Construir a resistência.

Métodos para avançar, organizar e manter o movimento

A manifestação de 21 de Janeiro e 11 de Fevereiro irão mudar alguma coisa? Não há dúvida que depois das grandes mobilizações do ano passado, a 15 de Outubro e posteriormente na greve geral, houve uma desaceleração nos movimentos sociais. Esta situação deu origem às mais diversas discussões sobre os métodos a utilizar dentro dos movimentos anti-capitalistas. Perguntamo-nos se estamos a utilizar a forma correcta de realizar acções e de utilizar slogans e até podemos entrar num pessimismo de pensar que isto de qualquer maneira não levará a nada. Como evitar este derrotismo? Haverá maneira de mudar o rumo da história?

Antes de tudo, consideramos que a discussão de tácticas, métodos e ideias e posteriormente aplicá-las em situações concretas, é crucial. Só assim poderemos determinar se estamos a utilizar os métodos correctos. Mas caso não tenhamos sucesso imediato, não nos devemos desiludir tão facilmente. Temos que ter em conta que não estamos numa situação única. Em todo o mundo estamos a assistir a um abrandamento nos movimentos de indignados e Occupy. A luta contra o capitalismo, a luta de classes, não evolui numa linha recta, tem seus altos e baixos. Para conseguirmos nos adaptar a esta situação variável é imprescindível a análise política e organização.

A análise é necessária para que possamos testar e construir ideias, mas também para que consigamos ter a percepção de como as coisas mudam. Sem análise política e económica do capitalismo provavelmente cairemos numa atitude fatalista, na qual os explorados não se mobilizam. Mas se discutirmos e entendermos como funciona o sistema capitalista, a probabilidade de cairmos no fatalismo será muito menor. Não só o capitalismo traz crises que lhe são intrínsicas, como naturalmente não consegue trazer uma solução para a actual crise da zona Euro; mais ainda, qualquer solução que tentam encontrar para esta crise, irá agravar ainda mais a situação e degradar o nível de vida das populações. Esta situação alerta-nos para o agravar da barbaridade de que hoje somos vítimas, mas também sabemos que trará mais pessoas para as ruas que não irão continuar a aceitar as actuais medidas.

Sem dúvida alguma, as assembleias populares ou eventuais novas estruturas que possam surgir terão um papel cada vez mais importante nas lutas nas quais iremos travar. Ainda que estas assembleias tenham de momento um carácter mais secundário e de certo modo desconectadas das populacões locais e também dos movimentos organisados contra as políticas capitalistas, sejam estes movimentos sindicais, sociais ou políticos, têm o potencial para tornarem-se em importantes bases de luta social. Por isso é importante que se mantenham activas, organizadas e coordenadas. Neste processo serão postos a prova os diferentes métodos e ideias.

A organização é necessaria por razões várias. Primeiro, para que se consiga trabalhar em conjunto de forma a que haja a capacidade real para a defesa das posições colectivas; alargar o movimento, passa por ganhar força através da acção colectiva. Igualmente importante é a discussão das ideias em conjunto, partilhá-las, e conseguir adaptar as nossas próprias, confrontando-as com as dos nossos companheiros de luta de forma a preservá-las em momentos mais dificeis. O encontro nacional das assembleias populares nos dias 14 e 15 de Janeiro em Coimbra foi um passo importante nesta direcção. Assim como a convocação pelo mesmo de um protesto a nível nacional a 12 de Maio.

Jonas R.

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