Seatle: Eleitores rejeitam agenda de direita

https://i0.wp.com/www.socialistworld.net/img/20121112Grafik7778375785826464249.jpgPreparar para Lutar contra as Políticas Bipartidas dos 1% Bryan Koulouris and Ty Moore, Socialist Alternative (CWI supporters in the US – 09/11/2012) Dezenas de milhares respiraram enormemente de alívio ao ouvirem que Mitt Romney e Paul Ryan não iriam para a Casa Branca. Sindicalistas, mulheres, Afro-americanos, Latinos e a comunidade LGBT identificaram correctamente a agenda Republicana como uma ameaça real e perigosa. A direita tentou roubar a eleição recorrendo à intimidação dos eleitores, supressão e uma postura pseudo-populista relativamente à economia nestas últimas semanas, gastando mais de um bilião de dólares em campanha, tentando marginalizar politicamente os pobres, jovens e todas as comunidades não brancas.

O voto em Obama não se comparou minimamente à campanha energética e estimulante de 2008. Este ano, o número de eleitores diminuiu 12 milhões comparativamente há quatro anos atrás. Muitas pessoas votaram em Obama como “o menor dos males” em vez de como o salvador visto em 2008, que traria “esperança” e “mudança”. O movimento Occupy Wall Street, no ano passado, teve um impacto nesta eleição, pondo em cima da mesa a discussão acerca da desigualdade económica entre “os 99% e os 1%”. Um grande foco denunciou os 6 biliões de dólares recorde gastos em “federal races”, indignando milhões de pessoas.

A mensagem do Occupy, contra a dominação corporativa, deu força a um ódio saudável contra o Sr. 1%, Mitt Willard Romney. Obama ganhou estas eleições, apesar do seu registo pro-corporativo. A Banca recebeu triliões de dólares em subsídios, ao mesmo tempo que serviços sociais eram cortados e milhões de famílias perderam as suas casas. Muitos eleitores anti-guerra apoiaram Obama, mesmo depois dos continuados bombardeamentos sobre civis em variados países, expandindo o modelo de Bush de uma Presidência imperial e irresponsável, atacando a Líbia e lançando drones à volta do Mundo, em ataques não discutidos pelo Congresso. Muitos dos eleitores de Obama ficaram profundamente desapontados pelo seu desempenho ao longo dos últimos quatro anos, vendo-o como a marioneta de Wall Street e dos 1% que ele realmente é. A administração Obama começou o seu segundo mandato sem o mínimo de força. As “bases” do Partido Democrata de entre sindicatos, não brancos, mulheres e comunidade LGBT, engoliram a sua raiva contra Obama durante as eleições, votando pelo menos mau.

Agora, com as eleições para trás, toda a raiva acumulada e a frustração prepara-se para explodir. A exigência de empregos, investimentos em energias limpas, na educação, direitos à habitação e soluções para a interminável lista de injustiças surgirá novamente. E mais uma vez, Obama irá colocar os interesses de Wall Street e das grandes empresas em primeiro lugar, provocando uma indignação fresca e oposição. O momento é crucial para a construção de novos movimentos de trabalhadores e oprimidos, independentes politicamente dos dois partidos das corporações.

Situação Alterada e Atitudes

Pela primeira vez, a nível nacional, eleitores em Washington, Minnesota, Maine e Maryland votaram a favor do direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, assinalando um ponto de viragem histórico na luta pela igualdade LGBT. Muitas outras questões progressistas foram a escrutínio popular, tendo ganho um pouco por todo o país, desde o aumento do salário mínimo à defesa dos direitos sindicais, passando por medidas contra a “guerra às drogas” racista.

Eleitores no Minnesota rejeitaram, por uma pequena margem, uma tentativa de alteração à constituição [desse estado] para introduzir as mais restritivas leis de votação do país. Isto mostra uma mudança na demografia a que se junta uma mudança de atitude entre os jovens e trabalhadores. Combinada com a fúria da classe trabalhadora, esta mudança servirá de base para movimentos explosivos no próximo ano. Romney baseou a sua estratégia maioritariamente numa sólida base eleitoral masculina e branca, especialmente no sul, e na esperança que houvesse grande abstenção. As tácticas Republicanas desde os anos 60 têm sido instigar ao medo e ódio nos eleitores brancos.

Esta estratégia será mais difícil de surtir efeito em eleições nacionais, uma realidade que ficará mais clara com as próximas eleições, à medida que a geração jovem atingir a idade de votar. Esta derrota eleitoral aumentará a crise latente no Partido Republicano, que será forçado a redefinir a sua identidade ou será reduzido a um partido minoritário permanentemente. Apesar de não ter ocorrido uma grande variação na composição do Congresso em termos partidários, vale a pena referir as trocas de congressistas Republicanos. Os Republicanos “moderados” do Maine e o “centrista” Dick Lugar abandonaram o cargo, assim como muitos dos mais radicais partidários do Tea Party.

Apesar das muitas derrotas do Tea Party, o balanço final de poder dentro da delegação Republicana no congresso virou ainda mais à direita, preparando-se para mais impasses políticos. No entanto, no discurso de vitória, Obama repetiu o seu velho apelo de “ultrapassar as diferenças” com os Republicanos. Na realidade, a sua cooperação encontra-se cinicamente orquestrada para encobrir as suas políticas marcadamente pró-corporativas, que serão reveladas proximamente.

Os dois partidos preparam cortes históricos na Segurança Social, Medicare e outros programas vitais, já antes do fim de 2012. Isto poderá levar à radicalização, protestos nas ruas e intensificar a luta. Neste contexto, haverá oportunidades para construir a resistência massiva da classe trabalhadora, campanhas eleitorais anti-corporações e um partido político dos 99%.

Construindo o Movimento Socialista num Novo Ambiente

O resultado histórico [27%] para a candidata do Alternativa Socialista [CIT nos EUA], Kshama Sawant no estado de Washington, mostra o potencial para a construção de um movimento anti-capitalista. Correndo abertamente como Socialista, Sawant conseguiu mais votos do que qualquer Republicano alguma vez conseguiu contra Frank Chopp, durante os 18 anos de carreira deste poderoso político Democrata.

Apresentando-se contra os cortes orçamentais, a evasão fiscal empresarial e apelando à propriedade pública da Boeing, Microsoft e Amazon, o desafio eleitoral da Alternativa Socialista ajudou a popularizar as ideias do socialismo democrático, ganhando 11096 votos da classe trabalhadora, os quais se projecta que cresçam para mais de 20000. Este resultado foi o maior destaque para candidatos locais de esquerda em 2012 e necessita de ser aproveitado.

Para tirar partido desta situação, precisamos de apelar frontalmente à resistência organizada contra os cortes, envolvendo centenas de milhares de sindicalistas, activistas do Occupy e das comunidades e jovens. Estas coligações necessitarão de se preparar para greves e acções directas massivas para defender a sua qualidade de vida contra os assaltos das grandes empresas. A partir destas lutas, poderemos semear as bases para o que é realmente necessário – um partido de massas da classe trabalhadora com um programa socialista.

Fora da esfera dos dois partidos principais, houve a ameaça do populismo de direita. Gary Johnson, o candidato presidencial pelo Partido Libertário, conseguiu mais de um milhão de votos, três vezes mais do número conseguido pela candidata de esquerda mais proeminente, Jill Stein do Partido Verde. Assim como as vitórias em 2010 do Tea Party, estes dados deixam antever o potencial para o crescimento de ideias populistas de direita, no caso dos movimento de trabalhadores e a esquerda falharem em construir uma alternativa política de massas contra o tão odiado sistema corporativo.

Estas eleições, que ocorreram no quinto ano de uma crise económica extenuante, mostraram uma polarização acentuada na sociedade norte-americana. Na sua raíz, esta divisão deriva da divisão de classe acentuada e do desespero crescente de dezenas de milhões de trabalhadores. Não existindo uma voz clara da classe trabalhadora nas eleições, a competição entre os políticos das grandes corporações deu uma visão distorcida à raiva de classe. Nesta situação, ideias de direita poderão ganhar apoio e nos últimos quatro anos temos assistido ao crescimento de grupos de ódio. Por outro lado, onde uma liderança arrojada de esquerda existe, a polarização de classes pode também levar as pessoas a considerar soluções de esquerda a longo prazo.

Existe uma busca generalizada por ideias que possam oferecer um caminho para fora da miséria capitalista encabeçada pelos dois principais partidos ao serviço das grandes empresas. Tal como a campanha da Alternativa Socialista com Kshama Sawant em Seattle ilustra, a sociedade norte-americana está a tornar-se cada vez permeável ao crescimento de ideias socialistas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s