Grécia: “OXI” “NÃO”

Posted on 30 de Junho de 2015 por

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Domingo dia 5 de Julho, nós dizemos “não” ao gang dos credores!

Declaração do Xekinima (CIT na Grécia)

O governo do Syriza tomou, finalmente, a decisão certa! Apelar à vontade do povo grego na questão do “acordo” com os credores e propor a sua rejeição através de um referendo!

Os recuos iniciais do governo levaram as chamadas “Instituições” (i.e. a Troika sob um novo nome) a tornarem-se arrogantes para lá de todas as proporções. Eles queriam transformar o novo governo numa réplica da Nova Democracia/PASOK/To Potami para o forçar a aplicar exactamente as mesmas políticas. Pretenderam deixar o Syriza de joelhos, rdicularizá-lo e, com ele, ridicularizar e subjugar todo o povo grego. Desta forma, pretendem fazer um exemplo da Grécia e ameaçar qualquer outro povo da Europa que ouse questionar as suas ordens.

O governo do Syriza disse não a isso! Finalmente, um grande, audível NÃO, que pode abalar a Europa e alcançar  todos os cantos do planeta!

O povo grego, e por isto queremos dizer os trabalhadores, os desempregados, os pobres, os pequenos comerciantes e as camadas médias destroçadas pela crise capitalista, têm de lutar pelo NÃO com toda a sua força.

No campo oposto, as forças da reacção irão concentrar as suas forças num único corpo. Os banqueiros, os armadores navais, os industriais, as grandes empresas de construção, os órgãos de comunicação social de massas, as instituições da UE, as organizações internacionais, (FMI, BCE, etc), as multinacionais – todos eles irão tentar «convencer-nos» que se dissermos “NÃO” enfrentaremos uma catástrofe.

Catástrofe seria votar “sim” às medidas que os credores querem impor. Estas medidas significariam a continuação das mesmas políticas aplicadas nos últimos 5 anos, que destruíram a economia e causaram uma catástrofe social.

Estes “cavalheiros” (e “damas”) têm o atrevimento de nos dizer que se dissermos “não” àqueles que causaram a presente catástrofe social, então iremos provocar um desastre. São estes mesmo mentirosos que, desde o início, afirmaram que as suas políticas iriam resolver os “nossos” problemas, trariam crescimento e desenvolvimento e que iriam “salvar-nos”. Além disso, humilharam-nos e escarneceram-nos chamando-nos de povo “preguiçoso”, “corrupto” e “inútil”, que desperdiça o seu dinheiro e o seu tempo.

Agora, é a altura de lhes dar a resposta certa!

Ao mesmo tempo, temos de ser claros ao afirmar que o voto NÃO aos credores, significará a saída do país da Zona Euro.

A transição de uma forte moeda internacional como o Euro, para o Drachma, a moeda de uma pequena economia, contém perigos. Mas esses perigos podem ser respondidos se forem implementadas políticas correctas que rompam com o actual sistema apodrecido.A propaganda dos representantes do capital de que o regresso ao Drachma equivale “à entrada no Inferno” é uma mentira enorme da parte das mesmas pessoas que transformaram a mentira numa arte. Alguma vez esses corruptos representantes do sistema disseram a verdade? Então, porquê acreditar neles agora?

Continuar na rota capitalista é o caminho para o inferno. Através de uma série de medidas, a economia grega pode pôr-se de novo de pé, crescer e começar a servir os interesses da sociedade, ao invés dos lucros da plutocracia. Controlos de Capital devem ser imediatamente impostos para impedir que o grande capital exporte as suas reservas e lucros, noutras palavras, a riqueza produzida pelo nosso trabalho. Deve haver um limite imposto aos levantamentos semanais, suficiente para cobrir as necessidades de famílias trabalhadoras e pequenos comerciantes, mas com contabilidade aberta para prevenir os capitalistas de esvaziarem as suas reservas bancárias.

E a 30 de Junho, quando supostamente temos de pagar ao FMI um adicional de 1,5 mil milhões de Euros, temos de dizer “Não pagamos”. Já pagámos o suficiente, esta dívida não é nossa, não a pagaremos!

Não há dúvida que o grande capital irá sabotar qualquer tentativa de fazer reerguer a economia. Por isso, é absolutamente essencial e urgente a nacionalização do sistema bancário, isto é, transferira propriedade, o controlo e a gestão dos bancos para a sociedade. E então nacionalisar os sectores chave da economia sob controlo e gestão dos trabalhadores e da sociedade. Desta forma, poderemos planear a produção e distribuição para as necessidades das massas trabalhadoras e não ter a economia a funcionar nos interesses dos armadores navais e dos industriais.

Hoje é um dia histórico! Olhemos para o pânico nos rostos dos representantes da classe dominante e nos comunicados de imprensa da Nova Democracia, PASOK e To Potami! E alegremo-nos!

Para o trabalhador, o pobre, o desempregado, o desesperado, este é um grande dia! O sorriso pode regressar aos nossos rostos!

Mas ao mesmo tempo temos todos de exigir ao Syriza que não restrinja a luta apenas a um voto NÃO. Temos de marchar audaciosa e decididamente em frente, de forma a retirar o poder das mãos do grande capital; para ter os sectores estratégicos da economia transferidos para as mãos da sociedade; e proceder ao planeamento democrático da economia através do controlo e gestão social e dos trabalhadores, para acabar de uma vez por todas com o saque ao nosso trabalho, com os escândalos, a corrupção e o roubo.

Com tais medidas socialistas ousadas, podemos trazer de volta a esperança – e não só para o povo grego. Podemos tornar-nos um catalizador para os povos da Europa e de todo o mundo.

As «Instituições» querem «mudar o regime» na Grécia. Elas  receiam correctamente que a resistência na Grécia à imposição da classe dominante para que as classes trabalhadora e média paguem pela crise do capitalismo, venha a inspirar movimentos similares por toda a Europa. Há um grande potencial para que a resistência por parte da classe trabalhadora grega desencadeie movimentos semelhantes noutros países. É por isso que os governos da Irlanda, Portugal e Espanha são particularmente hostis ao povo grego: eles receiam pelo seu próprio futuro.