Horror em Paris: Não nos deixaremos intimidar!

Posted on 15 de Novembro de 2015 por

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Declaração da Gauche Révolutionnaire, CIT em França

A violência doentia abateu-se novamente sobre Paris. Mais de 120 mortos e dezenas de feridos, em lugares frequentados habitualmente por jovens e trabalhadores aos fins de semana (Estádio de França, a sala de espectáculos Bataclan e diversos restaurantes dos distritos 10 e 11 de Paris).

Os bárbaros tinham por objetivo a matança indiscriminada, cega, atingindo novamente inocentes. Foram os bairros populares de Paris, com a sua população diversificada, que sofreram essa tragédia.

Nada pode justificar esses atentados cegos que ocorreram no mesmo dia em Paris, Bagdade e Nigéria, nem os de quinta-feira feira, 12 de novembro, num mercado de Beirute no Líbano, nem os de Ancara no dia 10 de outubro, nem os da Tunísia. São nossos irmãos e irmãs, trabalhadores, jovens, desempregados, mães solteiras e aposentados que nós lamentamos hoje, independentemente das suas origens e culturas.

A cobardia em ação

Nós condenamos esses atentados e essa cobardia cega. Executar a sangue frio essas pessoas indefesas revela uma ideologia de extrema-direita, independentemente das desculpas religiosas ou qualquer outra que apresentem. Incapazes de ganhar apoio em qualquer camada da população e certamente não entre os muçulmanos, os terroristas do Estado Islâmico (que reivindicam os atentados) utilizam métodos que são exatamente os dos grupos fascistas, das ditaduras ou dos exércitos de ocupação.

O terror é uma arma política que visa impedir a união dos trabalhadores, impôr a passividade pelo medo e reforçar o racismo. Não seremos intimidados, não seremos divididos.

Unidade dos trabalhadores e dos jovens contra o racismo e a barbárie

O Estado Islâmico (EI) recorreu ao terrorismo cego que revela a verdadeira natureza dessa organização, que não passa de um bando de saqueadores e contrabandistas. O Estado Islâmico nada mais é do que o produto do caos no qual o Iraque foi mergulhado após as guerras destrutivas levadas a cabo pelos governos europeus e dos EUA. O EI reproduz os mesmos métodos dos bombardeamentos cegos que atingem hoje a Síria ou o Iraque sob o pretexto da “luta contra o terrorismo.”

Golpeando assim cegamente os bairros populares de Paris, o Estado Islâmico cumpre um papel arquirreacionário, pois serão os muçulmanos que irão pagar o preço, com uma nova onda de islamofobia, de intolerância e de racismo. Por outro lado, tudo vai ser usado como desculpa para justificar a repressão da luta dos trabalhadores e dos jovens, a começar pelo do estado de emergência decretado que permite a proibição de manifestações sindicais.

Essa não é a nossa guerra.

Os políticos, da Frente Nacional ao Partido Socialista, falam de uma união de “guerra”. Uma guerra que eles criaram e pela qual a população paga o preço hoje. Mas essa guerra não é a nossa.

Esse mesmo governo continua a apoiar o regime do presidente da Turquia, Erdogan. É esse mesmo Erdogan que ajuda o Estado Islâmico há muitos anos, ao permitir a passagem dos terroristas e seus contrabandistas pela fronteira turca, enquanto a mantém fechada para os combatentes de Kobané (cidade curda ao norte da Síria que venceu o Estado Islâmico em janeiro passado). Esse mesmo Erdogan bombardeou cidades do Curdistão turco, e mesmo assim foram os curdos que libertaram recentemente a aldeia de Sinjar no Iraque das mãos do Estado Islâmico.

Os governos europeus apoiam os regimes do Qatar e da Arábia Saudita, vendem-lhes armas, enquanto esses mesmos países apoiam o EI e participam em assassinatos de massa no Iémen.

Não à extrema direita “religiosa” ou política.

A posição do governo de Hollande, com o apoio da Frente Nacional e dos Republicanos (ex-UMP), é impedir toda a iniciativa de solidariedade de massa. A consequência do “estado de emergência” será a de impedir manifestações de fraternidade como aquelas de janeiro após os atentados contra o Charlie Hebdo. Do mesmo modo, as numerosas lutas sociais em curso, as greves contra as demissões nos hospitais de Paris ou na Air France vão certamente ser proibidas. O estado de emergência permite “proibir em casos gerais ou particulares as reuniões de natureza que possam ser provocativas ou causar desordem social” e “permite que as autoridades levem a cabo todas as medidas para garantir o controlo da imprensa e das publicações de todos os tipos”. Nós não devemos aceitar que os nossos direitos e as nossas lutas sejam assim limitados, pois somente os capitalistas (patrões de grandes empresas, acionistas) e os políticos a seu serviço beneficiariam, sem que isso incomode os grupos terroristas.

É indispensável que as organizações do movimento dos trabalhadores, sindicatos, partidos e movimentos sociais se unam e afirmem a sua oposição às guerras pelo petróleo e o lucro, às políticas assassinas engendradas pelo capitalismo.

A miséria social na qual sectores inteiros da população foram lançados não faz nada mais do que levar ao desespero e à confusão que beneficiam os reaccionários e aqueles que nos querem dividir. As políticas que são levadas a cabo no Médio Oriente e em África aumentam o caos ainda mais. As consequências serão terríveis, pois são os trabalhadores que pagam o preço enquanto os políticos se servem da situação para justificar ainda mais as suas guerras. Nesses países, os grupos terroristas, cuja única motivação é o contrabando e a pilhagem, beneficiam do desespero e servem-se dele para enviar os homens-bomba, enquanto os seus chefes vivem em palácios. Mais guerra só vai levar a mais terrorismo!

Até quando vamos pagar o preço por um sistema que trava guerras militares, económicas e sociais contra a maioria da população do planeta para gerar lucros para uma minoria que vive segura e confortável?

E esperam que nós aguentemos o terror, as mortes, o desespero e o medo. Basta! Não vamos deixar os racistas, a extrema-direita como a Frente Nacional e os reaccionários ganharem!

Não nos vamos deixar intimidar nem nos dividir. Vamos continuar a lutar por uma sociedade tolerante e baseada na colaboração, livre do capitalismo e da exploração, uma sociedade socialista democrática.

Será uma luta de massas, com trabalhadores e jovens unidos, independentemente da nacionalidade, cor da pele, religião ou sem religião, uma luta por uma vida decente para todos, para fazer a sociedade avançar e livrá-la da pobreza de que se nutre a reacção religiosa e política.

Sentimos tristeza e dor pela destruição de tantas vidas inocentes. Mas saímos desses eventos com maior determinação de não tolerar mais o terror e caos que esse sistema gera.