Vitória sobre os contratos precários de zero horas

Posted on 1 de Junho de 2015 por

0


unitenz0

Tradução do artigo original em inglês de Joe Kelly, CIT na Nova Zelândia/Aotearoa

Trabalhadores da cadeia de retalho “Cotton on” impedem a extinção das pausas de descanso e refeição. Trabalhadores da fast-food sindicalizados no sindicato de serviços Unite têm celebrado várias vitórias na luta contra os contratos precários de zero horas na Nova Zelândia. Este tipo de contrato vincula os trabalhadores a um emprego permanente onde não são garantidas horas de trabalho. São comummente utilizados no sector do fast-food.

Após uma pressão constante sofrida pelos franchises KFC, Pizza Hutt, Wendy’s, Carl’s, Junior e Burger King, estes cederam e concordaram em deixar de utilizar contratos de zero horas. Até o governo de direita se viu forçado a demonstrar contestação a esta prática e anunciou a futura ilegalização das piores características destes contratos, como cláusulas de competição que proíbem o trabalhador de procurar emprego na mesma indústria para os dias em que não têm horas atribuídas.

O sindicato Unite tem o mérito tanto na organização dos trabalhadores de uma indústria marcada por elevado rotação do staff, por salários baixos e por maus patrões, como também pela forte campanha contra os contratos de zero horas que capturou a atenção de todos os sectores da sociedade na Nova Zelândia. Todavia, os verdadeiros heróis desta batalha são as pessoas trabalhadoras comuns, a maioria jovem, que, juntando-se ao sindicato, ameaçaram fazer greve para obter melhores condições de trabalho.

No final do mês de Março, trabalhadores do armazém da cadeia de retalho “Cotton On” em Auckland derrotaram a tentativa de remoção das pausas de descanso e de refeição do contrato colectivo de trabalho. Isto sucedeu após o governo legislar uma lei que retira ao trabalhador o direito a pausas durante o dia de trabalho.

Através do sindicato FIRST, os trabalhadores levaram a questão aos media e levaram a cabo uma campanha na comunidade a fim de obrigar a empresa a ceder. A impopularidade do ataque aos direitos dos trabalhadores foi demonstrada pelo apoio verificado por todo o país. Até os media de direita se viram forçados a alinhar, criticando a “Cotton On”. Os trabalhadores neo-zelandeses receberam a solidariedade dos seus colegas australianos, já que a mesma empresa na Austrália tem tentado impedir a sindicalização do sector de distribuição.

A resposta dada pelo governo foi ,para além de patética, também hipócrita, dizendo aos trabalhadores que se receberem ofertas de contrato não contemplando pausas, “devem dizer apenas que não”. Qualquer pessoa que trabalhe sabe que, não estando sindicalizado, recusar um só aspecto de um contrato é o mesmo que recusar o trabalho.

Com apenas 15 dias de campanha, a empresa teve que recuar e acabar com a sua pretensão. O desafio de agora em diante para os trabalhadores é dar uso às mesmas tácticas, não só para garantir o que já têm, mas também conquistar mais direitos.