O que não podemos fazer: deixar os Estivadores isolados

Posted on 3 de Maio de 2016 por

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Lisboa, 01/11/2013 - Manifestação da CGTP e dos estivadores contra o orçamento de estado para 2014
 (Miguel Silva / Global Imagens)

Declaração do Socialismo Revolucionário

Desde 14 de Novembro de 2015 que os estivadores estão de novo em greve contra a precarização do trabalho nos portos, e fazem-no debaixo do mais vil ataque de toda a classe dominante.

A resistência dos estivadores e o desrespeito do patronato

Há décadas que os grandes operadores portuários tentam acabar com a estiva profissional e, principalmente, com a forte organização dos estivadores, que os impede de precarizar o trabalho de estiva.

A luta dos estivadores do porto de Lisboa tem sido exemplar no combate a esse processo, provocando o ódio do patronato, que mobiliza todos os meios ao seu dispor para difamar os trabalhadores. Essa mobilização é particularmente evidente na forma como os meios de comunicação afectos ao grande capital “relatam” a greve.

Já em 2014 os estivadores do porto de Lisboa venceram uma longa batalha contra a precariedade e assinaram um acordo colectivo que integraria todos os trabalhadores precários. Os patrões nunca o respeitaram. Tentam antes destruir a organização dos estivadores fundando empresas fictícias para reintroduzir trabalhadores precários e sem formação adequada, criando um falso sindicato e acumulando salários em atraso.

Os estivadores em greve querem apenas uma coisa: acabar com a precariedade nos portos, integrar todos os trabalhadores no seu acordo colectivo, dando-lhes condições dignas de trabalho. Fazem aquilo que todo o movimento sindical deve fazer para acabar com a precariedade laboral.

São os patrões, ao insistirem em forçar a utilização de trabalhadores precários no porto de Lisboa que provocam a greve. Os trabalhadores já declararam, por diversas vezes, estarem dispostos a trabalhar o seu turno normal de 8 horas diárias, desde que não se recorra a trabalho precário. Declaram igualmente que não estão contra os trabalhadores precários. Pelo contrário, querem que estes trabalhem nas mesma condições que eles próprios.

Se alguém é responsável pelo caos provocado no abastecimento de mercadorias, esse alguém é o patronato.

Mobilizar em solidariedade com os Estivadores!

Quando toda a esquerda e o movimento laboral lançam campanhas contra a precariedade, perguntamos: o que esperam as actuais direcções para mobilizar as suas forças ao lado dos estivadores? Uma vitória no porto de Lisboa seria o melhor pontapé-de-saída para tais campanhas.

É difícil para um sindicato forte, mas pequeno, romper sozinho o isolamento que resulta da campanha de difamação que o Capital lança sobre ele. São a esquerda e o movimento sindical como um todo que têm essa capacidade. Curtas declarações de solidariedade institucional não bastam, é preciso uma contra-campanha sistemática, lançada de todas as tribunas de que dispomos —  os deputados de esquerda no parlamento deviam servir esse propósito! Mais importante que isso, é urgente que se organize um plano de mobilizações conjuntas, que se exija do governo o fim da precariedade nos portos e a revogação da nova lei portuária introduzida pelo PSD e CDS.

O Socialismo Revolucionário está solidário com a luta dos Estivadores, e fará tudo o que estiver ao seu alcance para os apoiar. Lançamos um desafio a toda a esquerda e movimento dos trabalhadores para que se mobilizem em apoio a esta luta.