O Dia Internacional da Mulher

Posted on 8 de Março de 2014 por

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 “Paz e Pão” exigiram as mulheres russas a 8 de Março de 1917

As origens do Dia Internacional da Mulher remontam ao séc. XIX, às greves das operárias têxteis norte-americanas, e à 2ª Conferência das Mulheres Trabalhadoras, organizada no âmbito da II Internacional. Relembramos um pouco da história e actualidade do dia que celebra as mulheres trabalhadoras de todo o mundo.

No dia 8 de Março de 1908, uma manifestação de 15000 operárias em Nova Iorque exigia aumento salarial, redução de horário e o direito ao voto. Foi violentamente dispersada pela polícia. Um ano mais tarde, operárias têxteis entraram em greve por melhores salários e condições. Após uma declaração do Partido Socialista da América, o primeiro Dia da Mulher celebrou-se então a 28 de Fevereiro e, até 1913, sempre no último domingo de Fevereiro. Em 1910, as socialistas alemãs Luise Zietz e Clara Zetkin, defenderam a criação de um Dia Internacional da Mulher como estratégia para promover a igualdade de direitos laborais e democráticos entre homens e mulheres. O evento espalhou-se à Alemanha, Suíça, Dinamarca e Áustria e, em 1911, foi celebrado com milhares de reuniões e manifestações em que as mulheres foram, para variar, as protagonistas. Em 1913, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado, pela primeira vez, na Rússia com reuniões ilegais, a 8 de Março (devido à diferença de calendário existente entre o ocidente e o império russo). Após o início da I Guerra Mundial e o alinhamento dos partidos da II Internacional com posições chauvinistas, Zetkin e a revolucionária marxista Rosa Luxemburgo, utilizaram o Dia Internacional da Mulher para fazer campanha anti-guerra, em 1914 e 1915.

No entanto, a consolidação do Dia Internacional da Mulher a 8 de Março deu-se em 1917, quando milhares de mulheres tomaram as ruas de São Petersburgo, protestando contra a guerra e o racionamento de comida. Alexandra Kollontai, militante bolchevique escreveu: “O Dia Internacional da Mulher de 1917 ficará para sempre na história. Neste dia, as mulheres russas levantaram a tocha da revolução proletária e deixaram o mundo em chamas. A Revolução de Fevereiro começou neste dia”.

O que falta?

Hoje em dia, falta percorrer um longo caminho  para a plena igualdade entre homens e mulheres. Fruto da sociedade de classes, a desigualdade é todos os dias imposta pelo sistema de exploração assalariada e pela moral burguesa. Quando há uma crise, as desigualdades são cruamente expostas: de acordo com estimativas do Banco Mundial, uma queda de 1% na produção económica resulta num aumento da mortalidade infantil em 7.4 por cada 1000 raparigas e apenas 1.5 por cada 1000 rapazes. Em vários países do mundo, a mutilação genital, assim como a venda de raparigas para escravatura continuam a ser prática corrente.

Em Portugal, segundo dados da Comissão Europeia, a diferença salarial entre homens e mulheres, é de 12,5%, ainda assim abaixo da média da UE (dados de 2011), mas a situação tem se deteriorado desde 2006. Ainda a semana passada saiu um estudo europeu, envolvendo cerca de 40000 mulheres dos 28 países da UE, que chegou à terrível conclusão que 1 em cada 3 mulheres já foram vítimas de violência, física ou sexual, antes dos 15 anos. A violência doméstica continua a ser um grave problema social, muitas vezes ignorado pelas autoridades e pela sociedade. O desemprego e a precariedade, o assédio moral, a ofensiva ideológica contra a interrupção voluntária da gravidez e o direito das mulheres decidirem a sua vida são outros problemas que afectam as mulheres numa sociedade cada vez mais injusta e opressiva.

Só o fim do patriarcado e da sociedade de classes permitirá uma verdadeira igualdade entre géneros. Tal como no campo económico, a luta pela Democracia Socialista assume um papel preponderante na emancipação feminina.

O Dia Internacional da Mulher é um dia de memória das grandes lutas operárias das mulheres do passado, mas também é um dia de alerta para os problemas actuais e para o que ainda falta alcançar em termos de emancipação feminina e da Humanidade.

O Socialismo Revolucionário saúda as mulheres que se erguem na luta contra a exploração, machismo, violência doméstica e opressão.

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