Expulsemos o governo da austeridade e da Troika! Por um governo do Syriza com políticas socialistas audazes!

Posted on 23 de Dezembro de 2014 por

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Governo apressa eleição presidencial

Artigo traduzido da edição atual do jornal Xekinima (CIT na Grécia)

O governo grego decidiu finalmente arriscar as eleições antecipadas para o cargo de presidente, que é decidido pelo parlamento. Eles agiram rapidamente de forma a poderem votar para o cargo de Presidente em 17, 23 e 29 de Dezembro. Se não conseguirem 180 votos em 29 de Dezembro haverá uma eleição geral antecipada no final de Janeiro ou início de Fevereiro.

Esta evolução está relacionada com o facto de que no final de Fevereiro a extensão do actual ‘memorando’ (empréstimos da Troika para a Grécia e o programa de austeridade) expira. O memorando termina no dia 31 de Dezembro, mas o governo da Nova Democracia/PASOK não foi capaz de conseguir o que queria da Troika em relação ao próximo  memorando (ao qual eles não chamam memorando, mas vários outros nomes mais palatáveis para tentar enganar os trabalhadores).

Chegaram, então, a um compromisso; estender o memorando atual até o final de Fevereiro de 2015 para, até então, tentarem resolver as questões nas quais discordam.

Na realidade, esta medida do primeiro-ministro grego, Samaras, e ministro das Finanças Venizelos era o melhor que poderia conseguir, dado o beco sem saída  a que as suas políticas têm levado e depois de ser empurrado contra a parede pela Troika, que não estava disposta a aceitar o “conto de fadas”sobre a “saída do memorando” , “recuperação económica” e “voltar aos mercados” falsamente promovido pelo governo grego ao longo dos últimos meses.

A “recuperação” já começou, mas a austeridade aprofunda-se

Samaras e Venizelos conseguiram que o parlamento aprovasse um pacote de austeridade agressiva em 7 de Dezembro. Neste orçamento, entre outras coisas, estão incluídos os seguintes pontos: novos aumentos de impostos (1,5 milhares de milhões de euros), redução nos gastos sociais (1 milhar de milhão de euros) e uma redução do programa de investimentos públicos na ordem dos 400 milhões de euros! Mas o imposto sobre os lucros das empresas será reduzido! Toda esta austeridade está a ser posta em prática para que o governo seja capaz de pagar as prestações e os juros da dívida (em 2014 a taxa de juro da dívida será de 5,7 milhares de milhões de euros!).

Mas estas medidas não satisfazem a Troika, que exige mais sangue. A Troika pede, em particular, um novo aumento dos impostos dos alimentos, remédios, livros, álcool e tabaco e o confisco dos bens das pessoas que têm dívidas com os bancos, novos ataques às pensões e aos fundos de pensões, reduções dos benefícios dos pensionistas e uma redução do número de pessoas que têm direito a receber os benefícios.

O Governo arrisca

Com um pacote destes, como é que o governo podia encarar as eleições presidenciais no primeiro trimestre do ano? Como é que podia encarar as eleições depois de ter alimentado a população com propaganda e mentiras?

O governo estaria exposto ao avançar com novas medidas de austeridade e com a implementação de um novo memorando. Não lhes seria possível encontrar os 180 votos necessários para a eleição dum presidente da sua escolha, nem para uma vitória contra o Syriza (Coligação da Esquerda Radical) nas eleições legislativas que se seguiriam.

A decisão do governo de antecipar as eleições presidenciais não é irracional. A primeira preferência seria manterem-se no poder até 2016, quando as eleições parlamentares estão agendadas. A expectativa deles era que, após cinco anos de colapso do PIB (em torno de 30%), seria inevitável que algum tipo de crescimento económico acontecesse. Samaras esperava que, com base nesse crescimento, o governo e a Troika pudessem “celebrar” o sucesso das suas políticas. Esperavam que desta forma conseguissem passar a perna ao Syriza e à Esquerda, e que a presente aliança no governo ganhasse as eleições novamente.

Este plano entrou em colapso quando a Troika se recusou a dar ao governo ND/PASOK as concessões que eles precisavam para que pudessem superar o obstáculo das eleições presidenciais.

Assim, o governo decidiu ir para a guerra pelos 180 votos de forma a vencer a corrida presidencial agora, antes que fossem completamente ridicularizados e ficassem ainda mais isolados da sociedade.

Campanha de medo – novamente

Vai ser muito difícil para o governo encontrar 180 votos, mas não impossível. Se não ganhar votos suficientes, o governo vai convocar novas eleições parlamentares, esperando assim ter uma melhor hipótese nas urnas por não ter sido visto a curvar-se completamente perante as novas exigências de austeridade da Troika.

É claro que, durante uma eleição geral, os partidos do governo vão jogar o seu jogo habitual, alertando para uma saída do euro se a oposição vencer, clamando que todos os sacrifícios terão sido em vão, que a Grécia se vai encontrar fora da “família europeia” e que perderá todos os benefícios do euro. Eles agem como se eles próprios não tivessem criado as condições sociais terríveis que a população agora enfrenta, com 6,3 milhões de trabalhadores gregos no limite da pobreza ou abaixo dela.

O clima de medo que será gerado pelos partidos do governo não pode ser subestimado, o que também será orquestrado pela media, dominada pelos interesses dos magnatas das exportações, os banqueiros e os proprietários da indústria, todos eles apoiantes do governo Samaras-Venizelos.

A batalha não será um passeio no parque

A batalha que está à nossa frente é grande e não vai ser um passeio no parque. Os trabalhadores deverão mobilizar o seu poder para se livrarem dos “gangsters” que nos governam.

A esquerda, à frente desta batalha, devia estar unida, dando esperança aos trabalhadores, aos desempregados e aos pobres. Mas falha em fazê-lo. Por um lado temos o KKE (Partido Comunista) cuja liderança se recusa a cooperar com quem seja porque, segundo eles, aqueles que discordam do KKE são “traidores”! Por outro lado a liderança do Syriza dilui as suas políticas, alienando os trabalhadores mais militantes e os jovens, e oferecendo um álibi para a liderança sectária do KKE.

Mas, apesar dos limites e deficiências da esquerda, não há outra escolha; uma batalha por um governo de esquerda é necessária. Isto significa um apelo ao voto no Syriza e um governo liderado pelo Syriza. Caso contrário podemos esperar um governo de Troikanos por mais quatro anos.

Eleger um governo Syriza é a única maneira de começar a combater a catástrofe social e económica, e de abrir a possibilidade aos movimentos de oposição de intensificarem a resistência. E é necessária uma luta na esquerda para que o governo Syriza leve a cabo políticas socialistas, caso contrário haverá uma repetição do percurso do PASOK, de partir duma posição radical e acabar a vender os trabalhadores e juventude. A menos que um governo Syriza realize políticas socialistas – incluíndo o repúdio da dívida, a oposição à Troika, e a apropriação pública e democrática dos sectores chave da economia a serem usados para o benefício da maioria – uma oportunidade histórica será perdida, e a desilusão e a derrota serão sentidas não só pelo Syriza mas também pela esquerda e pela sociedade.

Posted in: Europa, Grécia