Orlando: Solidariedade com todas as vítimas de LGBTfobia!

Posted on 14 de Junho de 2016 por

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Declaração do Socialismo Revolucionário, CIT em Portugal

O Socialismo Revolucionário, secção portuguesa do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores, solidariza-se com todas as vítimas de LGBTfobia, em particular, com as 50 vítimas do massacre na discoteca Pulse, em Orlando (EUA). Lamentamos ainda as milhares de vítimas de crimes de ódio, que ocorrem todos os dias contra a comunidade LGBT, desde o Brasil às Filipinas.

Por todo o Mundo, os direitos de gays, lésbicas, transgénero e queers encontram-se cada vez mais ameaçados por regimes reaccionários e retrógados. Quer seja no Uganda, na Arábia Saudita ou nos Estados Unidos, milhões de LGBT sofrem diariamente com a opressão física e verbal por parte de uma sociedade patriarcal, pilar estrutural do capitalismo. Apesar do progresso conseguido durante a segunda metade do séc.XX, fruto da luta de massas de milhares de activistas e trabalhadores LGBT, recentemente temos assistido a um reacender da LGBTfobia, a par com o machismo, a xenofobia e o racismo.

Não se consegue dissociar o ressurgir de ideais retrógados e conservadores da crise estrutural do capitalismo, iniciada em 2008. O ataque aos direitos dos trabalhadores é executado com maior eficácia sempre que a classe trabalhadora se encontra dividida. Os trabalhadores LGBT, em particular os transgénero, sofrem bastante com a precariedade no trabalho e a falta de protecção social. A fragilidade pessoal, social e laboral aparta estes trabalhadores da luta e contribui para enfraquecer todo o movimento dos trabalhadores e o movimento LGBT classista.

Por essa razão, capitalistas e políticos reaccionários promovem o discurso de ódio e de fragmentação dos trabalhadores segundo a sua orientação sexual, o seu género, a sua raça, a sua religião, etc. Infelizmente, este discurso encontra eco dentro da própria classe trabalhadora, pelo que é necessário continuar a lutar para erradicar a LGBTfobia através da acção de massas conjunta entre todos os trabalhadores, assim como uma presença activa do movimento organizado dos trabalhadores na marcha do orgulho LGBT, que se realizará no próximo dia 18 de Junho em Lisboa.

Os suspeitos do costume?

Um exemplo marcante da hipocrisia da direita conservadora norte-americana e do próprio regime no caso de Orlando, é a tentativa de arranjar como bode expiatório: os muçulmanos e o Islão. Os mesmos políticos que se posicionaram contra os direitos LGBT, que os demonizam e oprimem, aproveitam-se agora deste massacre da forma mais ignóbil possível, clamando pelos ‘valores americanos’ e contra os muçulmanos, tentando orquestrar, mais uma vez, uma divisão, segundo linhas religiosas, da classe trabalhadora.

É preciso compreender que as motivações para este massacre se encontram quer na linha política fundamentalista religiosa do Daesh, quer nas ideias e propostas defendidas pelos Republicanos nos EUA, mas, acima de tudo, na estrutura económica capitalista, representada por todo o establishment.

O que fazer?

Contrariar a fragmentação criada pelo sistema capitalista é uma tarefa basilar do movimento LGBT e do movimento dos trabalhadores – mas também do movimento antirracista e feminista. Uma campanha de massas que ligue as várias lutas contra a precariedade, contra a discriminação, por mais protecção social e apelando à solidariedade dos activistas sociais e de todos os trabalhadores é essencial para combater a LGBTfobia, o sexismo, o racismo e o capitalismo.