é o país mais eurocético, 92% dos gregos acreditam que a UE geriu mal a crise. Não foi há muito tempo que a Grécia era um dos países mas pró-europeus, mas isso foi antes da UE a colocar na mira da austeridade. Isto levou ao colapso de 17% do apoio ao Syriza, mas os trabalhadores encontram-se ainda, na sua maioria, desmoralizados. Estas condições representam uma oportunidade para o partido de extrema direita, o Aurora Dourada, o terceiro partido nas sondagens.

Andros do Xekinima, disse que para a classe trabalhadora grega, o desenvolvimento mais importante foi o Brexit. Depois da austeridade imposta, a moral baixou muito, mas continuamos a preparar a luta para reconquistar os rendimentos perdidos.

A situação económica da Europa é terrível. O Banco de Pagamentos Internacionais, no seu relatório anual, afirmou que o Mundo enfrenta uma tríade de condições arriscadas: baixo crescimento na produção; níveis de défices historicamente elevados porque a dívida substitui o aumento dos rendimentos, politicamente e socialmente; a margem de manobra política encontra-se incrivelmente baixa. Isto é economês para dizer que os salários e os rendimentos baixam por causa dos mercados.

Os comentadores capitalistas temem um efeito dominó pela Europa fora. A Itália poderá ser o próximo país a seguir os passos do Reino Unido. Isto acabaria com a União Europeia; já existem conversas sobre uma Europa a dois níveis. Existe uma estagnação económica considerável na Itália, sendo que uma larga porção da população não vê os seus níveis de vida a aumentar há já muito tempo.

Existe uma crise específica no sistema bancário italiano, incluindo no banco mais antigo do Mundo. No entanto a União Europeia tem impedido que o primeiro-ministro italiano, Renzi, recapitalize os bancos, opondo-se à intervenção estatal. Isto é neoliberalismo clássico e impõe futuros desastres para a classe trabalhadora. A Itália poderá ser precursora de desenvolvimentos noutros locais.

Um sintoma desta crise é o crescimento do “Movimento 5 Estrelas”, nomeadamente na vitória na câmara municipal de Roma e Turim e o movimento é líder nas sondagens mais recentes. Renzi propôs um referendo constitucional para Setembro e pode muito bem sair derrotado. O mesmo disse que se perder demite-se. Podem ocorrer explosões sociais na Itália.

 

Perigo da Direita populista

Na Alemanha, com a subida da Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha – AfD), agora a 11%, e do Die Linke (partido A Esquerda), ainda com 9% nas sondagens, existe agora efectivamente um sistema de 5 partidos. O FDP de direita, fora do Bundestag actualmente, também está a subir. O Brexit terá importantes efeitos económicos na Alemanha. Esta depende de exportações para o Reino Unido, Espanha e Itália.

A Áustria entrou numa séria crise política com as eleições presidenciais, ganhas à justa pelo candidato do partido Verde, sobre o candidato de direita do Freedom Party (Partido da Liberdade), tendo de ser repetida por motivos técnicos.

Tanto a Áustria como a Alemanha evidenciam claramente a grande crise geral dos partidos social-democratas na Europa e no mundo, que perderam imenso apoio nos últimos anos. Uma nova organização, talvez a percursora de um partido de esquerda, formar-se-á durante a próxima década na Áustria. Na Alemanha, o Die Linke mostra os desafios de estabelecer um novo partido neste período, em que apesar da desigualdade massiva, grandes lutas de massas ainda estão por eclodir.

Combater a extrema-direita é a questão-chave e os novos partidos de esquerda podem preencher o vácuo deixado pelos antigos partidos de trabalhadores. Por isso, a luta por novos partidos de massas independentes é bastante importante.

A França viu a Nuit Debout, uma grande onda de greves e protestos, envolvendo a CGT e outras federações sindicais, bem como ataques terroristas. Os trabalhadores em França resistiram até agora aos piores aspectos do neoliberalismo mas o Presidente Hollande  e o Primeiro-Ministro Valls estão determinados em impôr ‘reformas’ contra a classe trabalhadora. Usaram medidas Bonapartistas, como decretos sobre a Assembleia Nacional, para evitar a derrota. O presidente Hollande e o Ministro da Economia Macron estão a mínimos históricos nas sondagens.

Leila, de França, disse que um jornalista de direita afirmou que “A França enfrenta hoje dois perigos: o Daesh e a CGT.” Mas a CGT devia ter convocado uma greve geral. Haverá provavelmente um período de grandes greves, apesar da situação muito complicada que se seguiu aos ataques terroristas.

Tendo em conta as sondagens actuais, Hollande será derrotado à primeira volta das eleições presidenciais no próximo ano, se concorrer. O candidato de esquerda, Mélenchon, está à sua frente nas sondagens. Marine Le Pen da Frente Nacional de extrema-direita estará provavelmente na ronda final de votação. A esquerda terá um dilema se ela estiver a concorrer com um candidato de direita na segunda volta. Os nossos slogans serão importantes nessa situação.

Em Espanha houve duas eleições gerais nos últimos sete meses e os partidos de esquerda, com a lista conjunta Unidos Podemos nas eleições de Junho, perderam um milhão de votos entre os dois actos eleitorais. Viki de Espanha disse que este foi desapontante para a classe trabalhadora e a juventude. Uma ‘Grande Coligação’ do Partido Popular de direita e do ex-socialista PSOE é a formação de governo mais provável, mas este será instável e levará a um novo período de lutas.

Em Portugal, a decisão do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista de apoiar o governo do Partido Socialista no parlamento foi correcta e destronou um legado de influência sectária precedente. Mas em vez de concordar em fazer um acordo a longo-prazo, a Esquerda devia decidir sobre o apoio a cada parte de legislação, caso a caso, dependendo dos interesses da classe trabalhadora.

Na Irlanda, os lugares ganhos no Dáil (Parlamento) pela Aliança Anti-Austeridade e pelo People Before Profit (Pessoas antes do Lucro) reflectem o sucesso da companha anti-taxas da água. Greves estão a desenvolver-se, como se viu na recente disputa dos trabalhadores dos carros eléctricos de Dublin.

A Bélgica também assiste ao começo de uma nova onda de greves. Els, da Bélgica, fez notar que na manhã do resultado do referendo no Reino Unido, trabalhadores belgas estiveram em greve. Os piquetes viram o Brexit como uma vitória, enquanto os seus oficiais acharam que era um engano! Não falta combatividade entre os trabalhadores na Bélgica e o governo pode vir a cair devido a estas lutas.

 

Europa de Leste

Na Europa de Leste, o longo sono de inverno pós-estalinista da classe trabalhadora está provavelmente a chegar ao fim. Revoltas de massa na Macedónia e grandes protestos na Roménia tiveram lugar, quase não noticiados pela imprensa capitalista ocidental. Alex da Roménia comentou que a Roménia tem os maiores níveis de pobreza e desigualdade de rendimentos da UE e que mais pessoas começam a desafiar o sistema. O Ministro da Educação teve de se demitir após protestos contra os seus comentários de que ‘educação gratuita’ era uma relíquia do comunismo!

A Polónia é sintomática quanto aos desenvolvimentos na Europa de Leste. Os governos na região abraçaram o neoliberalismo, mas a actual política do governo nacionalista de direita na Polónia, tal como na Hungria, tomou um rumo contra o mercado, na direcção do ‘capitalismo de estado’. Isto é uma indicação de uma rejeição parcial dos efeitos do mercado e da necessidade de um capitalismo mais ‘regulado’, incluindo nacionalizações. Isto levanta a questão da economia planificada e de uma alternativa socialista.

A tensão crescente com a Rússia, não só sobre a Ucrância, mas também relativamente à extensão da influência da NATO aos estados do Báltico, é uma nuvem negra no horizonte da Europa de Leste.

O camarada Peter concluiu, notando que fazemos face a um novo período de perturbações na Europa, em que haverá elementos de revolução, incluindo revoltas da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, assistiremos ao punho da reacção e ao beco sem saída do terrorismo.

A polarização que se está a desenvolver, não irá necessariamente desenvolver-se ao longo de linha de classe claras. Mas isto está a provocar discussão e debate e a forçar trabalhadores e jovens a pensar nos assuntos. O CIT irá energeticamente encontrar novos lutadores e ganhá-los para a nossa bandeira, o que não pode ser conseguido através de propaganda abstracta mas tomando parte em todas as lutas e ressalvando a ideia de mudança socialista. Entrámos numa nova fase em toda a Europa e devemos aproveitar cada oportunidade para fundar as bases para partidos de massas e para a construção do CIT.

 

Programa e estratégia

Uma excelente discussão foi conluída pela Hannah do SI (Secretariado Internacional), que mencionou vários efeitos do referendo, que podem incluir uma queda da economia do Reino Unido e do consumo. Mas qualquer desvalorização da libra esterlina não terá os mesmos efeitos que a saída do RU do ERM (Mecanismo Europeu de Câmbio) em 1992. Isto é devido ao contínuo enfraquecimento da indústria britânica. Para além disso, a crise dos refugiados podia levar às fractura e possível quebra da zona Schengen. Na Escócia, a ameaça de um novo referendo pela independência é mais uma moeda de troca do que um ameaça iminente, mas a reivindicação desse referendo pode tornar-se imparável.

O prejuízo dos partidos capitalistas tradicionais na Europa é claro, mas na ausência de organizações de esquerda combativas, vemos a subida do populismo de direita. Não podemos ver a luta contra a extrema-direita como estando separada da luta dos trabalhadores contra a austeridade. O movimento dos trabalhadores em França gerou divisões e crise na FN de extrema-direita, tal como o Governo do Syriza conseguiu algum apoio entre os eleitores do Aurora Dourada, antes da sua traição à classe trabalhadora. O programa e a tática são muito importantes. Em França, há um sentimento de ‘greve até ganhar’, que tem os seus aspetos positivos, mas os trabalhadores não podem ganhar sem desafiar o poder politicamente também. O programa de Corbyn é muito mais fraco que o do Bennites nos anos 1970 e 1980, que apelavam a nacionalizações, mas não devemos subestimar a pressão vinda de baixo que pode empurrar partidos de esquerda mais longe do que estes querem ir. O medo de eleições gerais repentinas forçou os capitalistas a mexerem-se mas Corbyn não cedeu apesar da pressão. O tempo agora é o de uma estratégia de ação.

Ainda há um nível confuso de consciência e compreensão entre os trabalhadores europeus mas nas novas lutas podemos vislumbrar o desenvolvimento mais largo de uma consciência socialista. Isso porá a tranformação socialista da sociedade na ordem do dia.