Líbia – Não à intervenção militar

Pela vitória da Revolução Líbia!
Pela construção de um movimento independente dos trabalhadores e juventude!

Robert Bechert,
do Secretariado Internacional do
Comité por uma Internacional dos Trabalhadores

A decisão da maioria do Conselho de Segurança das Nações Unidas de aprovar uma zona de exclusão aérea imposta militarmente contra a Líbia, embora celebrada com alegria nas ruas de Benghazi e Tobruk, não é, de forma alguma, destinada a defender a revolução líbia. O crescente número de mortes civis face aos ataques aéreos s estão a conduzir um crescente questionamento de tais ataques e a desenvolver pressão sobre os governos, como o da África do Sul, que inicialmente apoiaram ou abstiveram-se na votação na ONU, e estão agora a distanciar-se do que está efectivamente acontecer. Quanto mais tempo esta situação persistir, mais as dúvidas e oposição se irão desenvolver. Já muitos trabalhadores, jovens e outros manifestam a sua revolta face à hipocrisia dos governos que proclamam a vontade de defender os líbios sem nada fazerem quando outros civis são mortos a tiro no Bahrein e no Iémen.  O silêncio das potências ocidentais sobre o apoio da Arábia Saudita na repressão sangrenta desencadeada pela elite do Bahrein confirma, aos olhos de muitos, que o que eles desejam na Líbia é dominar esse país rico em petróleo e torná-lo um estado-cliente.

Os revolucionários na Líbia podem pensar que esta decisão irá ajudá-los, mas estão enganados. A crescente disputa por posições e tensões entre os poderes de estão a participar no ataque revelam os crus cálculos económicos e políticos que estavam por trás da decisão das potências imperialistas. A intervenção militar não será, no verdadeiro sentido da palavra, uma linha de vida que possa “salvar” a revolução contra Kadhafi. As principais potências imperialistas decidiram que queriam agora explorar a revolução, ganhar o controlo sobre a sua direcção e, assim, e tentar substituir Kadhafi por um regime mais confiável (para eles e os seus interesses). E esperam que esta demonstração de força do seu poderio militar avise as massas árabes para não “irem longe de mais” nas suas revoluções.

Mas quase imediatamente se tornou claro que as esperanças das potências imperialistas numa rápida vitória está a desaparecer.  Por um lado, as forças em torno de Khadafi, de momento parecem estar aguentado firmemente, enquanto as forças rebeldes parecem serem incapazes de avançar à volta golfo de Sirte, e muito menos, de avançar para Trípoli.

Este é o pano de fundo as crescentes tensões entre os poderes atacantes, especialmente as discussões sobre quem está no controlo da operação, se a NATO devia ou não estar envolvida e qual deve ser o objectivo global.Alguns temem que se possam se envolver numa guerra terrestre,  ou a divisão do país. Tudo isto é agravado pelas rivalidades e concorrência entre as potências atacantes.  Ao mesmo tempo,  estando divididos sobre o que fazer, as potências imperialistas estão com medo dos efeitos da sua intervenção, tanto na Líbia como em todo o mundo árabe.

Face a um rápido avanço para o leste das forças de Khadafi, muitos no leste da Líbia ficaram da ideia de uma zona de exclusão aérea poderia ajudar a conter essa maré, mas essa não é a maneira de defender e alargar a revolução. Infelizmente, o impulso inicial da revolução em direcção ao oeste, onde vivem dois terços dos libaneses, não foi baseado num movimento, construído com base em comités democráticos que poderiam oferecer um programa claro para ganhar apoio das massas e dos soldados, enquanto travam uma guerra revolucionária. Isso deu a Kadafi uma oportunidade para se reagrupar as suas forças.

O impasse da revolução é simbolizada pela fraqueza da liderança auto-nomeada do “Conselho provisório Nacional de Transição” (CpTN), que é dominado pelos desertores recentes de Kadafi e elementos pró-capitalista.  Este corpo parece incapaz de apelar às massas na Líbia ocidental e está cada vez mais a contar com a ajuda das potências imperialistas. O que tem faltado é organizações independentes dos trabalhadores e da juventude da Líbia , que poderiam dar uma orientação clara para a revolução, a fim de ganhar os direitos democráticos, o fim da corrupção final e assegurar para a massa do povo líbio o controlo democrático e beneficio dos recursos do país.

Face ao rápido avanço para leste  das forças de Khadafi, muitos nessa área o leste da Líbia ficaram com ideia de uma  “zona de exclusão aérea” poderia ajudar a conter essa maré, mas esta não é a maneira de defender e alargar uma verdadeira revolução feita em nome dos interesses das massas de  trabalhadoras líbios. Já vimos falsas esperanças no poder de intervenção muitas vezes antes, por exemplo, em 1969, na Irlanda do Norte, onde alguns na esquerda achavam que o exército britânico iria proteger os católicos e fornecer um “espaço para respirar”. Apesar de a intervenção na Líbia inicialmente rechaçar um ataque em Benghazi, é evidente que os poderes atacantes,  com seus apelos crescentes para a remoção de Khadafi, já estão a começar tentar moldar o carácter de uma qualquer Líbia após-Khadafi. Para as classes dominantes dos EUA,   da Grã-Bretanha, da França e noutros países, o objectivo é um país aberto e flexível à exploração.

O regime foi capaz de desencadear um contra-ataque porque a orientação inicial da revolta em relação ao oeste,  onde dois terços dos libaneses vivem,  não foi baseado num claro apelo revolucionário às massas trabalhadoras.  Apesar do apoio das massa no leste, não havia nenhum movimento de massas organizado,  construído com base em comités populares e democráticos que poderiam oferecer um programa claro e ganhar o apoio da massa da população ocidental e dos soldados, enquanto travam uma guerra revolucionária.  Isso deu a Kadafi uma oportunidade para reagrupar as suas forças.

O apoio crescente à zona de exclusão aérea é uma inversão do sentimento expresso nos posters em inglês usados em Benghazi, em Fevereiro, que declaravam: “Não à intervenção estrangeira – Os líbios podem fazer isto por si”. Isto seguiu-se aos exemplos maravilhosos da Tunísia e Egipto, onde a sustentada acção de massa minou completamente os regimes totalitários. As massas líbias estavam confiantes de que a sua dinâmica iria garantir a vitória. Mas Kadafi foi capaz de manter o domínio em Tripoli, a maior cidade com cerca de 1,8 milhões de habitantes. A combinação desta relativa estabilização do regime e da sua contra-ofensiva conduziu à mudança de atitude entre a oposição sobre a intervenção externa o que permitiu à liderança maioritariamente pró-ocidental do “Conselho provisório Nacional de Transição” ultrapassar a oposição da juventude e pedir o auxílio do Ocidente.

No entanto, apesar das palavras de gelar o sangue do regime de Kadafi, não é de todo certo que as suas forças, relativamente pequenas, poderiam ter lançado um assalto em Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia, com cerca de um milhão de habitantes nos sues arredores. A defesa de massas da cidade poderia anular o ataque de forças relativamente pequenas de Khadafi, especialmente se combinadas com um apelo a essas forças que se juntassem à Revolução. Mas para que isto tivesse sucesso a Revolução teria de ser claramente vista com defendendo a liberdade política e oferecendo uma perspectiva de avanço para a sociedade líbia. Mas o CpNT é incapaz de o fazer e não existe um movimento independente dos trabalhadores e jovens que poderia dar essa direcção. Agora, se se mantiver o impasse e Khadafi mantiver-se no poder em Tripoli, isso poderá significar de facto uma separação que recua às entidades separadas que existiam antes da Itália ter criado a Líbia depois de 1912 e dos britânicos a terem recriado nos anos 40 do século passado.

Qualquer que seja o efeito imediato da “zona de exclusão aérea”, qualquer confiança depositada quer as Nações Unidas ou nas as potências imperialistas ameaça minar todas as esperanças e aspirações da verdadeira revolução que começou no mês passado. Isto porque os poderes que impuseram a ameaça de acção militar não são amigos das massas líbias. Até recentemente, elas estavam muito felizes para lidar e apoiar a classe dominante assassina de Khadafi, manter uma “parceria”, nomeadamente em matéria de petróleo e do gás da Líbia. Na verdade, no dia depois da decisão da ONU, o Wall Street Journal, propriedade de Murdoch, lamentava que “a estreita parceria entre os serviços secretos do líder líbio coronel Muammar Khadafi e a CIA foi cortada” (18 de marco de 2011). O jornal relatava que ” segundo um alto funcionário dos EUA” a anterior “parceria” foi “especialmente produtiva”, algo que é confirmado pelo material secreto dos EUA publicado pela WikiLeaks.

Contudo, a propaganda dos atacantes revela verdadeiramente a hipocrisia absoluta das principais potências imperialistas que apoiarem sem nenhuma vergonha os regimes ditatoriais e repressivos por todo o Médio Oriente. Não houve uma “pinga” de “zonas de exclusão aérea” ou de “protecção a civis” durante os ataques do governo de Israel a Gaza em 2008/9; pelo contrário: ficaram calados. Para milhões no Médio Oriente, a reacção dos EUA e da Grã-Bretanha aos ataques a Gaza, lado a lado com as invasões ao Iraque e Afeganistão, são as medidas pelas quais as suas intenções são julgadas

Agora, ao mesmo tempo que decidiam a Zona de Exclusão Aérea, os mesmos poderes que não fizeram absolutamente nada para impedir a Arábia Saudita e seus aliados do Golfo de desencadear a repressão “cada vez mais brutal da maioria da população do Bahrein e a tentativa de fomentar o sectarismo. Doze horas depois da decisão da ONU, as forças armadas de outro aliado regional, o Iémen, mataram a tiro pelo menos 39 manifestantes na capital, Sanaa. A ONU só foi capaz de tomar a decisão sobre a Líbia porque a Liga Árabe apoiou a zona de exclusão aérea. No entanto,  apesar de às vezes ter de reflectir, mal, a opinião popular,  este órgão não é, de forma nenhuma, representativo das massas árabes. É uma colecção de principalmente  autocratas reaccionários que se rege pela repressão,  como se viu recentemente no Bahrein e no Iémen. As potências imperialistas são muito claras quanto a não perturbar esses governantes.  Os ministros britânicos, por exemplo,  falam sobre a necessidade de “liberdade de expressão ” no Oriente Médio, tentando não mencionar a palavra “democracia”.

A”preocupação” de Cameron e Sarkozy referente à Líbia é, pelo menos em parte, motivada pela impopularidade doméstica e a esperança de que um sucesso no estrangeiro venha a reforçar sua posição. Cameron espera claramente um impulso semelhante ao que Thatcher teve após a sua vitória na guerra das Malvinas de 1983. Mas Thatcher conseguiu uma vitória militar rápida – a zona de exclusão aérea a operação não produzirá uma vitória militar semelhante. Sarkozy, após o desastre da sua política na Tunísia, que levou à demissão da ministra do Exterior francesa, precisa de uma “vitória” para levantar as suas sondagens de uma baixa votação na sua candidatura à eleição presidencial do próximo ano. Depois de inicialmente se opor à revolução na Tunísia e no Egipto,  Sarkozy agora, de repente, “suporta” a oposição da Líbia, e reconhece-a como governo legítimo, provavelmente a espreitar a oportunidade de ajudar as empresas francesas têm nas mãos de óleo e gás da Líbia.

Os zig-zags de Khadafi

Apesar da aproximação recente das potências imperialistas a Kadafi, o ditador manteve-se sempre um aliado de pouca confiança. Ao longo de seus quase 42 anos no poder, Khadafi zigzagueou na política, às vezes violentamente. Em 1971, ajudou o ditador sudanês, Nimeiry, a esmaga um golpe de esquerda que teve lugar em reacção à repressão anterior contra a esquerda, incluindo a proibição do Partido Comunista Sudanês, com um milhão de membros. Seis anos depois, Khadafi proclamou uma “revolução do povo” e mudou o nome oficial do país a partir da República Árabe Líbia para Jamahiriyah Árabe Socialista Popular da Líbia. Apesar da mudança de nome e a formação dos chamados “comités revolucionários”, isto não representou uma democracia socialista genuína ou um movimento em sua direcção. O povo trabalhador líbio e a juventude não dirigiam o seu país. Khadafi manteve no controle. Isso é destacado pelo papel cada vez mais importante que muitos dos seus filhos tinham no regime.

A primeira reacção de Kadafi sobre os dramático acontecimentos revolucionários deste ano foi de ficar ao lado dos ditadores, autocratas e corruptos.  Logo após a fuga de Ben Ali da Tunísia,  Khadafi disse que os tunisinos “sofreram uma grande perda”,  porque “não há ninguém melhor do que Ben Ali para governar”. Talvez revelando como ele via o seu próprio futuro,  Kadafi acrescentou que tinha esperança de que Ben Ali deveria governante “até morrer “.

Apesar de tudo não se pode ignorar que, desde 1969, com base nos rendimentos do petróleo e uma população pequena, houve uma grande melhora na vida da maioria dos líbios, especialmente em campos como a educação e saúde, o que explica, em parte, porque Khadafi ainda tem alguma base de apoio entre os população. Mesmo quando há uma crescente oposição à facção Khadafi, especialmente entre a população maioritariamente jovem e educada da Líbia, há também o temor sobre quem o poderia substituir e oposição a tudo o que cheira a domínio estrangeiro. Os líbios sabem a segunda estrofe do hino do Corpo de Marines dos EUA “nas costas da Líbia”, referindo-se á sua anterior intervenção em 1803. O generalizado uso pelos revolucionários da velha bandeira usada pela antiga monarquia dominante alienou aqueles que não querem voltar ao passado e foi usado por Khadafi para justificar o seu regime. O uso da velha bandeira também arrisca-se a alienar os líbios do oeste do país porque o ex-rei veio do oriente e não tinha raízes históricas na área à volta de Tripoli.

Mas estes factores não são uma explicação completa sobre porque Khadafi foi capaz, pelo menos temporariamente, de estabilizar a sua posição. Ao mesmo tempo que há uma insurreição popular no leste da Líbia, Khadafi foi capaz de manter a sua posição no ocidente, onde dois terços da população vive, apesar de enormes protestos em Tripoli e revoltas em Misrata, Zuwarah e umas poucas outras áreas. Isto é o resultado quer da forma como se desenvolveu a revolução quer da própria história da Líbia

O papel da classe operária

Ao contrário do que se passou no Egipto e na Tunisia, a classe operária na Libía, e até agora, ainda não começou a jogar um papel independente na Revolução. Além disso, muitos operários e outros trabalhadores são imigrantes que fujiram do país nas recentes semanas.

A ausência de um ponto focal nacional que, por exemplo, a União Geral dos Trabalhadores Tunisinos teve (apesar da sua liderança nacional ser pró Bem Ali), complica a situação na Líbia. O enorme entusiasmo revolucionário da população não tem tido, até agora, expressão organizada. O largamente auto-denominado “Conselho Nacional” que surgiu em Benghazi é uma combinação de elementos do antigo regime com elementos mais pró-imperialistas. Por exemplo, o porta-voz para o exterior do Conselho, Mahmoud Jibril, o antigo chefe do Gabinete Nacional de Desenvolvimento Económico da Khadafi, era descrito pelo embaixador dos EUA, em Novembro de 2009, como um “sério interlocutor” que “têm a perspectiva dos EUA”.

É fácil para Khadafi apresentar essas pessoas como uma ameaça para os padrões de vida libaneses e agentes de potências estrangeiras. Ao mesmo tempo, a sua propaganda só terá um efeito limitado, já que os padrões de vida da população pioraram e o desemprego cresceu (mantendo-se nos 10%) desde o fim dos anos do boom do petróleo de 1980e o começo das privatizações em 2003.

O uso da ameaça da intervenção imperialista por Khadafi juntou algum apoio e se o país acabar dividido irá ganhar mais ainda. Quanto tempo isso poderá suster Khadafi é outra questão. Juntamente com a retórica anti-imperialista, Khadafi fez concessões para manter apoio. Cada família recebeu o equivalente a 300€. Alguns trabalhadores do sector público tiveram aumentos salariais de 150% e os impostos e taxas alfandegárias sobre os produtos alimentares foram abolidos. Mas essas medidas não respondem às exigências de liberdade ou colocam fim à crescente frustração da jovem população líbia, com uma idade média de 24 anos, face ao sufocante domínio do regime e à corrupção.

Khadafi usou a ameaça de intervenção imperialista de dividir o país e recolheu algum apoio.  Agora ele pode ganhar mais apoio se os ataques aéreos prosseguirem e alargarem sobre alvos civis, como aconteceu na Sérvia em 1999,  e se o país realmente for dividido.  A promessa de Nadai que, “Se for preciso, vamos abrir todos os arsenais”, indica que ele pode tentar apoiar-se nos sentimentos anti-coloniais e simplesmente tentar ameaçar o imperialismo de que é “ele ou o caos”. Kadhafi vai tentar garantir que ele ou sua família mantenham as rédeas do poder, mas uma derrota iminente poderia persuadir os mais altos de seus  funcionários a abandonar o navio e juntarem-se ao CpTN.

Por todo o mundo, milhões de pessoas seguem, e são inspiradas pelas revoluções no Norte de África e no Médio Oriente. Estes acontecimentos inspiraram protestos contra os efeitos da crise contínua do capitalismo em muitos países. Por causa disso e do avanço das forças de Khadafi sobre Benghazi, houve apoio popular em alguns pais à “zona de exclusão aérea” mas esta já começa a ser questionada à medida que continuam os bombardeamentos. Mesmos os dirigentes da Liga Árabe estão a tentar desviar-se a sua própria colaboração estreita com o que está a acontecer.

Como apoiar a revolução?

Mas, então, que pode ser feito internacionalmente para apoiar genuinamente a Revolução Líbia? Em primeiro lugar, não pode haver suporte à “zona de exclusão aérea” e à intervenção militar. Não é do interesse do povo líbio. Por si só a “zona de exclusão aérea”não conduz automaticamente ao derrube de Khadafi. Na verdade, como no caso de Saddam Hussein, poderia consolidar sua posição por um tempo nas zonas do país controladas pelo seu regime, desde que a intervenção não passe à ofensiva terrestre.

No entanto, o crescimento de apelos ocidentais não-oficiais para a “mudança de regime ” mostra que sectores das potências imperialistas estão a procurar usar a sua intervenção para criar um regime-cliente que, esperam, extinga o fogo da revolução, pelo menos na Líbia. É por isso que o apoio por parte de alguns esquerdistas a esta intervenção é um equívoco e um perigo. Esse apoio representa o perigo não só do descarrilar da revolução, mas também de alienar os líbios que, apesar de não apoiarem plenamente Khaadafi, verdadeiramente desejam combater o colonialismo e o imperialismo.

O ataque iminente a Benghazi claramente fez em pânico uma parte da esquerda internacional, desde os membros do grupo GUE / NGL no Parlamento Europeu, o Die Linke, na Alemanha, o Bloco de Esquerda em Portugal, alguns dos seguidores do falecido Ernest Mandel na IV Internacional (SI) e outros grupos menores. Um membro sueco do SI, André Malm, argumentou que se o governo de direita sueco enviar aviões militares, “irá colocar-se, – de fato- do lado da revolução”.Um pequeno grupo britânico, o Alliance for Workers ‘Liberty, argumenta que, ou os “socialistas quer resolver isto, uma questão de vida ou morte real,” e “pôr-se a isto, isto manifestar-se contra e fazer um esforço real para impedir uma acção militar limitada contra Khadafi, é dizer que os rebeldes em Benghazi que estão por sua conta”

Aqueles que na Esquerda argumentam que “não há alternativa realista” para parar os ataques de Khadafi estão precisamente a ignorar o que aconteceu na Tunísia e no Egipto, nomeadamente que um movimento de massas determinado das massas trabalhadoras e jovens podem derrubar uma ditadura. O apoio a uma intervenção imperialista age contra a construção de um movimento dessas características e além disso dá espaço de propaganda a Khadafi.

É verdade que a intervenção recebeu apoio no Líbia oriental. Mas também é verdade que quando as tropas britânicas entraram nas ruas da Irlanda do Norte em 1969 e quando o exército indiano entrou no Sri Lanka em 1987. O CIT, embora compreenda esses sentimentos, também compreende que eles não duram sempre e está, não só contra as intervenções militares mas por um programa para a construção de um movimento dirigido pela classe operária que possa apresentar uma saída socialista para a crise.

Depois de um compasso de espera, a direcção da Quarta Internacional (QI) distanciou-se dos seus membros, especialmente na França e Suécia, que apoiaram a decisão da ONU e declarou que a QI opõem-se à intervenção militar na Líbia. Contudo, os dirigentes da QI não deram nenhuma indicação do que , além da solidariedade e do apoio prático, é necessário fazer na Líbia para defender a Revolução da clique de Khadafi, da intervenção imperialista e dos elementos pró-capitalistas que tentam limitar a Revolução no seu próprio seio.

Claro, a oposição a estes ataques imperialistas e a solidariedade prática aos trabalhadores e jovens líbios necessita de ser urgentemente organizada. Os sindicatos, a nível internacional necessitam de bloquear as exportações líbias de gás e petróleo. Os trabalhadores bancários devem procurar congelar os bens financeiros do regime de Khadafi.

Um programa revolucionário

Contudo, o destino da revolução será decidido dentro da própria Líbia. A sua vitória requer um programa que possa superar as divisões tribais e regionais e unir as massas da população contra a clique de Khadafi e pela luta por um futuro melhor.

Não pode haver nenhum apoio à intervenção imperialista, mesmo usando as cores da ONU. Os trabalhadores e jovens líbios dêem demosntrar nenhuma confiança face às chamadas potências “democráticas”. Têm sempre de se lembrar que até há poucas semanas atrás os EUA, a Grã-Bretanha, a França, etc eram amigos de Khadafi e ainda são amigos de ditadores aliados e de regimes degenerados por todo o mundo árabe.

Um programa para a revolução líbia que beneficie genuinamente as massas da população será baseado na conquista e defesa de verdadeiros direitos democráticos; o fim da corrupção e dos privilégios; a salvaguarda e desenvolvimento das conquistas sociais alcançadas desde a descoberta do petróleo; a oposição a qualquer forma de re-colonização e por um plano económico de propriedade pública e democraticamente controlado para usar os recursos do país para o futuro beneficio das massas do povo.

A criação de um movimento independente dos operários e demais trabalhadores líbios, dos pobres e dos jovens poderá implementar uma verdadeira transformação revolucionária do país, é a única forma de derrotar os planos imperialistas, acabar com a ditadura e transformar a vida do povo.

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