Atendado assassino contra o jornal Charlie Hebdo

Posted on 8 de Janeiro de 2015 por

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Pelo direito à liberdade de expressão! Não nos deixemos dividir!

Comunicado do Gauche Révolutionnaire, CIT em França

O ataque ao jornal “Charlie Hebdo” perpetrado por homens fortemente armados e o assassinato de 12 pessoas no local do jornal é um acontecimento dramático. Condenamos veemente este ataque cobarde e bárbaro.

Ilustradores tão brilhantes como Wolinski, Charb, Tignous ou Cabu, combateram de diversas formas a intolerância, o racismo e a censura. Revolta-nos o facto de eles morrerem sob fogo armado de racistas e intolerantes furiosos. Neste atentado, imensos trabalhadores, “simples” assalariados deste jornal morreram juntamente.

Ao atingirem este jornal satírico de esquerda, estes reacionários islamitas (segundo as últimas informações) pretenderam atuar contra os ataques que os muçulmanos sofrem em França. Falso! Nós não partilhamos certas abordagens do Charlie em diversas questões. O Charlie Hebdo escolheu publicar caricaturas de Maomé. Não teve grande interesse, nem nos parecia cómico ou necessário. Mas a liberdade de expressão e de opinião é um direito absoluto que nós defenderemos custe o que custar. Sabemos que é um direito muitas vezes atacado pela classe dirigente.

Em nenhuma circunstância os muçulmanos em França sentiram-se aliviados com este acto, muito pelo contrário. Aliás são eles que vão pagar as consequências na rua, como acontece cada vez que é cometido um acto cego e reacionário. Estes terroristas que pretendem defender uma religião, não valem mais do que os reacionários islamofóbicos. Na verdade eles andam de mão dada no desenvolvimento da intolerância e obscurantismo. Este acto terrorista, odioso e cobarde reforça os reacionários que querem dividir os trabalhadores e os jovens, numa base religiosa e comunitária.

Este ataque vai servir as classes dominantes. Assim Hollande, Sarkozy ou Le Pen poderão pretender-se como os defensores das nossas liberdades quando na verdade são eles que oprimem as lutas, estigmatizam os estrangeiros e violam os nossos direitos.

O clima instalado da islamofobia é cada vez mais forte.

Isto faz com que alguns muçulmanos em França sintam-se justamente atacados. Denunciamos todo tipo de racismo, islamofobia, antissemitismo e sexismo. Lutamos por um mundo solidário, fraterno e tolerante, nada comparado com estes “iluminados” que querem fazer-se passar por justiceiros.

Este atentado vale ouro para todos os racistas e reacionários que querem reforçar o plano Vigipirate e o controlo facial na população de origem magrebina.

Não participaremos em manifestações “republicanas” com a direita e a extrema-direita, que denunciem este atentado. Os intelectuais islamofóbicos, os políticos da direita, os políticos da guerra em África e no Médio Oriente, da regressão social a proveito dos ricos e do capitalismo, que são para aqui trazidos pelo Governo, criam este ambiente nauseabundo e esta euforia assassina como reação. Nenhuma forma de união nacional pode concretizar-se com aqueles que procuram surfar na onda do racismo e da xenofobia. Pelo contrário, deve-se fazer ouvir uma voz clara, a voz dos trabalhadores. Os sindicatos, plataformas de organização laboral e associações devem apelar à homenagem das vítimas do Charlie Hebdo, tendo como base: a unidade dos trabalhadores, jovens e a grande maioria da população, seja qual for a sua origem ou crença, pela liberdade de expressão, contra todos os reacionários, contra os terroristas intriguistas, contra as políticas racistas e imperialistas em França que aumentam as divisões sectárias, a intolerância e obscurantismo.

É necessário uma mobilização massiva e unida contra o racismo e contra as políticas que precarizam milhões de pessoas! É nesta base que participaremos no apoio aos jornalistas e trabalhadores do Charlie Hebdo.