Violência policial na Cova da Moura

Posted on 6 de Fevereiro de 2015 por

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BASTA DE IMPUNIDADE E VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA OS POBRES!

Exigir um inquérito independente integrado pelas associações de moradores, organizações socais, sindicatos e personalidades independentes

O Socialismo Revolucionário manifesta a sua solidariedade com os moradores do bairro da Cova da Moura, que ontem foram vítimas de uma intervenção policial de força e brutalidade inadmissíveis.

Segundo testemunhas, os incidentes começaram com a detenção e brutal espancamento de um jovem. Face aos protestos da população, a polícia respondeu com balas de borracha, ferindo, entre outros, uma senhora que assistia aos incidentes na janela da sua casa, num 1º andar.

Na sequência destes incidentes, um grupo de jovens negros, da Associação Moinho da Juventude, deslocaram-se à Esquadra da PSP de Alfragide para prestar queixa. Foram detidos, violentamente espancados, sendo um deles atingindo por uma bala de borracha dentro da própria esquadra e à queima roupa.

Estão neste momentos detidos 5 jovens entre eles os Rappers LBC e Krommo, aguardando julgamento sob acusação de «invasão à esquadra», como o dito jornalista João Tavares, do “porta-voz oficioso” da PSP, Correio da Manhã, se apressou a “informar” esquecendo a sua obrigação de jornalista de ouvir as partes e relatar os factos.

É altamente “credível” que um grupo de 5 – e não 10 como relata – jovens, desarmados, invada uma esquadra de polícia com as caracteristicas da Esquadra de Alfragide…

Este tipo de violência policial impune é o pão nosso de cada dia nos bairros pobres da Amadora e Sintra. Integra as políticas de guetização e criminalização dos pobres, africanos e afro-portugueses seguidas pelo Governo mas também, neste caso, pela Câmara Municipal da Amadora. A frequência de incidentes violentos, com o uso de força absolutamente desproporcionada e gratuita são constantes, reforçados e alimentados pelo clima de “alarme social” de carácter racista que jornais, como o Correio da Manhã, são useiros e vezeiros.

O Socialismo Revolucionário considera que há que pôr cobro à violência e brutalidade policial contra os africanos, afro-portugueses, minorias nacionais e, de uma forma geral, os pobres.

Este não é apenas um problema de bairros mas de todo o movimento de trabalhadores, jovens e pobres.

Consideramos que será importante que as Associações e Comissões de Moradores dos bairros pobres, as ONG, os movimentos anti-racistas e pelos direitos humanos, os sindicatos e personalidades independentes se articulem na constituição de uma Comissão de Inquérito a estes incidentes, como forma da sociedade controlar democraticamente os actos arbitrários e ilegítimos de força despropositada e simples brutalidade que cada vez mais é exercida pelas chamadas “forças de ordem”.

O Socialismo Revolucionário prestará o apoio possível aos trabalhadores, jovens e pobres dos bairros que se queiram organizar para defender os seus legítimos interesses e direitos e pôr cobro à constante intimidação e brutalidade policial. Cremos que este é também um assunto que os sindicatos e organizações de trabalhadores têm de se envolver activamente em defesa dos direitos, liberdades e garantias.

Lisboa, 6 de Fevereiro de 2015


Socialismo Revolucionário
Comité por uma Internacional dos Trabalhadores em Portugal