China: Exigir a libertação das activistas presas

Posted on 13 de Abril de 2015 por

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Sally Tang Mei-Ching, Socialist Action (CIT em Hong Kong)

A ditadura chinesa celebrou o Dia Internacional da Mulher prendendo mulheres activistas, causando ultraje por todo o Mundo. As prisões evidenciam a repressão generalizada do regime de Xi Jinping – o ‘proeminente líder’ chinês – mas também como os direitos das mulheres são asfixiados na China actual. Nos dias 6 e 7 de Março, exactamente antes do Dia Internacional da Mulher (8 de Março) e enquanto o ‘encontro de tapete vermelho’ do Congresso Nacional do Povo se desenrolava em Pequim, forças de segurança prenderam dez mulheres activistas por estarem a preparar protestos alusivos à opressão de género.

Esta acção da polícia chinesa foi trans-provincial. As activistas foram presas em diferentes sítios – Pequim, Hangzhou [leste] e Guangzhou [sudeste]. Algumas das activistas foram já libertadas mas cinco conhecidas activistas feministas continuam detidas [a 10 de Abril não houve ainda a sua libertação]. Os seus nomes são: Wu Rongrong (武嵘嵘) 30 anos, Zheng Churan (郑楚然) também conhecida como Da Tu (大兔) 26 anos, Li Tingting (李婷婷) ou Li Maizi (李麦子) 26 anos, Wang Man (王曼) 32 anos, and Wei Tingting (韦婷婷) 26 anos. Li Tingting foi presa em Pequim, Zheng Churan foi presa em Guangzhou e Wu Rongrong em Hangzhou.

As mulheres planeavam organizar protestos em diferentes cidades no dia 8 de Março, marchar num parque de Pequim e colocar autocolantes em transportes públicos alertando contra o assédio sexual.

Nos últimos anos estas activistas ficaram conhecidas pelas suas “artes performativas” utilizadas para chamar à atenção da opinião pública para os direitos das mulheres na China. Entre as suas acções incluem-se a campanha ‘Ocupar os WC masculinos’ para exigir mais construção de sanitários para mulheres em locais públicos e ainda uma acção contra a violência doméstica em que se vestiam com vestidos de noiva brancos cheios de tinta vermelha. Elas são membros do Women’s Rights Action Group [Grupo de Acção pelos Direitos das Mulheres], que luta contra a discriminação de género.

“À procura de confrontos e de problemas”

Como a revista Times salienta, estas cinco activistas “não estavam a defender o derrube do Partido Comunista”. E nem sequer “organizavam comícios políticos, mas antes utilizavam a arte para desafiar os preconceitos da sociedade.” [Revista Time, 19 Março 2015]. Mais uma vez, à semelhança do que acontece com activistas pelos direitos das minorias étnicas ou contra denúncias de corrupção, a máquina ultra-repressiva de Xi [Jinping] atinge até os críticos moderados e dentro do sistema.

A 12 de Março, as cinco foram oficialmente acusadas pela polícia de “causar distúrbios, procurar o confronto e causar problemas”. Esta é uma acusação genérica muito utilizada pela ditadura para silenciar e incarcerar os críticos ao regime – incluindo representantes dos trabalhadores e activistas políticos. Se provada a culpa, a sentença pode ir até aos cinco anos de cadeia. As cinco activistas podem agora aguardar a formalização da acusação na prisão, por um prazo até 37 dias.

Solidariedade impedida na China – é necessária solidariedade internacional

Desde que as cinco activistas foram detidas que têm sido lançadas petições por toda a China exigindo a sua libertação, mas em muitas escolas e universidades estas acções foram impedidas pelas autoridades, que ameaçaram os estudantes com represálias. Sites e páginas em redes sociais relacionadas com o assunto foram bloqueadas na China.

Acções de solidariedade internacional são precisas urgentemente. O CIT (Comité por uma Internacional dos Trabalhadores) que tem um registo histórico de campanhas contra o sexismo e a discriminação, assim como contra a repressão estatal, pode desempenhar um papel chave em iniciar protestos, tendo em conta as suas ligações globais e organizações activas em mais de 40 países. Os apoiantes chineses do CIT, na China e em Hong Kong (Socialist Action – Acção Socialista), apelam aos socialistas e activistas feministas internacionalmente para organizarem protestos, escrevendo às autoridades chinesas e fazendo protestos pela libertação das ‘China 5’.