O povo trabalhador diz “Não” à austeridade. “Nenhum sacrifício pelo Euro”!

Posted on 6 de Julho de 2015 por

0


CJBJicTWUAAqPSX

Declaração do Comité Executivo do Socialismo Revolucionário

O Socialismo Revolucionário – Comité por uma Internacional dos Trabalhadores em Portugal congratula os trabalhadores da Grécia e as suas organizações pelo resultado deste referendo. A vitória do “Não” foi retumbante, com 61% dos votos – 70% entre a classe trabalhadora e 75% entre a juventude – , apesar da campanha de mentiras e medo que a direita realizou por todo o país e por toda a Europa! Este foi um “não” à austeridade, um “não” ao poder do capital financeiro sobre as vidas dos trabalhadores e dos pobres e um “não” à chantagem da dívida.

Apesar disto, a vitória plebiscitária não resolve o problema. O governo Syriza voltará agora à mesa de negociações e procurará um acordo com a Troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).

Que esperar, agora, da Troika? Os capitalistas europeus entendem perfeitamente que os olhos dos trabalhadores da Europa estão postos em Atenas, que os resultados do referendo animaram as lutas anti-austeritárias a ser travadas por todo o continente e que cada vitória futura do proletariado da Grécia é uma vitória do proletariado de todos os países. É por isso altamente improvável que façam cedências substanciais, se se dispuserem a fazer algum tipo de cedência. Espera-se que exijam a total humilhação do governo grego, algo que, aliás, procuraram concretizar com a virulenta campanha pelo voto “Sim” no referendo.

E que podemos esperar de um governo que começou as negociações apresentando uma proposta na qual violava todas as suas promessas eleitorais, feitas cinco meses antes? A haver um acordo, será certamente um pacote de austeridade. A própria demissão de Yanis Varoufakis, ministro das finanças grego, justificada como sendo uma forma de não perturbar as negociações, atesta esta postura conciliatória da direcção do Syriza.

Cabe então aos trabalhadores e às suas organizações rejeitar liminarmente qualquer acordo que implique austeridade, tal como rejeitaram o acordo referendado. A mobilização das massas não pode parar agora, sob pena de tornar vã a vitória de dia 5 de Julho! Há, portanto, que abandonar qualquer ilusão na estratégia seguida até agora, que vez após vez tem significado cedências à Troika e uma tentativa frustrada de suavizar a austeridade, sacrificando os salários e as pensões de milhares de trabalhadores em prol de uma conciliação com o capital.

Nos próximos dias, a luta política dentro do Syriza irá certamente aprofundar-se, com uma polarização no partido perante as ameaças de saída do Euro que os representantes da UE têm vindo a fazer. A Plataforma de Esquerda, dentro do Syriza, tem aqui um papel fundamental, uma vez que a ala direita, que já muito capitulou, na ausência de uma fortíssima pressão das bases do partido, continuará a capitular ante a ameaça de uma saída do Euro. Da mesma forma, a esquerda fora do Syriza tem de apoiar-se na mobilização das massas pobres e exploradas e, em ligação com a ala esquerda do Syriza, pressionar o governo a romper com a austeridade, como tem defendido o Xekinima, organização irmã do Socialismo Revolucionário.

De facto, a única forma de derrotar a austeridade é adoptar uma postura de confrontação. Além de recusar quaisquer novas medidas austeritárias, os trabalhadores e as suas organizações têm de exigir ao Governo a eliminação de toda a legislação de flexibilização e perda de direitos laborais, a suspensão imediata do pagamento da dívida e a utilização da riqueza na criação de emprego e no desenvolvimento da educação, da saúde e de todo o sector público. Mas isto não basta! A realização destas medidas irá muito provavelmente resultar numa expulsão da Grécia da UE, que, como já foi referido, tem constituído uma ameaça da Troika, não obstante a postura conciliatória do governo de Tsipras. Se há uma lição clara que a luta travada até aqui já nos permite tirar, é que a UE actual nunca hesita em condenar milhões de trabalhadores à indigência para proteger os lucros do grande capital. A expulsão da Grécia significaria a aplicação de um cerco económico ao país. As classes capitalistas fariam da Grécia um exemplo, para que nenhum outro povo da Europa se atrevesse a sublevar-se contra a tirania da Troika.

Entendendo isto, entendemos também que é indispensável, para defender a economia nacional, exigir o controlo de capitais e a nacionalização da Banca, bem como de todos os sectores estratégicos da economia. E no processo de luta por estas nacionalizações, caberá aos trabalhadores forjar os seus próprios órgãos democráticos, criar e fortalecer as suas organizações nos locais de trabalho e nos bairros, começar, desde já, a construir a base de uma sociedade verdadeiramente democrática e livre de pobreza.

Sem dúvida, as implicações deste referendo ultrapassam largamente os limites da pergunta presente no boletim de voto. A vitória do “Não” mostrou a vontade de mudança e a abertura de oportunidades para as ideias marxistas encontrarem maior eco na classe trabalhadora, armando-a para a luta por uma Europa verdadeiramente unida, solidária e socialista!