Construir o Bloco de Esquerda socialista pela base, tarefa central para uma alternativa ao bipartidarismo capitalista

Posted on 21 de Junho de 2016 por

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Declaração do Socialismo Revolucionário

A crise estrutural que o capitalismo mundial atravessa hoje tem o seu principal reflexo político na crise do bipartidarismo. Por todo o lado vemos o apoio popular aos chamados partidos do establishment, ou arco da governação, cair a pique ou, pelo menos, ganhar uma natureza instável. Os trabalhadores afastam-se dos representantes políticos da burguesia em crise. Portugal não é excepção. Este fenómeno reflecte-se, por um lado, nos elevados níveis de abstenção, especialmente entre a jovem geração de trabalhadores precários e, por outro lado, nas grandes mobilizações de massas que ocorreram entre 2010 e 2013, assim como nos resultados eleitorais das últimas eleições legislativas.

É para as principais organizações da esquerda que a nova geração olha primeiro em busca de uma alternativa. As vitórias eleitorais do Bloco de Esquerda (BE) em Outubro e Janeiro passados, em que o partido mais que duplicou a sua presença no Parlamento e, em seguida, conseguiu um bom resultado apoiando Marisa Matias nas presidenciais, vieram confirmar isso mesmo. Desde então, milhares de pessoas procuram no BE uma ferramenta de luta contra a crise e, em particular, contra a austeridade e a precariedade. Na sua maioria, falamos de jovens estudantes e trabalhadores precários.

O Socialismo Revolucionário e o Bloco de Esquerda

Há anos que o Socialismo Revolucionário (SR), secção portuguesa do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT), desenvolve uma campanha junto dos militantes de esquerda, dos movimentos laboral e social, por uma Frente Unida dos Trabalhadores que junte pela base as principais organizações de esquerda e restantes movimentos combativos na luta social e política.

Em todos os movimentos, campanhas e organizações em que o SR participou, fê-lo sempre de forma aberta, defendendo com frontalidade as suas propostas. A participação no Bloco de Esquerda não será excepção. Não abdicamos do nosso programa nem da nossa publicação própria. O SR permanece convicto de que é essencial, para a vitória da futura revolução, que exista um núcleo de revolucionários organizados e integrados numa Internacional.

É com esta perspectiva que os militantes do Socialismo Revolucionário integram o Bloco de Esquerda. O BE é um dos eixos centrais de uma alternativa em Portugal, em conjunto com, principalmente, o PCP e a CGTP-IN. Pensamos que formações amplas como o BE, onde militantes de várias correntes e tendências da esquerda socialista unem forças, são essenciais no processo de reorganização da classe trabalhadora enquanto sujeito revolucionário.

Construir o BE pela base — integrando estes novos militantes na luta do dia-a-dia, ligando-a à luta por uma sociedade livre de exploração e opressão: o socialismo — é uma tarefa central na construção de uma alternativa real em Portugal.

O Socialismo Revolucionário está empenhado nessa tarefa, lutará por um Bloco de Esquerda com órgãos democráticos de base, que saiba integrar os seus militantes, que fomente a discussão política e a formação desses militantes no sentido de, colectivamente, desenvolverem as ferramentas necessárias para passar à ofensiva contra a exploração capitalista e todas as opressões a ela ligadas.