Por uma Frente Unida e um Governo de Trabalhadores.

Francisco d’Oliveira Raposo

O Socialismo Revolucionário tem vindo continuamente a defender a construção de uma alternativa dos trabalhadores. Defendemos uma frente unida entre os partidos e organizações de esquerda, incluindo o PCP, o BE e a CGTP-IN, Comissões de Trabalhadores e Utentes, Associações de Estudantes e outras organizações sociais populares. Tal frente poderá representar uma efectivo desafio às ideias da “inevitabilidade da austeridade”, e de que “todos temos de fazer sacrifícios, em nome de Portugal”, com que os partidos capitalistas e outras instituições, os comentaristas e a imprensa capitalista nos têm martelado.

Pensamos que o que se torna necessário e urgente é um movimento de massas que rejeite a ingerência do FMI e lute por uma alternativa a esta brutal austeridade que se desenvolve e reforça dia a dia.

Uma Frente de Unidade de Esquerda seria uma voz política que organizaria comícios de massas, concentrações e outras acções que rejeitem a chantagem do “voto útil” mas que também auxilie, amplie e suporte as batalhas de classe que se começam a travar nas ruas e nos locais de trabalho.

É também fundamental, no nosso ponto de vista, um programa mínimo de propostas alternativas – rejeição da negociata entre o Governo, os partidos capitalistas e o FMI/União Europeia, contra o pagamento das dívidas dos bancos privados, pelo investimento em criação de emprego e serviços socialmente úteis e públicos e apropriação pública e democrática dos bancos e empresas chave para controlar os recursos necessários para vencer a austeridade – programa esse que deverá ser aceite e comummente defendido pelos Partidos de esquerda nas próximas eleições.

Essa iniciativa abriria a possibilidade de uma alternativa governativa dos trabalhadores, para quebrar a ditadura dos mercados e do FMI e implementar medidas genuinamente socialistas.

É certo que o governo capitalista – seja qual for a combinação governativa que surgir nas próximas eleições – irá defrontar-se com uma resistência de muitas e muitas centenas de milhares de trabalhadores, jovens, precários e reformados.

Nem as eleições, nem a existência de um “governo de gestão” deverão impedir ou paralisar a mobilização dos trabalhadores e juventude. O movimento sindical, em particular, a sua Central de classe deverá, mal sejam divulgados os planos de saque do FMI, convocar uma Greve Geral de protesto como parte integrante de um programa sustentado de resistência e luta.

A ofensiva do FMI e do Capital assume facetas diferentes em diferentes países, mas é cada vez mais claro que é internacional. Por isso, a acção dos trabalhadores também necessita de passar as fronteiras e articular-se internacionalmente para enfrentar o mesmo tipo de ataques que se assistem por toda a Europa.

O PS é responsável por anos de políticas contra os trabalhadores. E o PSD e CDS-PP representam as mesmas políticas excepto, talvez, com maior ferocidade e ritmo de aplicação.

Um movimento de massas sustentado nos partidos de esquerda, no movimento sindical e nas organizações sociais populares, armados com um sério programa de democracia socialista apresentado às eleições, poderia ter um efeito de abalo profundo nas relações de classes em Portugal.

A forma anti-democrática e cínica que a ingerência do FMI assume, colocando mais austeridade e ataques aos trabalhadores e pobres, em cima de anos e anos de contenção salarial, redução de serviços públicos, desemprego, precariedade e eliminação de quase todos os ganhos da Revolução de Abril, tudo isto levado a cabo por um governo de gestão, mostra o carácter podre do regime capitalista! Na verdade o que nos está a ser imposto é um “golpe de estado” financeiro contra os princípios democráticos. Aos trabalhadores e jovens, aos reformados e pobres, é negado o direito de decidir sobre as suas próprias vidas.

O imperialismo e o capitalismo internacional apenas têm pobreza e ataques aos nossos padrões de vida para oferecer. Sem uma ruptura, não apenas com os governos, mas com o sistema que sustenta a ditadura internacional dos banqueiros e especuladores, a ditadura dos mercados e a luta por uma Europa de Democracia Socialista baseada no planeamento democrático da economia para dar resposta às necessidades de todos e não aos obscenos lucros de alguns, pode-se sair desta rota de miséria e desemprego que o capitalismo, o FMI, a UE dos patrões e os seus partidos nos têm para oferecer.

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