Médio Oriente mostra o caminho da luta

Enormes movimentos de massas abalaram o Médio Oriente desde o inicio do ano. Em quase todos os países da região, o povo veio à rua em protesto contra os altos graus de desemprego e a inflação dos preços alimentares. Levantaram-se contra o neo-liberalismo e os ditadores locais, suportados pelo imperialismo ocidental. Hoje os protestos continuam no Iémene, Síria, Argélia, Líbia, Marrocos… no Egipto e na Tunísia, o povo até já foi capaz de expulsar os seus opressores. Hoje estes movimentos encontram-se numa fase decisiva.

Inspirativos

Dia 21 de Janeiro foi o dia que marcou a primeira vitória do movimento, com a queda do ditador Ben Ali da Tunísia. Só 20 dias depois o seu colega egípcio também foi derrubado. Em ambos os casos os ditadores resignaram no momento em que a classe trabalhadora se juntou activamente aos protestos. As ondas de greves em ambos os países mostraram o poder e a convicção na vitória do mesmo povo.

Estes movimentos revolucionários foram a inspiração para a população empobrecida nos países vizinhos para também sair á rua. Levantamentos populares seguiram-se no Iémene, na Líbia, no Irão, no Bahrein, na Jordânia, na Palestina… Estes movimentos não caíram do céu. São o resultado de um cocktail explosivo de desemprego massivo e uma pobreza enorme, resultado das políticas neoliberais dos últimos 20 anos na região.

Nos últimos anos a resistência já tinha crescido, com várias greves e protestos em diferentes países. Mas o cocktail realmente explodiu agora depois dos efeitos da crise financeira e da subida dos preços alimentares. A revolta que vemos hoje é claramente uma revolta que vai além de exigências democráticas, é uma revolta com fins sociais.

Perigo

Mas é certo que o derrube de Ben Ali e Mubarak só é o primeiro passo no processo revolucionário. A troca de um ditador por outro membro da mesma elite não significa mudança. É certo que as políticas do governo transitório da Tunísia e do Egipto não darão resposta aos problemas sociais e económicos da população. Por isso não devemos ter confiança nestes novos governos chamados “democráticos”.

Os trabalhadores devem organizar-se nas suas organizações e nos seus bairros organizando a revolução para o passo seguinte. Este passo seguinte é a tomada do poder por eles próprios, controlando democraticamente a sociedade e a economia que é hoje controlada pelo imperialismo Europeu. Se o processo não puder ir além, pode seguir-se a derrota.

Solidariedade Internacional

Até hoje os movimentos revolucionários no Norte de África e no Médio Oriente já foram uma grande inspiração para o resto do Mundo. Mostraram ao mundo que o povo pode mudar as coisas quando sair à rua. O Egipto e a Tunísia mostraram que mesmo os regimes mais ditatoriais são fracos no momento que o povo sai à rua.Até ao Wisconsin, nos Estados Unidos, o movimento no Egipto foi inspiração nas lutas pelos seus direitos. Estes movimentos mostraram ao mundo que a imagem de um ocidente “democrático” e um mundo árabe “ditatorial” era falsa.

O imperialismo ocidental sempre esteve no lado dos ditadores, quando estes lhes garantiam o petróleo.  Nesse sentido verdadeiros socialistas não podem ter ilusões no imperialismo para a democracia, como na Líbia. Nem podemos defender ditadores como Gaddafi que se refugiam atrás da soberania nacional.

Neste mundo não existe uma guerra de civilizações, só existe uma guerra de classes. Nesta guerra os capitalistas europeus sempre estiveram do lado dos regimes repressivos. Nós, os trabalhadores temos de estar ao lado dos nossos companheiros que se levantam nesses países, construindo a luta internacional contra o capital.

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