Dos EUA a Portugal, a luta é a mesma!

Abel Lopes, Socialismo Revolucionário Lisboa

“não se pode ter capitalismo sem racismo”

Em Agosto deste ano, Michael Brown, um jovem de 18 anos, negro e de classe trabalhadora, foi assassinado pela polícia em Ferguson, no Estado do Missouri, EUA. Brown, desarmado, com ambas as mãos levantadas num gesto de rendição e pedindo ao polícia que não disparasse, foi alvejado seis vezes.

O episódio é reminiscente de outro assassinato perpetrado pela polícia, este ocorrido na Amadora, em Janeiro de 2009. A vítima foi Elson Sanches, também negro e de classe trabalhadora, também desarmado, também alvejado, mas com apenas 14 anos.

Em ambos os casos o assassino permaneceu impune, e talvez por isso se possa dizer que mortes como estas são as expressões mais sensacionais e indeléveis de racismo. Com cada um destes casos — e muitos outros exemplos poderiam ser dados para os dois lados do Atlântico — vemos o acto individual de racismo mais extremo, que é o homicídio racista, revelar o racismo das mais variadas instituições da sociedade; o chamado racismo institucional.

Depois de cada uma destas mortes, a comunicação social criminaliza a vítima, lança-se em acusações infundadas e em especulações sobre o seu carácter, usa e abusa do estereótipo do negro delinquente. Os tribunais absolvem o assassino com julgamentos que desafiam o mais elementar bom senso. A polícia reprime os protestantes — em Ferguson a repressão das fortes manifestações de massas deu-se, inclusivamente, com equipamento militar. O governo, quando se pronuncia, é através de um comunicado no qual expressa as suas condolências e admoesta os protestantes. Todos os órgãos do Estado criados para lidar com o racismo e a xenofobia ignoram o ocorrido.

Mas o racismo não resulta apenas no assassinato impune de jovens negros e no subsequente espetáculo de hipocrisia. Ele manifesta-se também na expulsão de famílias pobres das suas casas — como demonstram as recentes demolições no Bairro de Santa Filomena e tantas outras demolições e despejos —, no desemprego crónico e no crime, na pobreza e na miséria, em sentimentos de inferioridade, fraco desempenho escolar e tantos outros males que assolam os trabalhadores negros.

De facto, ao ser institucional, o racismo é funcional, ou seja, cumpre certas funções no sistema capitalista. Duas delas são a função de legitimação da super-exploração dos trabalhadores negros, que, criando uma desigualdade salarial entre trabalhadores negros e brancos, permite um abaixamento geral de salários, e a função de divisão da classe trabalhadora em grupos raciais, virando trabalhadores contra trabalhadores.

Mas não nos deixemos enganar, saibamos quem é o inimigo! O único caminho para um mundo livre de miséria e de racismo é o da “Unidade e Luta!” — a unidade de todos os explorados contra todos os exploradores até ao fim do capitalismo. Porque, como disse Malcolm X, “não se pode ter capitalismo sem racismo.”

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