Comunicado do Socialismo Revolucionário – CIT: o despedimento colectivo e a violação do direito à greve dos estivadores

Posted on 24 de Maio de 2016 por

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Os estivadores continuam a sua luta pelo trabalho com direitos contra a ofensiva dos patrões. Depois dos operadores portuários anunciarem ontem um despedimento colectivo sob o pretexto inqualificável da greve ter parado a actividade portuária, hoje voltaram a demonstrar que não olham a meios para atingir os seus fins e não se coibiram de chamar a polícia, com a anuência do Estado, para que fossem colocados trabalhadores externos ao serviço sem pedido de serviços mínimos, numa tentativa sem escrúpulos de furar a greve. Este ataque sem base legal é bem demonstrativo do ponto a que chegámos. Os trabalhadores apenas exercem o seu direito constitucional à greve e os patrões querem proibi-lo! A este propósito, convém recordar que, por um lado, os estivadores fazem greve às horas extraordinárias; por outro lado que as empresas da estiva escalam trabalhadores da empresa paralela com salários miseráveis em todos os turnos para que possam alegar redução de actividade­­­­­­­­­­­ e assim avançar com o despedimento daqueles que estão abrangidos pelo contrato colectivo de trabalho. Se o porto de Lisboa está parado, a responsabilidade deve ser atribuída aos patrões! Querem mão-de-obra amestrada e dócil, querem precarizar o trabalho da estiva e querem lucrar com a miséria daqueles que exploram sem apelo nem agravo. Mas os estivadores não se rendem e já anunciaram ­­que a justeza da sua luta não cede ao medo e à chantagem.

Neste sentido, o Socialismo Revolucionário vem manifestar uma vez mais a sua solidariedade com a luta dos estivadores. Temos participado na divulgação e mobilização das várias iniciativas do sindicato dos estivadores e não ficaremos por aqui. Estamos diante de uma luta que deve unir toda a classe trabalhadora, a nível nacional e europeu. Contra a precariedade que grassa por todos os sectores laborais, a unidade é fundamental para derrotar quem enriquece com baixos salários, vínculos laborais frágeis e jornadas de trabalho extenuantes. Por esse motivo reiteramos o apelo a todas as organizações de trabalhadores para que se mobilizem no terreno em solidariedade com esta luta.  Este combate exige mobilização, nos próximos dias, para o porto de Lisboa no cais de alcântara e a presença massiva no dia 16 de Junho na manifestação contra a precariedade convocada pelo sindicato. As iniciativas parlamentares de BE e PCP com vista à alteração da lei que regula o regime jurídico do trabalho portuário só terão efeito se forem suportadas por uma mobilização na rua que junte sindicatos, partidos e outros movimentos de esquerda. Os trabalhadores necessitam de vencer esta batalha. Rompamos o isolamento a que os patrões e a sua imprensa têm confinado os estivadores. Os estivadores não caminharão sozinhos!