Congo: Dia de protesto a 26 de Maio

Posted on 5 de Julho de 2016 por

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Novos massacres na região rica em minerais

Per-Åke Westerlund, Jose Nsimba-Lobela e Congo Moko, Offensiv, jornal semanal do Rättvisepartiet Socialisterna (CIT na Suécia), 28/05/2016

Enquanto o presidente Joseph Kabila continua a manobrar o seu aparato político para prolongar o seu mandato na República Democrática do Congo (RDC), surgem novas explosões políticas e sociais.

O primeiro dia de protesto contra o presidente desde há muito tempo foi marcado para quinta-feira 26 de Maio, por congoleses no exílio. As manifestações acabaram por ser proibidas em todas as cidades, excepto Kinshasa, a capital. Milhares participaram na marcha. Foram recebidos pela polícia com gás lacrimogéneo e repressão física. Segundo grupos de direitos humanos, 59 manifestantes foram detidos.

Em Goma, capital de Nord-Kivu, no leste, manifestantes desafiaram a proibição e entraram em confronto com a polícia. Um manifestante e um polícia foram mortos. Relatos de outras cidades ainda continuam a ser circulados. Presumivelmente novos dias de protestos serão definidos no futuro próximo.

Há também informações de novos massacres no leste do Congo. Cinquenta civis foram mortos recentemente num novo massacre na região de Beni em Nord-Kivu. Até 1.000 pessoas foram mortas nos últimos 18 meses. Responsabilidade atribuída ao ADF uma força islamista ugandesa com ligações ao Al-Shabaab na Somália.

Estudos recentes, mostraram que, no entanto, o ADF não agiu sozinho. Grupos locais de direitos humanos advertem que os massacres ocorreram com o apoio do exército congolês.

Um notório líder religioso dissidente em Beni, Vincent Machozi, que foi assassinado em Março, há muito tempo que acusava o regime de Kinshasa de apoiar a expulsão da população que habita a região, onde existem grandes jazidas de coltan, um mineral crucial para a produção de muitas novas tecnologias, como telemóveis.

A guerra e conflito armado no Congo tendem a ser sobre a riqueza mineral, com países vizinhos como o Ruanda a envolverem-se nos conflitos.

Na República Democrática do Congo como um todo, a atenção está focada inteiramente na eleição presidencial. Já no ano passado grandes manifestações e protestos ocorreram quando se tornou claro que Kabila estava a tentar obter um terceiro mandato, algo que a Constituição não permite. Estudantes e jovens trabalhadores que comunicam por redes sociais participaram nos protestos e tiveram contacto com grupos semelhantes no Senegal e no Burkina Faso. O regime de Kabila ficou assustado, especialmente sabendo o papel que a juventude desempenhou na revolução que derrubou o presidente do Burkina Faso.

O presidente usou tropas especiais da Guarda Republicana. Os protestos foram brutalmente esmagados, e líderes políticos da oposição foram presos. Encontros de jovens foram pulverizados, activistas foram presos ou desapareceram. Uma vala comum foi descoberta nos arredores de Kinshasa.

Eleições

Uma exigência nas manifestações era que os cadernos eleitorais de 2011 tinham de ser ajustados de modo a que os eleitores jovens sejam incluídos. Agora a CENI, a autoridade eleitoral, que trabalha em estreita colaboração com Kabila, diz que o processo vai demorar 18 meses. Na prática, isso significa que as eleições presidenciais que, segundo a Constituição devem ser realizadas o mais tardar em Dezembro, serão adiadas sem nova data definida. O Tribunal Constitucional aprovou a permanência de Kabila no poder.

Segundo a maioria dos analistas, nas eleições de 2011, o regime usou a fraude eleitoral para privar o político veterano Etienne Tshisekedi do maior partido de oposição UDPS, da vitória. A situação no Congo é semelhante à situação que se deu no Burundi, onde o Presidente Nkurunziza ao estender o seu mandato uma terceira vez levou a uma revolta na qual mais de 430 pessoas foram mortas e 250.000 obrigadas a fugir.

O enviado da União Africana (UA), Edem Kodjo do Togo, apoiou até agora Kabila. Em 2011, a corrupta UA alegou que as eleições foram democráticas.

A luta no Congo é pelos direitos democráticos que estão diretamente relacionados com as actividades das empresas multinacionais e saques dos estados imperialistas dos países em aliança com o presidente. Novos movimentos de massas devem ser organizados para derrubar o presidente, os seus governadores, e o exército que sustém o seu regime. Há uma necessidade urgente de um movimento democrático e socialista que lute por um programa que inclua planos para pôr a riqueza do país nas mãos do povo, com um governo de representantes democraticamente eleitos de trabalhadores e dos desprovidos.