Venezuela: Abaixo o Golpismo e a violência sectária contra o povo

É hora de aprofundar a Revolução Bolivariana ou a direita derrotar-nos-á

Declaração pública do Socialismo Revolucionario (CIT na Venezuela)

O resultado eleitoral do passado dia 14 de Abril, não só aprofunda a polarização política, mas é uma situação de fractura do país.

Nesta situação, a oposição de direita pró-capitalista. Que é a mesma que deu o golpe de Estado de 2002. Quer tirar proveito da conjuntura para a desestabilização e promover uma rebelião civil-militar que termine com o processo bolivariano.

A ameaça de golpe de Estado e a nova situação da revolução Bolivariana.

O governo de Nicolás Maduro, denunciou perante a comunidade internacional e ao povo venezuelano que o apoia, que atrás da posição da direita de não reconhecer o resultado eleitoral, há uma manobra de estimular um golpe de Estado.

O governo denunciou também, que há uma guerra económica no país, sabotagem eléctrica e actos de violência que tenta estimular uma confrontação sectária que acabe por justificar inclusive a intervenção de uma potência estrangeira.

Mas a situação socio-política actual, é muito diferente da de 2000-2004. Nesse período havia um processo de crescente apoio popular ao governo de Chávez.

O Chavismo derrotou, durante todo esse período com grandes diferenças e maiorias, todos os intentos “eleitorais” que a direita nesse momento utilizou para Chavéz sair.

Ao mesmo tempo, a direito no seu desespero tentou ir pela via da reacção fascista do golpe de Estado. Essas acções tiveram uma resposta contundente dos trabalhadores e do povo, que se uniram como um só povo em apoio a Chavéz e à revolução Bolivariana.

A partir desse momento o Chavismo, consolida-se como fenómeno político, e tomam-se medidas políticas, sociais e económicas, que apresentaram o socialismo como alternativa política, social, económica e cultural.

No entanto, durante os últimos anos, a revolução Bolivariana estancou. Um processo de burocratização, debilitou o processo, ao ponto de uma direita derrotada no período 2002-2004, recuperar e conseguir reconquistar espaço de beligerância no parlamento nacional e obter nesta última eleição presidencial, capitalizando um descontentamento objectivo de sectores do povo, uma força social, que em termos eleitorais pela primeira vez iguala o chavismo.

Esta situação totalmente nova para a revolução, coloca-nos, a nós revolucionários, numa encruzilhada. Por um lado não podemos cair na armadilha da polirização e não reconhecer as falhas do processo. Por outro lado, não se pode desvalorizar um resultado eleitoral, onde seria um erro crer que os 7 milhões que apoiaram a candidatura da direita são todos burgueses.

Temos de adoptar acções concretas para derrotar a oposição de direita.

Perante toda esta situação, o governo não pode seguir no terreno da burguesia, que é a democracia burguesa. Hoje mais que nunca os discursos e denúncias da sabotagem, golpe de Estado, etc. têm de converter-se em acções concretas.

Seguir nesta camisa de forças da democracia burguesa, é continuar a permitir que a direita nos leve para o seu terreno da confrontação sectária, e pior, para a derrota definitiva de uma revolução, que bem que não foi socialista, não rompendo totalmente com o capitalismo, é verdade que se deu um passo em frente, que explica como em 14 anos, e com todas as falhas e debilidades, do processo bolivariano, ainda existe uma maioria popular importante que defende a ideia de uma revolução e das conquistas feitas nesses anos.

Por isso, desta tribuna, desde estas trincheiras de luta, como parte do amplo e diverso tecido social-revolucionário de esquerda-socialista. Propomos ao governo nacional e aos nossos irmãos e irmãs da classe trabalhadora e do povo, medidas que nos permitam aprofundar a revolução e derrotar definitivamente a oposição de direita.

Cremos que é necessária a crítica e a oposição, mas esta tem de vir das próprias fileiras do povo, dos trabalhadores sob uma perspectiva de mais revolução.

Não podemos crer e ser ingénuos que a classe política opositora, que é a mesma que nos governou por 40 anos, e nos levou a 80% de pobreza; e que hoje se apresenta como se fosse outra classe política, mas é a mesma. Vão resolver-nos os problemas fundamentais que eles mesmos nos criaram. Como sendo a insegurança, as desigualdades sociais, o estado burguês-burocrático e capitalista, entre todos os males que nos afligem.

Mas de igual forma, não podemos ocultar que de dentro das próprias fileiras da revolução bolivariana há elementos que não queram levar o processo até ao final.

Já o dizia o próprio Presidente Nicolás Maduro, na noite de 16 de Abril na cadeira nacional de rádio e televisão, quando se referia à sabotagem eléctrica; e disse que de entre as medidas que iriam ser tomadas para atacar a sabotagem seria tirar os corruptos e burocratas do sistema eléctrico como parte do aprofundamento da revolução.

Nestes termos então compatriotas, fazemos as seguintes propostas que não são nada de novo e colocamos ao debate e acção entre o povo e os trabalhadores, os movimentos sociais, sindicatos, organizações de esquerda; e cerramos fileiras em orientações destas características para derrotar, em primeiro lugar a direita e a reacção, e em segundo lugar, mas simultaneamente, o burocratismo e a corrupção dentro da Revolução Bolivariana.

O contrário, e com humildade e responsabilidade afirmamos, será ir para um confronto sectário do povo contra o povo, onde os grandes perdedores seremos nós os de baixo, os explorados e oprimidos de sempre.

Estas são nossas propostas:

Perante a guerra económica da direita

  • Expropriação de todos os monopólios e oligopólios privados. Nacionalizados sob o controle democrático dos trabalhadores e do povo organizado.
  • Nacionalização dos bancos sob controle democrático dos trabalhadores e do povo organizado.
  • Que se inicie um processo inédito no país e na América Latina, de uma economia planificada e centralizada e dirigida por comités de fábricas, empresa, comércios, indústrias com delegados eleitos em assembleias populares e sob revocação imediata, com participação directa dos trabalhadores e do povo.
  • Esta economia planificada, deve ser esse o fundamental do estado comunal, que deve ser organizado sob os mesmos princípios de organização antes mencionados.

Perante a guerra mediática

  • Nacionalização de todos os meios de comunicação, democratizando-os sob o controlo dos seus trabalhadores e pelo povo organizado, com total independência e autonomia, subordinados apenas aos interesses do povo e dos trabalhadores.

Perante a sabotagem eléctrica

  • Expulsão dos burocratas denunciados pelos seus trabalhadores e controlo democrático da indústria eléctrica pelos seus trabalhadores e comités de utentes de cada comunidade, paróquia e município.

Perante a tentativa de golpe

  • Mobilização do povo, organizado em comités de defesa das conquistas do processo bolivariano, tomando as fábricas, indústrias, armazéns de alimentos, meios de transporte, meios de comunicação públicos e privados, para serem defendidas e colocadas sob o controlo do povo.
  • Exigir às forças armadas um pronunciamento em defesa da revolução socialista, que os soldados de base tenham voz e votos na tomada de decisões e dos postos de liderança; que se democratize o exército.
  • Que se organizem milícias populares subordinadas aos concelhos comunais, às comunas e ao poder popular, sob a direcção de um programa revolucionário e socialista.
  • Apelar à solidariedade internacional dos trabalhadores e dos povos do mundo.
  • Atender às exigências do povo que votou na direita que são as exigências do povo que apoia a revolução. Isto é, entre outros, atacar concretamente a insegurança, o tema económico, a corrupção e o burocratismo.
  • Julgamento popular para os golpistas e desestabilizadores.
  • Mais nenhuma concessão à burguesia, sejam aliados ou opositores, não há burguesias aliadas do povo, a burguesia é a expressão social do capitalismo, seja neo-liberal ou com rosto humano.

Apelamos a todas as forças de esquerda, para além das diferenças com o chavismo, fazer uma frente revolucionária ampla em defesa das conquistas do povo e dos trabalhadores durante estes 14 anos e contra qualquer intento de golpe de Estado e de confrontação sectária entre o povo e os trabalhadores.

Estas fazem parte de muitas outras medidas, das quais estamos convencidos, que não só derrotaríamos a direita, como também, os elementos infiltrados na revolução bolivariana, aprofundar e levar a revolução bolivariana a uma revolução triunfante, que sirva de inspiração e força moral para os outros povos do mundo que estão na mesma luta contra o capitalismo, os opressores, a exploração e a miséria.

Hoje mais que nunca, tenhamos diferenças e é necessário abrir um debate de fundo sobre a revolução Bolivariana, mas perante a conjuntura actual temos de atacar juntos.

A derrota da revolução bolivariana, não será uma derrota da sua burocracia. Será uma derrota do povo, que desde 27 de Fevereiro de 1989, se levantou contra o neo-liberalismo e o imperialismo. Será uma derrota política-moral para os povos no mundo que se reveem na revolução bolivariana, apesar das suas debilidades e falhas, uma alternativa perante os ataques criminais do capitalismo que está na pior crise da sua história.

Socialismo ou barbárie

Por uma Venezuela livre, socialista e democrática

Por uma federação socialista e democrática dos povos da ALBA e de toda a América Latina

 

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