A greve na Pakistan International Airlines continua apesar da repressão estatal

Posted on 6 de Fevereiro de 2016 por

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AP-BEB - 7608A2 - Pakistan International Airlines - Airbus A310-308 (587)

Forças de segurança abrem fogo sobre os manifestantes, matando quatro trabalhadores e ferindo outros oito

Fazal Abbas Shah e Rukhsana Manzoor, Socialist Movement Pakistan, Lahore

Continua a greve total na companhia de bandeira paquistanesa Transportadora Aérea Internacional do Paquistão (PIA, na sigla inglesa) pelo terceiro dia consecutivo. Com todos os aviões a ficarem em terra, mais de 150 voos foram cancelados ontem. O Comité Comum de Acção formado por sindicatos da PIA, pela associação de hospedeiros e pela associação de pilotos, apelou à greve por tempo indeterminado contra a privatização da companhia e contra a introdução de leis que proibem a actividade sindical e os protestos de trabalhadores. O governo reagiu brutalmente e forças paramilitares em conjunto com a polícia abriram fogo contra os trabalhadores em protesto em Karachi, matando quatro e ferindo oito. As forças de segurança recorreram ainda a canhões de água e bastões para impedir os trabalhadores de aceder ao terminal principal do aeroporto.

Quatro líderes sindicais continuam desaparecidos, com a polícia a negar tê-los preso ou que estejam sob custódia. Acredita-se que tenham sido apanhados pelos serviços de segurança. O governo congelou ainda o pagamento de salários aos trabalhadores em protesto.

O governo nega acusações de ter ordenado esta repressão brutal. Alega que outros o fizeram para prejudicar o governo.

Repressão brutal

Este acto brutal e bárbaro das forças de segurança não conseguiu romper a greve e os protestos mas, pelo contrário, aumentou a solidez e abrangência da greve. O presidente da PIA demitiu-se em protesto pelo uso da força contra os trabalhadores.

O Comité Comum de Acção dos funcionários da transportadora começou o seu movimento de protesto contra a privatização em Dezembro de 2015. Este movimento de protesto forçou o governo a adiar a privatização durante seis meses. O Comité Comum de Acção propôs então ao governo gerir a companhia durante um ano e, caso tivessem prejuízo, então o governo poderia privatizar a transportadora. O Comité está confiante que é capaz de dar a volta a esta companhia deficitária e doente em apenas seis meses.

O governo, após recuar relativamente ao plano de privatização, decidiu passar à ofensiva e impôr uma lei de requisição civil, para banir as actividades sindicais e protestos durante seis meses. O governo também baniu a greve e ilegalizou-a. Esta lei possibilita ainda a gerência de topo de despedir qualquer trabalhador ou piloto que se suspeite estar envolvido em actividade sindical ou em protestos.

O governo utiliza a repressão estatal para quebrar os trabalhadores da PIA e fazer deles um exemplo aos restantes trabalhadores, de que não irá tolerar qualquer resistência contra as suas políticas económicas.

Membros do Movimento Socialista do Paquistão estão envolvidos activamente neste movimento de protesto e na greve. É urgente que os sindicatos rapidamente organizem protestos e greves solidárias por todo o Paquistão, com o intuito de enviar uma mensagem clara ao governo: todos os sindicatos e o movimento sindical estão ao lados dos seus irmãos e irmãs trabalhadoras. Esta necessidade de união e solidariedade urgente com os grevistas será um teste a todo o movimento sindical.