Gaza: Parar o terrorismo de Estado Israelita!

Derrotar a desesperada ofensiva eleitoral de Netanyahu, Lieberman e Barak

Repórteres do CIT – 15/11/2012

(Este artigo foi escrito antes do cessarfogo entre o estado Israelita e Hamas, contudo mantem sua importancia politica)

O governo israelita declarou que o seu brutal e chocante ataque na Faixa de Gaza, “Operação Pilar de Defesa”, será uma “ampla campanha” e ameaça      com um “conflito prolongado”. De entre os seus ataques iniciais esteve o assassinato do líder militar do partido islâmico Hamas, Ahmed Jabari, e mais de dez outros palestinianos, quando uma terrível chuva de mísseis foi lançada do ar.

A ofensiva foi claramente destinada à escalada do conflito, com o regime de Israel a virar as costas ao acordo de cessar-fogo que tinha sido negociado apenas para parar ataques militares de ambos os lados. Assassinatos de palestinianos pelas forças armadas israelitas, nos últimos meses, têm desempenhado um papel vital na escalada dos conflitos no sul de Israel e Gaza.

Já alguns governos, incluindo por exemplo, a Grã-Bretanha, através do secretário de Relações Externas, William Hague, estão a culpar o Hamas como tendo a “principal responsabilidade” devido a disparos de rocket a partir de Gaza. Claramente, eles estão a preparar-se para repetir o silêncio dos poderes ocidentais durante anteriores ataques do regime de Israel a Gaza, como a “Operação Chumbo Fundido” em 2008-2009.

“Eu sou responsável por nós escolher-mos o momento certo para reclamar o preço mais pesado e que assim seja.” Esta foi a arrepiante mensagem do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Os palestinianos temem uma repetição dos bombardeamentos e invasão de Gaza, na Operação Chumbo Fundido, onde quase 1400 pessoas foram massacradas, incluindo 314 crianças, e estão num estado de pânico e terror. Há sinais ameaçadores de que uma invasão terrestre está a ser considerada, ao cancelarem a despensa de soldados israelitas e chamando de volta outros na reserva.

Bem como o terrível número de mortos e feridos palestinianos, após o assassinato de Jabari, três civis israelitas foram mortos na cidade israelita de Kiryat Malakhi quando o seu edifício foi atingido por um míssil palestiniano. Netanyahu e Co sabiam que o seu ataque traria este tipo de resposta, no entanto, o seu objectivo não era o de incentivar a paz e segurança para israelitas ou palestinianos, mas para servir os seus próprios interesses.

Em busca de votos

Num comunicado emitido a 14 de Novembro, o Movimento de Luta Socialista (a secção do CIT em Israel/Palestina) explicou que um factor chave para o timing deste ataque é a tentativa do governo de Israel de aumentar o seu apoio antes das eleições gerais marcadas para Janeiro. Ele pretende mostrar que está a fortificar a segurança em Israel. Nas últimas semanas, sondagens de opinião mostraram que o Likud Beytenu, o recém-fundado partido formado por Netanyahu e Lieberman, estava a perder apoio.

Assim, o Movimento de Luta Socialista argumentou, “o governo capitalista de Netanyahu está a fazer um esforço desesperado para mudar a agenda das eleições previstas para Janeiro, de forma a marginalizar os graves problemas sociais, sobre os quais Lieberman disse estar “farto de ouvir lamúrias”. Os assassinatos feitos pelo governo nos últimos meses tiveram um papel central na escalada do conflito no sul e em Gaza.

“A decisão do governo em responder a «rockets fora-de-rota» da guerra civil Síria retornando fogo, maximizando as ameaças de acções de retaliação militar ao lado das ameaças de acção punitiva contra a Autoridade Palestiniana [Cisjordânia], são tudo parte da campanha eleitoral de políticos nacionalistas falhados. Eles temem perder os seus lugares e estão dispostos a apostar as vidas de israelitas comuns.

O governo espera aprofundar ainda mais as divisões entre israelitas e palestinianos numa tentativa de ganhar mais votos. No entanto, esta é uma aposta particularmente arriscada, que pode definitivamente sair do controlo de Netanyahu, Lieberman e Barak. Ainda não é claro nesta fase qual será a escala dos ataques aéreos a Gaza por um lado. Um número de crianças e adolescentes de Gaza já pagaram com a vida na semana passada para a cruel campanha eleitoral do Likud Beytenu e do ministro da defesa Barak, e hoje, 14 de Novembro, outro bebé e mais uma pequena menina, inocente de qualquer crime, foram mortos.”

Os líderes dos principais partidos da “oposição” israelitas Yachimovich (Trabalhista), Lapid (Yesh Atid) e Mofaz (Kadima) foram rápidos a colocar-se ao lado do governo e a falar a uma só voz, sem qualquer sinal de reserva, pois eles nem sequer fingem oferecer alguma alternativa real à estreita, louca e perigosa agenda do actual governo.

Além dos seus objectivos de reeleição, os líderes israelitas querem cortar todo o ressurgimento de uma proposta palestiniana de reconhecimento da ONU no fim deste mês, antecipar-se a qualquer pressão para conversações de paz sobre o recém-eleito Presidente Obama nos EUA e tentar contrariar qualquer fortalecimento do Hamas como resultado das grandes mudanças e tensões na região – no Egipto, Síria, Líbano, etc.

O Movimento de Luta Socialista argumentou que o governo israelita está a apostar “que a ofensiva em Gaza não produziria fortes protestos regionais e internacionais. O governo espera explorar a guerra-civil Síria e a crescente tensão no Líbano de forma a dar um golpe ao Hamas em Gaza. Mas os desenvolvimentos na Síria e no Líbano não irão necessariamente prevenir o desenvolvimento de significativos protestos no Egipto com o apelo à defesa dos residentes da Faixa de Gaza contra outro banho de sangue na linha da “Operação Chumbo Fundido” de 2008-09.

Mas a sangrenta estratégia de Netanyahu, Lieberman e Barak pode fugir ao seu controle e virar-se contra eles por inflamar massivamente as relações entre os países e as suas situações internas, já há protestos e manifestações a irromper pelos países árabes e em todo o mundo, assim como nos territórios palestinianos. No Egipto, que faz fronteira com Gaza, um apelo para defender os residentes de Gaza está a ser feito em manifestações.

Dentro de Israel, o Movimento de Luta Socialista argumentou imediatamente que “a oposição aos planos de guerra de Netanyahu, Barak e Liaberman podia e devia ser organizada, também dentro de Israel e nos territórios palestinianos, de forma a prevenir uma maior escalada do conflito militar. Passos iniciais de protesto começaram a ser organizados e deviam ser alargados.”

Apelando a manifestações de protesto, o Movimento de Luta Socialista está também a apelar às organizações dos trabalhadores, incluindo a federação sindical Histadrut e os movimentos sociais, para que denunciem publicamente estes ataques, e para iniciarem e tomarem parte em protestos contra a mesma.

  • Parem a matança! Acabem com os ataques de mísseis e outros ataques a Gaza!
  • Não à guerra do governo das grandes empresas e colonatos israelita!
  • Fim do bloqueio israelita a Gaza. Abrir a fronteira Gaza-Egipto!
  • Pela retirada imediata do exército israelita dos territórios palestinianos.
  • Por uma luta de massas dos palestinianos, sob o seu controlo democrático, para lutar por uma libertação nacional genuína.
  • Pelo apoio da classe trabalhadora, em todo o Médio Oriente e internacionalmente, à luta palestiniana.
  • Por organizações independentes de trabalhadores na Palestina e Israel.
  • Por uma luta por governos de representantes dos trabalhadores e pobres que ponha fim à opressão, defenda os direitos democráticos e rompa com o capitalismo e o imperialismo.
  • Pelo socialismo democrático na Palestina, Israel e todo o Médio Oriente, com direitos democráticos garantidos a todas as minorias nacionais.
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