Governo grego fecha a emissora estatal ERT

Os sindicatos devem organizar uma greve geral agora!

O governo grego encerrou, desde de quarta, 12 de julho, os serviços de rádio e TV da emissora estatal, ERT.

Mais de 2.500 trabalhadores serão demitidos antes da reabertura da empresa em Setembro, de acordo com informações do governo.

Este descarado ataque contra os direitos e condições de trabalho dos trabalhadores e o direito do público de acesso à informação, provocou a indignação em toda a sociedade grega. Estão a ocorrer manifestações de massas em apoio dos trabalhadores da ERT, que ocupam  as instalações.

O texto que se segue é a tradução do folheto sobre a crise ERT emitido pelo Xekinima, a secção grega da CIT, que foi distribuído nas manifestações de protesto que ocorreram ontem em muitas cidades gregas.

socialismo-revolucionário.org

ert_2Texto do folheto do Xekinima (CWI Grécia)

Com a decisão de fechar a emissora ERT, o primeiro-ministro Samaras e o seu governo de coligação têm mostrado que não irão parar, a fim de submeter a oposição às suas políticas e para completar a devastação da sociedade grega.

A decisão de fechar ERT é nada menos que um golpe de Estado parlamentar para burlar a constituição grega. Torna uma paródia a democracia parlamentar! Esta medida foi tomada pouco antes das férias de verão do Parlamento, de modo a que nem mesmo esta Casa, decorativa como ela é, possa desfazer o golpe!

Quem os pode deter e como?

Este é um momento crítico para a oposição anti-austeridade, o movimento operário e de esquerda! Se consentirmos o encerramento da ERT, isso só irá incentivar o uso da “lei Samaras” em outras áreas, a começar com vinte outros organismos do sector público que já são alvos do governo.

E imediatamente após a ERT, as empresas de serviços públicos que ainda não foram privatizadas,  seguir-se-ão. Nessas empresas, os salários já caíram 40-50% e como se isso não fosse suficiente, depois da ERT elas também podem enfrentar a “morte súbita”: demissões em massa e lock-out, de modo a que o governo possa acabar com eles de forma rápida e “perfeita”.

Há apenas uma resposta a este desafio sem precedentes com que se confronta o movimento dos trabalhadores: um movimento de greve de massas para derrubar os planos de Samaras e o seu governo.

Os trabalhadores da comunicação social necessitam de entrar numa greve total.Os  Trabalhadores da Imprensa, das TVs e Rádios não têm mais nada a perder!

A ERT tornou-se numa luta central e um ponto focal para mobilizar e vincular os trabalhadores de todos os sectores. Mas a luta da ERT precisa do apoio de uma greve generalizada.

O resto do movimento dos trabalhadores deve coordenar uma resposta imediata ao ataque contra os trabalhadores da ERT. Isso significa uma greve geral de massas, bem coordenada, desencadeada pelas principais federações sindicais.

Agora é o tempo para conseguir o apoio dos professores e dos trabalhadores dos transportes marítimos, que nos últimos meses sofreram grandes reveses depois do governo Samaras ter usado medidas autoritárias (‘recrutamento’) para interromper sua acção grevista.

Agora é o momento de os sindicatos dos trabalhadores municipais, os trabalhadores dos serviços públicos da água e os trabalhadores de energia eléctrica, que estão sob ameaça dos planos de Samaras para abater o que resta dos seus direitos e condições de trabalho, de entrarem numa luta grevista coordenada.

Agora é a hora de todo o movimento sindical agir. Em vez de uma série de dias limitados de greve, que os dirigentes das federações sindicais GSEE e ADEY têm convocado ao longo dos últimos três anos, mas que não conseguiram parar os cortes profundos de austeridade, é necessário uma escalada muito mais combativa e determinada. Fazer crescer, de forma determinada e firme greves gerais, quer no sector público, quer no privado, é a única forma realista e eficaz para responder ao ataque do governo Samaras.

rte1Poder do povo trabalhador

Vários líderes sindicais argumentam que este tipo de propostas são “extremistas” e que os funcionários não vão aderir a elas. Nós dizemos que estas observações são uma tentativa dos dirigentes sindicais para esconder a sua própria cobardia e falta de vontade de levar a cabo uma luta decidida em nome dos trabalhadores. Não há outra maneira de lidar com o mais recente ataque do governo aos direitos fundamentais nos locais de trabalho do que com um movimento de greve generalizado. E não há nenhum governo que possa enfrentar tal movimento! Samaras, é claro, vai usar todos os meios à sua disposição contra o movimento laboral e sindical – a propaganda massiva dos meios de comunicação privados, a repressão estatal e os neo-nazis da Golden Dawn – no caso de uma “emergência”. Mas o poder organizado do povo trabalhador é infinitamente maior. Para que esta acção possa ser implantada com sucesso, o movimento dos trabalhadores precisa de ser democraticamente organizado a partir das bases, através de comités de greve e associações de bairro, a todos os níveis e ligados a nível nacional.

E precisa que a esquerda faça o que deve fazer. O SYRIZA (Coligação da Esquerda Radical), que está em segundo nas sondagens, deve indicar direta, aberta e corajosamente, que seu objetivo é a queda imediata deste governo de austeridade, através do desenvolvimento de uma greve de massas e movimentos sociais de massas. A posição frequentemente defendida por alguns líderes SYRIZA, que “nós não podemos dizer ao movimento sindical o que fazer” é um subterfúgio. Afinal, o governo da Nova Democracia e o PASOK sempre colocaram as suas posições no movimento sindical. Assim, com base em que argumentos pode o SYRIZA afirmar que não é o seu trabalho interferir com o movimento sindical?

O SYRIZA tem que assumir a responsabilidade política de uma campanha massiva de acção colectiva para forçar a remoção do governo da Troika e aumentar a perspectiva de um governo de esquerda. O SYRIZA precisa de se comprometer com a luta efectiva para derrubar o governo ND / PASOK / DL e substituí-lo por um governo de esquerda que, no mínimo, abertamente se comprometa a:

  • Reverter todos os cortes e as medidas laborais tomadas pelo atual governo;
  • Readmitir todos os trabalhadores despedidos;
  • Retornar para a propriedade pública (nacionalizar) todas as empresas privatizadas;
  • Introduzir o controlo social e a gestão dos trabalhadores no sector público, em condições de total transparência, para pôr fim à má gestão e corrupção.

Toda a esquerda – SYRIZA, KKE (Partido Comunista Grego) e a Esquerda “extraparlamentar” – precisa de lutar junta, numa frente unida, pelos objectivos acima referidos. Devemos lutar por um governo de esquerda que se comprometa a levar a cabo políticas socialistas para acabar com a crise económica e social catastrófica e os ataques de austeridade sem fim. Estas medidas socialistas precisam de ter como pilar a nacionalização dos grandes bancos e sectores estratégicos da economia, de modo a que o povo trabalhador possa democraticamente planear a economia para as necessidades da maioria.

Nesta base, as ações do Movimento dos trabalhadores gregos pode apelar para o resto do movimento europeu de trabalhadores, que também sofre com ataques de austeridade semelhantes, especialmente na Turquia, onde as massas estão actualmente a escrever a sua própria história. As nossas próprias lutas podem tornar-se um modelo e um catalisador para os trabalhadores em toda a Europa do Sul e em toda a Europa e internacionalmente.

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