Massacre na Noruega – que podemos nós fazer?

Por Francisco d’Oliveira Raposo,
Membro da Comissão Executiva do
Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa
(a titulo pessoal)

As noticias do ataque bombista e massacre de jovens da juventude trabalhista norueguesa indignou e preocupou muita e muita gente. Para além do natural sentimento de solidariedade que naturalmente este brutal acontecimento provocou, muitos de nós perguntamos: como foi isto possível, como podemos evitar esta barbaridade?

Com rigor, as primeira noticias e comentários – aproveitando e cavalgando na enorme campanha de intoxicação contra o “outro” – apontam logo para uma atentado de fundamentalistas islâmicos. Um sujeito, que foi militar e que agora é o homem de serviço nos comentários televisivos, apontou logo a AlQueda ou Gadaffi como prováveis organizadores dos ataques na Noruega.

Mas a crua verdade é que foi Anders Behring Brevik , um extremista de direita, fundamentalista cristão que organizou e desencadeou o ataque com um apoio, segundo ele, de duas células de apoio.

Portugal é conhecido como um “país de brandos costumes”. Este mito, criado pelo Estado Novo, está profundamente arreigado na nossa mentalidade e mesmo muitos activistas políticos e sociais parecem acreditar nele. “Um evento deste nunca poderia dar-se em Portugal” dizem.

Será assim? Os assassinatos de José Carvalho e Alcindo Monteiro, as intermitentes ondas de violência racista, os bandos de nazi-skins, a existência de um partido legal com um discurso racista que sai à rua contra os imigrantes e em “defesa do homem branco” todos são sinais que indiciam que pode bem, não ser assim. Aliás a Noruega era tida como um oásis de bem estar, moderação e tolerância. Que podemos fazer, então?

Alguns dizem que nada. Dizem eles que tudo o que se faça para fazer frente à extrema-direita – dada a sua fragilidade eleitoral – é dar-lhes espaço e campo para a sua propaganda. Creio que estão errados, que é necessário agir colectivamente em defesa dos direitos democráticos.

Convido-vos a ler umartigo do militante socialista revolucionário sueco Per-Åke Westerlund. Ele analisa os tristes eventos da Noruega sob o prisma dos interesses da classe operária e demais trabalhadores.

Na verdade, como diz Per-Åke, Behring Brevik atacou a juventude trabalhista porque vê neles o futuro do sindicalismo norueguês. Ou seja, o seu objectivo foi atacar o movimento dos trabalhadores. Num tempo de crescente massacre social a extrema direita tenta crescer aproveitando-se do desespero que se abate sobre as grandes massas. Veja-se a onda de ataques racistas contra imigrantes em Atenas, nos dias seguintes à greve geral de Abril.

É pois, fundamental que os trabalhadores e suas organizações estejam vigilantes face ao perigo do recrudescimento de acções racistas e fascista, intensificando a luta e a resistência ao massacre social que vivemos, a verdadeira causa que produz este perigoso e horrendo fenómeno das ideias e organizações de extrema-direita, racistas e reaccionárias.

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