Noruega – Terrorista de extrema direita massacra 85 em acampamento de jovens

Como deve responder o movimento dos trabalhadores?

Per-Åke Westerlund, Rättvisepartiet Socialisterna (Partido da Justiça Socialista, CIT Suécia)

Ataque bombista a edificiosgovernametais també reinvidicado pelo extremista de direita

O extremista de direita Anders Behring Brevik massacrou jovens num acampamento na ilha de Utøya, nas redondezas da capital da Noruega, Oslo, chocando e horrorizando pessoas em toda a parte. Foi um acto de uma crueldade desenfreada dificilmente imaginável. A sangue frio, Behring Brevik matou a tiros 85 pessoas, principalmente jovens – adolescentes, principalmente – e feriu mais 67. Mais quatro potenciais vítimas em potencial ainda estão desaparecidas. Hoje, o choque e a tristeza domina Noruega. Muitas perguntas permanecem sem resposta. O que está por trás do terrorismo de direita? Como deve ser a resposta do movimento dos trabalhadores e socialistas?

Durante quase 10 anos, Anders Behring Breivik planeou o seu ataque, combinando as actividades de dois massacres anteriores – o homem-bomba de Oklahoma, Timothy McVeigh, e aqueles que realizaram o massacre da escola Columbine. Como McVeigh, Anders Behring Breivik construiu uma enorme bomba para denotar num prédio do governo. Como os mortos na escola em Columbine, Anders Behring Breivik abateu as suas jovens vítimas inocentes a sangue frio.

O ataque terrorista em Oslo foi concebido para obter a máxima atenção. A bomba reduziu a ruínas as ruas e bairros em torno dos edifícios do governo em Youngstorget. Especula-se que os escritórios do arranha-céus do primeiro-ministro pode ter de ser demolido. Sete pessoas foram mortas na explosão, mas a polícia ainda está à procura de vítimas adicionais.

Todos os recursos policiais da Noruega foram enviados para o centro de Oslo, enquanto Breivik passou o seu objectivo principal, acampamento da juventude da AUF (social-democrata) na pequena ilha Utøya. Behring Breivik disfarçou-se como policia fortemente armado encarregado de proteger a ilha do ataque. Uma vez lá, ele efetuou uma hora e meia de execuções a sangue frio, gritando “Vocês todos deveriam morrer!”, intercaladas com doentios gritos de regozijo.

Enquanto Behring Brevik levou meia hora para chegar ao acampamento, a polícia levou uma hora e meia ao local. Uma vez que que a policia chegou à ilha, Breivik rendeu-se imediatamente. Confessou imediatamente a autoria do tiroteio e do ataque bombista, negando que os seus actos fossem crimes.

Ódio ao “marxismo cultural” e à “colonização islâmica”

Poucas horas antes do ataque, Behring Brevik enviou um “manifesto” de direita com 1.500 páginas para destinatários seleccionados, e postou um vídeo no youtube. O “manifesto” também contém um diário que começou em 2002. Os dois títulos principais do “manifesto” indicam seus alvos: 1. “ O crecente Marxismo cultural” e 2. “A colonização islâmica”.

Behring Breivik odiava o marxismo, o internacionalismo, e o Islão. Ele descrevia-se na internet como “conservador”, em vez de nazi ou neo-liberal. Ele é um cristão praticante, foi maçom, e de 1999 a 2006 foi activo no Partido do Progresso,racista, até recentemente, o segundo maior partido da Noruega. Declarou a sua admiração pelo político holandês islamofobo Geert Wilders, e tentou iniciar uma filial norueguesa da notória English Defense League (EDL- Liga de Defesa Inglesa), grupo extremista muito activo na Grã-Bertenha Ele também foi activo no nordisk.nu o website nazi sueco.

O Partido Trabalhista (social-democrata), no governo na Noruega , e a sua organização de juventude, AUF, que para Behring Breivik representavam o movimento sindical, foi o alvo do ataque terrorista. Portanto, há grande necessidade dos sindicatos, socialistas e organizações de esquerda discutir esses acontecimentos e que tomem iniciativas.

A oposição conservadora não sabe o que dizer, limitando-se a frases vazias sobre a democracia e em defesa da Noruega.

No início, as forças da reacção tentaram colocar a culpa pelo massacre noutros. Na Suécia, o secretário de imprensa racista dos Democratascos, a 1ª página do jornal Dagbladet (último sábado), bem como o comentarista político, Brors Henrik, no Dagens Nyheter, rapidamente identificaram os islâmicos como responsáveis pelos atentados.

Agora, a comunicação social pró-sistema e os políticos só falam sobre o extremismo, em geral, evitando discutir as ideias e motivição do extremista de direita Behring Brevik. O Editorial do Dagens Nyheter, no último domingo (24 de julho), tentou igualar o massacre de Oslo a uma “ameaça” imaginária de “extremismo de esquerda”. De fato, tanto Behring Breivik como a Al-Qaeda representam ideias reacionárias e de direita – contra o movimento operário, os socialistas, os direitos democráticos e dos direitos das mulheres.

Os socialistas revolucionários opõem-se ao terrorismo de indivíduos e grupos, bem como se opõem ao terrorismo de Estado levado a cabo pelos pelo imperialismo dos EUA e seus aliados, incluindo a Suécia e Noruega.

Os ataques terroristas realizados na sexta-feira são tão chocantes para a Noruega como o 11 de Setembro foi nos Estados Unidos e o assassinato do primeiro-ministro Olof Palme foi na Suécia.

Na Noruega, a solidariedade com as vítimas de Behring Breivik foi expressa imediatamente quando os proprietários de barcos arriscaram suas vidas para salvar os jovens que saltaram para as águas do largo Utøya, fugindo do atirador.

Numa expressão de descrença generalizada e simpatia com os jovens assassinados, montanhas de flores foram colocados à porta das sedes dos social-democratas, noutros edifícios e nas igrejas. Existe um sinal do potencial dos trabalhadores e da juventude para agir em oposição ao terror de direita e do racismo e às condições sociais que lhes dão origem.

Movimento unido operário e laboral para cortar toda a ideias reaccionárias

O terrorismo é essencialmente um produto da sociedade. A antiga “estável sociedade do bem-estar” na Noruega e Suécia sofreram uma erosão, com o agravamento das disparidades sociais e de novas injustiças. Na ausência de campanhas das organizações de trabalhadores que unifiquem as pessoas na resistência ao neoliberalismo e ao sistema, como um todo, abre-se espaço para que os racistas e os extremistas de direita ganhem apoio, com acusações a bodes expiatórios convenientes. A direita populista, racista, neonazi e alguns fundamentalistas cristãos culpam os imigrantes, as minorias, os trabalhadores e os socialistas revolucionários/comunistas pela crise crescente na sociedade. Políticos do establishment abrem o caminho para este clima reaccionário, introduzindo políticas que resultam num tratamento duro dos refugiados e o enfraquecimento da solidariedade no seio da sociedade, com ataques sobre os doentes, deficientes, os desempregados e assim por diante.

Para cortar todas as ideias e organizações racistas e reaccionárias, e para minar o terreno fértil para o terrorismo de direita, é necessária uma campanha de luta unida do movimento operário internacional. É necessário combater o terrorismo, a guerra, a globalização capitalista e o racismo. A luta por condições de vida e um salário decentes e um Estado de bem-estar totalmente financiado por todos e para todos.

Isso começa agora, com mobilizações contra a extrema-direita e o terrorismo inspirado pela extrema-direita e apresentando uma alternativa socialista.

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