Greve Geral, pois claro!

Posted on 15 de Junho de 2013 por

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A Greve geral é uma das armas políticas mais poderosas dos trabalhadores. Ao paralisar o Trabalho é exposta a contradição fundamental do sistema capitalista: sem os milhões de trabalhadores, o Capital nada é. É por isso que assusta tanto as classes dominantes como certas direcções sindicais empenhadas na “concertação social”, ou melhor dito, na colaboração de classes.

Obviamente que a Greve Geral não é remédio universal para a luta de classes.  Nem deve ser convocada sem uma cuidada análise do estado de espírito e do nível de organização, quer dos trabalhadores, quer das classes dominantes e dos seus aparelhos repressivos.

É com base nesses pressupostos que nos parece que é adequada a convocação de uma greve geral. Se, por um lado, cresce a rejeição das politicas de austeridade do Governo e da Troika e existe um sentimento de quase-revolta em muitos sectores sociais e profissionais, nomeadamente – e na convocatória de uma Greve Geral este indicador pode ser importante- entre as forças de segurança  e demais aparelho repressivo do Estado, por outro lado, a própria base social de sustentação do Governo está a estreitar-se rapidamente,  havendo constante guerrilha entre figuras de destaque dos partidos capitalistas, e pairando a “ameaça” de ruptura do Governo por parte de Paulo Portas e do seu PP.

Um crescente ambiente de guerrilha – lutas locais, sectoriais, de empresa, em escolas, vaias sucessivas a governantes (e que pressionou a UGT a ter vindo a virar à esquerda e apelar à luta) – potencia não só uma mais poderosa greve geral como exige um plano de continuação das lutas, coordenação e solidariedade activa, particularmente para com os desempregados.

O envolvimento de estudantes, reformados, e principalmente desempregados, com tarefas concretas de agitação e mobilização, na preparação e tarefas concretas durante a greve é uma forma de potenciar e alargar uma greve geral que, sendo fundamentalmente sindical, deve ter uma crescente componente social de apoio e solidariedade.

Partindo de um quase divórcio entre os chamados movimentos sociais e o movimento sindical, temos verificado uma confluência e actos de colaboração e suporte mútuo que saudamos e incentivamos. Esta convergência será determinante na construção das próximas mobilizações e lutas.

Por uma poderosa Greve Geral!

No entanto, não vemos a Greve Geral como um fim em si, mas apenas mais uma acção inserida num plano de luta mais amplo capaz de derrubar o governo, expulsar a Troika e lutar por uma alternativa dos trabalhadores, uma Greve Geral isolada não é capaz de alcançar esses objectivos, como vimos com as 4 últimas.

A Greve Geral seria sim mais um passo importantíssimo nessa luta, que estaria enquadrada num tal plano que usasse cada mobilização para fazer da próxima ainda mais forte, um plano que inclua mais mega-manifestações com a 15 de Setembro e 2 de Março, assim como greves gerais mais prolongados, de 48horas por exemplo, e que, tal como a 14 de Novembro, se coordenem internacionalmente em direcção a uma Greve Geral Europeia capaz de fazer tremer toda a Europa e derrotar a Troika em todos os países em que a sua política de destruição social é imposta.

Todos chamados à luta!

A Greve Geral não é só dos sindicatos, é de todos os trabalhadores, com e sem emprego, estudantes e reformados. Como construir a Greve Geral?

É preciso que a Greve Geral chegue a todo o lado e envolva todos: os muitos trabalhadores sem contacto com sindicatos, mas também os desempregados, estudantes e reformados podem e devem ajudar, quer na mobilização, quer em acções concretas durante a Greve Geral.

Algumas ideias para ajudar a construir a Greve Geral:

– Informar os amigos e apelar à greve na escola, bairro ou local de trabalho;

– Participar em plenários que sejam abertos ao público, e entrar em contacto com os trabalhadores e sindicatos da sua área oferecendo a sua solidariedade activa na construção da Greve;

– Informar-se de piquetes de greve perto da sua localidade e participar neles, em solidariedade com os trabalhadores; os piquetes são muito importantes, a Greve Geral é um dia de acção e consciencialização, não é um dia para ficar em casa, pelo que todos os seus apoiantes devem estar nos locais de trabalho e na rua a defender a Greve e a fazer dela uma ação combativa;

-Construir em conjunto com os trabalhadores sindicalizados, uma grande manifestação para esse dia, manifestação que dá uma voz muito mais clara da Greve, daquilo por que ela luta. Também é uma forma de involver mais uma vez, em acção concreta, todas as camadas da população que sofrendo com a austeridade, por já/ainda não trabalharem, não poderem fazer greve.