Lições de Valência, estudantes e a polícia

A 15 de Fevereiro deu-se  início uma série de manifestações contra os cortes no ensino em Espanha, estudantes do ensino secundário e superior saíram às ruas, de forma a demonstrar o seu descontentamento com a política de austeridade do governo. A resposta por parte da polícia foi extrema, uma reação de tal forma violenta contra estudantes, muitos com menos de 18 anos, que tornou  mesmo para os media mainstream difícil não tocar no tema da violência policial.

Os acontecimentos do mês de Fevereiro levantam duas grandes questões, que o Socialismo Revolucionário vê como essenciais. A primeira, naturalmente prende-se com os cortes no ensino público, a política de austeridade seguida cegamente na Europa, mostra-se incapaz de resolver qualquer problema. Em Portugal, os cortes no ensino são acompanhados pelo aumento do valor das propinas no ensino superior, e pelos custos do ensino básico e médio. Enquanto que o valor das propinas já ronda os mil euros, um valor incrível em comparação com a média europeia. No ensino básico e secundário, o valor exorbitante de manuais (que constantemente são alterados) e de calculadoras que rondam os 100€, por aluno, uma vez que não existe o mais básico, tal como, um banco de reutilização dos mesmos. Tendo em conta que o salário médio em Portugal ronda os 600€ mensais, é incrível ver a demagogia dos governos PSD/PS que falam em “distribuição de sacrifícios”, quando nem o mais básico foi capaz de fazer até agora.

No ensino superior, vê-se a falta de meios, enquanto que a Faculdade de Arquitectura da UTL admite que “não há dinheiro nem para os salários”. O Governo, e os Directores das Faculdades procuram soluções completamente artificiais como a já comunicada fusão entre a UL e a UTL em que nada acrescem às instituições, excepto, uma subida no “ranking” internacional de universidades.

A única solução para uma gestão eficiente das escolas e faculdades passa necessariamente pelas mãos de pais e alunos. A luta por uma participação democrática nestas instituições, e pela desburocratização das mesmas devem ser as prioridades. A escola da Pontinha é o exemplo, de que a sociedade não precisa do Nuno Crato e seus especialistas, tão pouco, de reitores que em nada se preocupam com as condições reais dos estudantes.

As associações de estudastes das faculdades, devem voltar a ter um papel real na vida política das faculdades, caso contrário, veremos o eterno rotativismo PS/PSD, que nas AEs torna-se em JS/JSD, ao invés de associações que lutem por um ensino democrático e de qualidade, vemos uma mera rampa de lançamento para os jotas. Cabe então, aos estudantes que não se vêem nestas maquinações políticas, a necessidade de se organizar e lutar por uma AE que seja realmente de todos os estudantes.

O caso dos computadores Magalhães, que tão bem já foi denunciado pelo deputado Bruno Dias do PCP. E as mais recentes novidades sobre o projecto Parque Escolar, põem a nu a real perspectiva que os governos PSD e PS tem da educação em Portugal, uma máquina de fazer dinheiro para algumas grandes empresas, e uma forma de se lançar e empregar boys do governo.

O segundo ponto a ser referido, é naturalmente a acção policial, em Espanha o ministro da Justiça alega que os agentes policiais foram “violentamente agredidos”, e o chefe de polícia de Valência defende que seu utilizou a força “física adequada”. Ao contrário do que eles dizem, não vemos imagens de polícias a serem agredidos, vemos antes, estudantes desarmados a serem violentamente reprimidos por agentes com equipamento do choque, bem como carrinhas blindadas a acelerar contra grupos de jovens.

Em Portugal, a reacção é, e será a mesma em caso de aumento da luta estudantil. As mais recentes actuações da polícia em frente à AR durante as manifestações, e a forma provocatória em que actuou, permitindo a entrada de fascistas junto ao corpo principal da manifestação no passado 21 de Janeiro, comprovam a forma ignóbil, em que as forças de segurança são orientadas a agir.

Neste sentido, é imperativo pensarmos em formas de actuação, que passem não só pela luta dos direitos e contra os cortes, mas também pela defesa dos activistas durante as manifestações, a violência favorece o Governo, que utiliza a retórica da segurança, de forma a instrumentalizar a opinião pública. Devemos então, agir de forma a expor este modus operandi das forças de segurança.

A participação activa dos estudantes a nível superior e secundário, dos pais no ensino básico, bem como a participação dos trabalhadores é o único caminho viável para uma educação de qualidade.

Contra as políticas economicistas dos governos PS e PSD, a favor de uma democracia real nas instituições de ensino.

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