Sobre o Manifesto para uma Esquerda que Responda por Portugal

Posted on 30 de Março de 2015 por

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O Socialismo Revolucionário – CIT em Portugal expressa desde já o seu apoio ao  Manifesto para uma Esquerda que Responda por Portugal — que reuniu, inicialmente, 21 signatários.

Temos defendido nos últimos 4 anos, como se pode ler em qualquer número da nossa publicação, Ofensiva Socialista, uma frente de esquerda que resultasse da união das várias lutas dos trabalhadores e dos estudantes e se apresentasse a eleições legislativas reunindo, pelo menos, os dois maiores partidos de esquerda do país (PCP e BE), e, no melhor dos casos, também os restantes partidos de esquerda, a CGTP-IN, outros sindicatos, associações e movimentos sociais de protesto com base num programa comum de esquerda.

Tal programa, nas presentes circunstâncias, significa, recorrendo às palavras dos autores do manifesto, um programa feito “em prejuízo da finança e assumindo a prioridade do emprego contra as imposições feitas em nome do euro”. No nosso entender, um pólo político que, ultrapassando o sectarismo, reúna em si as forças de esquerda, inaugurará a possibilidade de uma ruptura com o bipartidarismo PS-PSD que se tem mantido intocado nas últimas 4 décadas. Isto, por si só, seria um passo em frente na luta contra o capital, que até aqui tem sido travada apenas com medidas defensivas por parte da classe trabalhadora.

Fosse essa ruptura realizada e um governo de esquerda eleito, a luta de classes entraria numa nova fase, tornando-se também aqui evidentes as contradições que os trabalhadores gregos vêem com cada vez maior nitidez após a eleição do Syriza em Janeiro deste ano.

Nós, marxistas, consideramos o projecto da União Europeia e do Euro inconciliável com os interesses e tarefas históricas da classe trabalhadora; a UE não passa de uma tentativa de construir uma união impossível entre as burguesias nacionais da Europa para que estas possam competir com os seus homónimos internacionais mais poderosos, organizando mais estritamente a divisão internacional do trabalho dentro da Europa e, assim, garantindo a super-exploração dos trabalhadores nos países periféricos da UE (como é o caso de Portugal).

O que a experiência na Grécia nos tem ensinado é que um governo simplesmente anti-austeritário é incapaz de constituir uma solução, uma vez que se mantém dentro do quadro da UE capitalista. Da mesma forma, em Portugal, um governo de esquerda com um programa de combate ao desemprego e melhoria das condições de vida dos trabalhadores esbarraria, tal como o governo grego, contra os interesses totalmente inflexíveis das burguesias europeias.  A situação actual não permite meias-medidas! A necessidade de abandonar o euro e, portanto, nacionalizar a banca e outros sectores chave — em suma, planificar a economia “em prejuízo” da burguesia — mostrar-se-ia em toda a sua incontornável dimensão. E para que esta necessidade obtivesse resposta, não obstante as sinceras intenções de qualquer governo de esquerda, seria indispensável a mobilização de vastas camadas da classe trabalhadora, a sua organização e a aplicação da sua força criativa na gestão da economia — essa força que é  maior da História.

Hoje, só há duas alternativas para as crescentes convulsões do capitalismo: a planificação da economia sob o controlo democrático dos trabalhadores ou a continuação e o agravamento da miséria (que os governos de direita apelidam de “austeridade”).

Se, de facto, a frente unida que o Socialismo Revolucionário e os signatários do Manifesto para uma Esquerda que Responda por Portugal defendem se realizar, o seu programa,  quer apresente ou não uma solução para a contradição insanável entre o projecto capitalista da UE e os interesses dos explorados, será irrealizável sem um aprofundamento da luta de classes e uma consequente ultrapassagem do sistema capitalista.

É chegada a hora de lançar o projecto de uma Europa dos trabalhadores, e esta só poderá ser construída sobre os escombros da Europa dos capitalistas.