Greve geral contra a austeridade conta com protestos em massa

Posted on 8 de Dezembro de 2015 por

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Syriza mobiliza… contra Syriza!

Xekinima (CIT na Grécia), tradução e adaptação de João Vicente

[Nota do editor: Este artigo analisa a primeira greve geral de 24 horas que se realizou contra o governo do Syriza, a 12 de novembro.]

Na quinta-feira, 12 de novembro, a realizou-se a primeira greve geral de 24 horas em muito tempo – no entanto, desta vez a greve foi convocada contra as políticas do governo do Syriza. Desde janeiro de 2015, as diversas lideranças sindicais, e especialmente a do GSEE (Confederação dos Sindicatos do Sector Privado), tem estado muito longe do holofote. Todavia, o GSEE não hesitou em tomar uma posição sobre o referendo no verão passado [convocado pelo governo liderado pelo Syriza sobre a continuação da austeridade ou não], pedindo que tal fosse cancelado, indicando, ao mesmo tempo, que a sua posição era a favor da Grécia permanecer na zona euro. Por outras palavras, apoiou a continuação da austeridade

Lideranças sindicais

Depois do Syriza se transformar num partido pró-resgate com a introdução do novo pacote de austeridade, o GSEE, na sua “tradição”, convocou uma greve geral de 24 horas. Num artigo anterior no website do Xekinima, analisamos as responsabilidades da liderança sindical, que convoca greves apenas por convocá-las, sem planeamento, sem propostas, sem perspetivas para a escalada. Também se explicou a disposição entre os trabalhadores, após o novo memorando ter sido assinado pelo governo do Syriza, que anteriormente tinha dado esperança para a mudança política, era naturalmente baixa. Trabalhadores foram desapontados, e isso tem-se refletido nas baixas presenças para mobilizações dos vários setores. Por outro lado, destacamos que esse refluxo era de se esperar, isto não significa que o movimento de massas não se vá renovar, a luta de massas e militante contra a austeridade está cada mais selvagem com o passar dos dias.

Marchas em massa

Neste clima, é uma indicação extremamente positiva que a greve geral em 12 de Novembro foi relativamente grande. Em Atenas, cerca de 30.000 pessoas participaram nos protestos (a federação sindical PAME realizou a maior), em Salónica, mais de 6.000 participaram, o protesto em Volos foi um dos mais bem-sucedidos dos últimos anos, e assim por diante.

As marchas, apesar de terem um bom comparecimento, não foram vibrantes. Isto porque, a classe operária compreende a necessidade de mobilizar, mas por outro lado, o seu apetite torna-se contido sem um plano de como reverter as políticas de austeridade.

Syriza Vs Syriza

Houve um grande paradoxo em torno da manifestação, visto que o Syriza convidou as pessoas a participar. Por outras palavras, o partido do governo responsável politicamente por todas as políticas implementadas está a incitar as pessoas a participar em protestos contra ele! Não é a primeira vez que o Syriza tenta desesperadamente fazer com que as massas acreditassem que eles fazem parte do movimento. Dois exemplos indicativos dessas tentativas são a participação da Syriza (incluindo membros parlamentares) no protesto contra a privatização do porto de Pereaus (que o Syriza votou a favor de no parlamento), bem como pedindo protestos contra a cerca em Evros, enquanto oficialmente dizem que não pode ser derrubada. No entanto, não se pode ter tudo. O governo e Syriza já tomaram suas decisões. E, as suas decisões vão contra a classe trabalhadora, continuando o mesmo ciclo vicioso de austeridade. O que pretende o Syriza alcançar? Mostrar que ainda são ‘sensíveis sobre questões sociais’? Para não se confrontar com os seus eleitores e mostrar que de alguma forma podem implementar o memorando de uma forma melhor? Seja qual for o seu objetivo, o impacto das políticas do Syriza continuarão a revelar-se aos olhos das pessoas, independentemente de quaisquer ilusões de um “programa paralelo”. A única coisa que conseguiram até agora, é indignar a vanguarda do movimento contra a liderança do Syriza, que não só os traiu, como junta o insulto à injúria.

O Xekinima (CIT na Grécia) luta por uma rutura com a austeridade e por um programa socialista. Isso inclui a recusa de pagar a dívida; controlo sobre os fluxos de capitais; pelo monopólio estatal do comércio externo; a nacionalização dos bancos e dos sectores cruciais da economia, sob controlo e gestão democráticos dos trabalhadores; reversão da austeridade; pleno emprego, com salário que permita uma qualidade de vida decente, assim como saúde, educação e serviços públicos de qualidade e gratuitos.

Planeamento da economia para as necessidades do povo e não os lucros dos capitalistas – uma reorganização socialista da sociedade – traria o fim da crise económica, pobreza, desemprego e emigração forçada.

Para alcançar este objetivo é essencial construir uma política de classe independente por toda a Grécia, com a participação ativa da classe operária e da juventude na luta contra a Troika e por uma alternativa socialista. Apelando aos trabalhadores e jovens de toda a Europa para lutar contra a austeridade e por uma Europa socialista.

Posted in: Análise, Europa, Syriza