O partido de Le Pen lidera nas eleições regionais

Posted on 13 de Dezembro de 2015 por

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07/12/2015

Castigo ao Partido ‘Socialista’ no Governo

 

Clare Doyle, CIT

A votação massiva na Frente Nacional (FN) de extrema-direita, na primeira volta das eleições regionais em França, levou-os ao primeiro lugar em quase metade das regiões. A líder do partido, Marine Le Pen, conseguiu 40% dos votos na enorme e mais pobre região de França: Nord-Pas de Calais-Picardie.

A notícia é chocante mas não surge como inesperada. Também não parece ser particularmente devida aos efeitos provenientes das atrocidades dos ataques em Paris de 13 de Novembro. Isto deve justificar uma votação apenas um ou dois por cento superior.

O apoio à FN tem crescido sob a liderança de Marine Le Pen desde 2011. Ela levou a FN para um registo mais populista que o seu pai, Jean-Marie Le Pen, que era um defensor assumido das políticas e crimes odiosos do fascismo. Mais de 28% de votação nacional na FN nestas eleições é mais do dobro dos 13,6% nas últimas eleições parlamentares em 2012. (Devido aos caprichos dos círculos eleitorais em França, a FN ainda só tem dois representantes na Assembleia Nacional.)

A perspectiva agora, após a segunda volta do próximo domingo [hoje], é que a FN tome o controlo de pelo menos duas regiões – a precária zona industrial de Nord Pas de Calais e a rica região do Sul onde a mais extremista Marion Marechal-Le Pen encabeça a lista da FN. Apesar de a FN ser evidentemente racista, declara que não é contra imigrantes…desde que sejam franceses e respeitem as tradições francesas. Eles têm se declarado contra a União Europeia e a favor de casas e trabalho…para os franceses.

A FN tem conseguido obter ganhos contra ambos os partidos de poder: o PS no governo e o partido tradicional de direita de Sarkozy – a UMP, agora chamado Os Republicanos (LR). Apesar de um certo crescimento da popularidade pessoal do Presidente Hollande, a votação de domingo indica um colapso para o seu partido. O PS retirou as suas listas para a segunda volta nas duas regiões mais ameaçadas. Está a propor uma ‘grande coligação’ com a direita tradicional LR para tentar impedir a FN de tomar as rédeas do poder nalguma região. A mesma proposta irá surgir sem dúvida quando se tratar das eleições presidenciais em 2017, nas quais se teme que a FN obtenha outra grande votação.

O LR declarou oposição a um acordo desse tipo, temendo maior perda de apoio devido a qualquer associação ao governo da crise de Hollande e Valls. A votação nesses dois partidos poderia ter caído ainda mais, se não fosse o facto de as políticas repressivas e nacionalistas que advogaram depois das atrocidades de Paris terem deixado a FN com pouco mais que dizer sobre o assunto.

A grande votação no partido de extrema-direita é parcialmente um voto de protesto, na ausência de forças à esquerda com uma alternativa coerente aos cortes e às perdas de emprego. A abstenção entre aqueles que se dizem próximos da esquerda foi perto de 47%. O envolvimento dos ‘comunistas’ do PCF nas decisões do governo significa que o PCF não foi capaz de formar uma oposição séria em nome dos trabalhadores e dos jovens. A Marine Le Pen mostrou frequentemente apoio aos problemas dos trabalhadores, embora não necessariamente às suas lutas, tendo a FN chamado ‘hooligans’ aos trabalhadores da Air France. Por razões nacionalistas, têm defendido que indústrias como os transportes estejam nas mãos do estado. O maior perigo inerente aos desenvolvimentos presentes é que a FN consiga consolidar o seu apoio.

 

Lutas dos trabalhadores

A maior federação sindical, a CGT, ligada ao Partido ‘Comunista’ de França, foi pressionada pelas bases para não aceitar o prolongamento do estado de excepção e a proibição de manifestações após os horríveis assassinatos em Paris. (Os deputados do PCF tinham apoiado o prolongamento na Assembleia.) Os membros da CGT viram-no como uma declaração unilateral de tréguas nas lutas com o patronato e o governo que continuam os seus ataques. Os líderes da federação sentiram-se obrigados a convocar um dia nacional de acção para a última quarta-feira, 2 de dezembro, contra os despedimentos na Air France e os ataques aos direitos sindicais e às condições de trabalho.

Existe uma cólera considerável a crescer entre os trabalhadores e os jovens em vários assuntos importantes, que pode explodir a qualquer momento. Podem haver explosões de protestos nas escolas contra os sucessos da Frente Nacional ou nas fábricas contra a rrogãncia dos patrões. A votação do último domingo e o nível de abstenção entre os trabalhadores (62%) e os jovens (62%) é uma prova do falhanço dos partidos tradicionais de ‘esquerda’ e ‘direita’ em oferecer qualquer solução para os problemas quem os encoleram. A abstenção entre os que se dizem próximos da esquerda esteve à volta de 47%. Só a geração mais velha, os reformados, votaram em força – 67%.

A Frente de Esquerda, composta pelo Partido de Esquerda de Melenchon, pelo PCF, alguns ecologistas e outros parece ter colapsado. Não foi capaz de mostrar nenhuma oposição coerente às políticas do governo a nível nacional ou local. A Gauche Révolutionnaire (CIT em França) tem defendido consistentemente que a única forma de derrotar a direita e prevenir a ascensão da FN é com uma campanha massiva contra a austeridade, a perda de emprego e o racismo. A FN roubou a aparência tanto da esquerda como da direita e prosperou. O movimento dos trabalhadores tem de recuperar e reavivar o programa ‘tradicional’ de luta e socialismo em França.

Posted in: Eleiçoes, França