Não às demissões e à perseguição política na Sabesp

Posted on 22 de Junho de 2015 por

0


Marzeni

Demissão de trabalhadores aumenta risco de colapso hídrico em São Paulo.

André Ferrari – LSR, secção do CIT no Brasil (http://www.lsr-cit.org/lsrcit)

O estado de São Paulo vive a mais grave crise hídrica de toda sua história. Milhões de habitantes do estado mais populoso do Brasil, em particular os setores mais pobres, já estão sendo submetidos a uma política de racionamento de água sem que o governo do estado sequer assuma que o faz, minimizando a gravidade da crise.

Porém, a perspectiva apontada por especialistas é de que se o nível de chuvas esse ano for semelhante ao do ano anterior, o cenário pode ser catastrófico. O Cantareira, maior sistema de captação e tratamento de água que abastece a região metropolitana da cidade de São Paulo, já trabalha hoje no nível do chamado “volume morto” (abaixo dos níveis das comportas), deverá simplesmente secar.

Em seminário organizado pelo Comando Militar do Sudeste do Exército brasileiro, a questão da água em São Paulo foi tratada como tema de segurança nacional. Os especialistas presentes apontaram o risco de um colapso no abastecimento já no segundo semestre desse ano.

Tropas do Exército já começaram a fazer manobras militares em unidades da Sabesp, a empresa responsável pelo abastecimento de água e saneamento na maior parte do estado. O objetivo é preparar-se para a possibilidade de uma convulsão social como resultado da crise no abastecimento de água.

Há mais de 20 anos no poder em São Paulo, o partido do governador Geraldo Alckmin (PSDB) preferiu adotar uma política privatista para a questão da água e saneamento. A Sabesp foi transformada em uma empresa que funciona com uma lógica de mercado, com ações negociadas na bolsa de Nova Iorque e visando aumentar o lucro dos acionistas.

Os investimentos necessários para diversificar a captação de água no estado, conter a perda nos sistemas de distribuição, tratar os esgotos para limpar os rios da região, reusar a água, não foram realizados apesar da previsibilidade da crise hídrica. Uma crise semelhante, embora menos intensa, aconteceu há pouco mais de dez anos em São Paulo e pouco foi feito desde então.

A devastação ambiental no Brasil, em particular nas regiões da Amazônia e do Cerrado (norte e centro-oeste) afetam hoje todo o sistema de chuvas em várias partes do país, incluindo a região sudeste onde fica o estado de São Paulo. A crise hídrica é hoje uma ameaça que paira por praticamente todas as regiões mais populosas do país, além do tradicional problema do semiárido na região nordeste do Brasil.

Essa situação é resultado da prioridade dada ao agronegócio e mineração por parte do governo federal, há 12 anos encabeçado pelo PT (Partido dos Trabalhadores), além dos governos estaduais.

Em São Paulo, em plena crise de abastecimento de água, o governo estadual e a direção da Sabesp persistem em sua política subserviente aos setores privados que almejam somente o lucro. Do final do ano passado até hoje, as tarifas de água, mesmo com a crise, aumentaram em quase 23%. Lucros e dividendos continuaram a ser distribuídos aos acionistas e os altos executivos da empresa receberam fortunas como bônus.

Do lado dos trabalhadores o que se vê é o oposto. Mais de 600 trabalhadores da Sabesp foram sumariamente demitidos desde o início do ano. O reajuste salarial e a participação nos lucros e resultados ficaram bem abaixo do esperado.

Aproveitando-se da situação emergencial, o governo e a Sabesp pretendem subcontratar empresas privadas sem licitação para realizar parte de suas tarefas. Estão na prática substituindo os trabalhadores qualificados da Sabesp por trabalhadores terceirizados que deverão exercer sua função em condições muito piores, servindo apenas para agravar as debilidades do sistema de água e saneamento no estado.

Mas, além de servir aos interesses privados, as demissões na Sabesp também refletem casos de perseguição política contra ativistas sindicais e militantes em defesa do direito à agua para a população.

Esse é o caso de Marzeni Pereira, demitido em 16 de março e, apesar de decisões liminares da justiça, ainda não reintegrado ao trabalho. Marzeni integra os quadros da Sabesp há mais de 22 anos. Durante esse período militou ativamente na organização sindical dos trabalhadores da empresa. Foi delegado sindical e membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) por vários mandatos.

Ajudou a fundar e dirigir a Oposição Alternativa de Luta, grupo de oposição sindical à diretoria do Sintaema desde 1999, tendo sido encabeçador e coordenador de campanhas da chapa de oposição em várias oportunidades.

Além da militância sindical, Marzeni tem forte atuação no movimento popular, em particular na região do Jardim Pantanal (zona leste de São Paulo). Marzeni também é fundador e militante do PSOL e da corrente Liberdade, Socialismo e Revolução (LSR) além de construir a central sindical e popular CSP-Conlutas.

No último período, Marzeni tem sido uma voz fundamental dos debates e da luta em torno da crise da água no estado de São Paulo.

O companheiro integra o coletivo “Água Sim! Lucro Não!” que ajuda a construir a Assembleia Estadual da Água e foi parte da comissão recebida no Palácio dos Bandeirantes como resultado da grande manifestação organizada pelo MTST na luta pelo direito a água no dia 26 de fevereiro.

A luta pela reversão das demissões na Sabesp e por sua estatização plena sob controle dos trabalhadores é parte fundamental da luta pelo direito à água para a população de São Paulo. Nesse processo, a defesa da reintegração de Marzeni Pereira é a defesa do direito democrático de organização dos trabalhadores contra toda e qualquer perseguição patronal.

Por isso, chamamos a todos os sindicatos, movimentos sociais, movimentos ambientalistas, parlamentares democráticos e comprometidos com os direitos dos trabalhadores e toda a esquerda, para que se incorporem na campanha por sua readmissão e contra as demissões na Sabesp.

Uma audiência judicial sobre as demissões acontecerá no dia 6 de julho. Pedimos que enviem o quanto antes cartas e moções de protesto para o governo de São Paulo e a direção da Sabesp.

Walter Sigollo – superintendente de Recursos Humanos da Sabesp – wsigollo@sabesp.com.br

Manoelito Pereira Magalhães Júnior – diretor corporativo da Sabesp – mpmagalhaes@sabesp.com.br

Jerson Kelman, Presidente da Sabesp – jkelman@sabesp.com.br

Paulo Massato Yoshimoto, Diretor Metropolitano da Sabesp – pyoshimo@sabesp.com.br

Geraldo Alckmin, Governador do estado de São Paulo – galckmin@sp.gov.br

Com cópias para:

secretaria@cspconlutas.org.br

marzenips@yahoo.com.br

lsr@lsr-cit.org

www.facebook.com/aguasimlucronao