A falência da União Europeia Capitalista

A União Europeia, e sobretudo a Zona Euro, foram desde a sua concepção projectos neoliberais. Friedrich Hayek, um dos mais reaccionários economistas pro-capitalistas, já tinha escrito em 1939 que a democracia traria problemas para a economia de mercado livre. A fim de evitar a influência da democracia e a luta popular sobre a economia capitalista, uma organização supranacional da política económica seria a melhor maneira de preservar os interesses económicos privados.

Há anos que a União Europeia é o instrumento por excelência para a implementação de políticas no interesse do capital, sem qualquer controlo público. Para o governos e os patrões nacionais, a Europa sempre foi a desculpa perfeita para uma política de direita, atacando sistematicamente os nossos direitos sociais, como a imposta privatização de serviços públicos, a liberalização de serviços, as reformas de Bologna, etc.

Mesmo se a nível nacional se escolhesse uma política diferente, a Europa não o permitiria. O mais recente exemplo foi a Grécia, onde o próprio Conselho proibiu o referendo sobre a austeridade, ou o facto que 2 chefes de Estado sob sua pressão foram substituídos por representantes da Goldman Sachs, na Grécia e na Itália. Na Grécia e em Portugal o conselho europeu ainda foi mais longe, impondo um programa de austeridade aos partidos da oposição ‘aceitável’ em troca de “ajuda”.

Como sabemos esta “ajuda” que a Europa dá aos países devedores é uma farsa. Em primeiro lugar, porque as origens das dificuldades dos países em dificuldades são baseadas na crise financeira e nas políticas europeias. A haver um culpado, seria a política monetária do Banco Central Europeu, a especulação dos bancos, a exportação da indústria norte-oeste europeia para os mercados do sul com base de crédito, um mercado livre sem a protecção para a economia local e uma política de baixar os salários alemães (e no Benelux) que prejudicou completamente a competitividade do Sul e arruinou a sua economia dentro do “mercado livre”. Esta situação permitiu que Portugal, Irlanda e Grécia se tornassem brinquedos no jogo dos especuladores e tiveram que pedir ajuda às instituições europeias para poder continuar a pagar a sua dívida.

Sobre esta ajuda há duas coisas importantes a dizer: a primeira, que esta ajuda não se destina a ajudar os países, mas que o dinheiro europeu se destina a pagar as nossas dívidas aos bancos franceses e alemães que tinham investido na periferia europeia. Esta ajuda é, portanto, dinheiro público do norte da Europa, que passa pelo sul da Europa para voltar aos bancos privados do Norte da Europa. O sul da Europa não vê nenhum desse dinheiro. Na verdade, seria mais claro se a Alemanha desse o dinheiro directamente aos seus próprios bancos, mas provavelmente seria ainda mais difícil explicar isso aos seus próprios eleitores. Para Merkel e a comunicação social dominante é mais fácil culpar os “corruptos e preguiçosos” do sul da Europa que culpar o sistema capitalista europeu.

Se o Sul da Europa, na prática, já não vê nada desta a “ajuda”, os povos do sul da Europa devem de as pagar bem caras, através de taxas de juro 4 vezes superiores àquelas fixadas pelo BCE aos bancos privados e o pelo desaparecimento completo de qualquer aparência democrática nesses países.

A governação passou para o FMI e o BCE, como se tratassem de colónias, perdeu-se a soberania popular e qualquer participação pública. A UE organiza uma guerra social sem precedentes que leva a população á pobreza. Na Grécia, já existem dezenas de relatos de alunos a desmaiar nas escolas por desnutrição, isto no berço da “civilização europeia”. E isto ainda antes da ultima onde de austeridade que cortara o salário mínimos com mais uma vez em 15%, de cerca de 700€ para 525€.

Esta política Europeia não é só associal e desumana. A política de austeridade que a UE hoje impõe, e foi decretada na ultima cimeira europeia em Bruxelas, só vai agravar os problemas. As contradições no seio da UE, consequências do sistema de Mercado, só irão aumentar ainda mais e vão tornar inevitável o colapso da zona euro nas condições existentes.
Uma união só pode existir com base na solidariedade e identidade comum. Uma União Europeia nos interesses da maioria da população só pode existir quando não se baseia no “mercado livre”, mas numa economia democraticamente gerida à escala europeia, que leva em conta os vários desenvolvimentos, com base numa política socialista. Isto obviamente parece algo muito utópico neste momento.

A luta social europeia unificada para o nosso bem-estar comum é um primeiro passo nessa direcção. Embora a luta social em primeiro lugar deve ser realizado localmente, um bom passo nessa direcção seria a unificação das lutas, a construção da solidariedade da luta numa escala internacional e a construção de um primeiro greve geral europeia contra as actuais politicas económicas.

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