Prémio Nobel da Paz atribuído a Liu Xiaobo

Revista Shehui Zhuyi Zhe (Socialista) editada na China peolo CIT

O regime chinês irrita-se com
a selecção do preso autor da Carta 08

Original em chinês e inglês em Chinaworker.info

No ano passado, o Prémio Nobel da Paz foi atribuído ao presidente Obama. Ele está a caminho de gastar mais com a guerra do que qualquer presidente dos EUA desde 1945. Este facto, por si só, diz muito sobre a lógica por trás do duvidoso Prémio Nobel e os cálculos geopolíticos que influenciam a sua selecção.

Liu Xiaobo é um dos mais conhecidos dissidentes chineses. O site chinaworker.info e os partidários do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT) pedem a libertação de Liu desde a sua prisão em 2008 e a brutal sentença de prisão de 11 anos a que foi condenado a 25 de Dezembro do ano passado. Da mesma forma, exigimos a imediata libertação dos milhares de presos políticos na China, cujo destino é quase sempre ignorado pelos governos capitalistas estrangeiros e pela comunicação social na sua pressa indecorosa para tirar proveito da crescente economia da China. Neste sentido, o prémio Nobel da Paz atribuído a Liu este ano pode desempenhar um papel útil no aumento da consciência pública.

As prisões e “Campos de reeducação” da China estão cheias de presos políticos cujas opiniões têm-os levado a ficar sob a alçada da ditadura do partido único. A repressão é pior hoje do que em qualquer momento, há mais de uma década. Como veterano repórter sobre a China, John Pomfret, refere no Washington Post (8 de Outubro): “Embora a China aparentemente pareça forte, com a maior taxa de crescimento económico a nível mundial, os processos por “crimes contra a segurança do Estado” estão a aproximar-se de números não eram vistos desde a sangrenta repressão aos protestos liderados por estudantes na Praça Tiananmen, em 1989. “

Cada vez mais, a atenção do aparelho de segurança nacional tem caído sobre a esquerda emergente na China: os socialistas, os maoístas e os anti-capitalistas. Recentemente, um advogado que simpatiza com o maoísmo, Zhao Dongming, foi processado por ajudar várias centenas de trabalhadores migrantes na província de Shanxi a organizar um sindicato para lutar por seus direitos. O seu caso não atraiu qualquer publicidade na comunicação social mundial.

Liu Xiaobo não está entre esses, estando firmemente ancorado à direita do espectro político. Ele é um liberal pró-EUA, cuja “Carta 08″ não proclama apenas a defesa dos direitos democráticos, com que os os socialistas estão plenamente de acordo, mas também exige uma mais rápida privatização e outras medidas pró”mercado livre” ou seja, medidas capitalistas. Isso não condicionada, de maneira nenhuma, o nosso apoio à sua libertação da prisão. Embora não subscrevamos as ideias políticas de Liu, que acreditamos representar uma política equivocada para os trabalhadores e os pobres, defendemos o seu direito de expressar e fazer campanha por essas ideias.

É paradoxal que Liu Xiaobo, que Pomfret descreve como parte da “oposição leal” ao Partido Comunista, tornou-se um grande problema diplomático e político para o regime. Ao invés de um convite à mudança revolucionária, a Carta 08, pela qual Liu foi preso, foi produzida sob forma de conselho para que o regime se “reforma-se”

Sem dúvida que a decisão do comité norueguês do Nobel reflecte factores geopolíticos, por muito que isso seja negado. Talvez também a comissão pretenda resgatar a sua imagem manchada após a adjudicação controversa a Obama em 2009. A China emergiu da primeira onda da crise capitalista global fortalecida económica, diplomática e militarmente. O seu papel mais assertivo no campo de relações capitalistas globais e a intensificação da concorrência, com o continuar da crise, levará, inevitavelmente, ao desencadear de novos conflitos com outras potências, com a União Europeia, o Japão e,em particular, o capitalismo dos EUA

Pese embora os políticos de topo dos países ocidentais, em geral, ignoraram as questões dos ‘direitos humanos’ ao longo dos anos na pressa de assinar acordos com o regime chinês, isso pode estar prestes a mudar significativamente. A fim de reforçar a sua mão no jogo dos conflitos estratégicos – sobre a moeda, os mercados e as esferas de influência – as “democracias” capitalistas do ocidente estarão mais preparadas do que antes para abordar hipocritamente questões de democracia e direitos humanos. A decisão de atribuição Liu Xiaobo o Prémio Nobel está em sintonia com esse padrão emergente.

Previsivelmente, Pequim criticou a decisão do comité do Nobel como uma “profanação”, uma “obscenidade”, e uma violação dos princípios do Prémio Nobel (!!). Antes da decisão de sexta-feira, o regime chinês exerceu pressão sobre o governo da Noruega e o comité Nobel. O chefe do Instituto Norueguês do Nobel, Geir Lundestad, disse que foi avisado por um alto funcionário chinês que as negociações comerciais entre Oslo e Pequim podem ser prejudicados como poderia ser afectada a vontade da China para comprar petróleo no mar da Noruega e tecnologia de exploração de gás. Desde o anúncio de sexta-feira, a notícia do prémio para Liu Xiaobo foi bloqueado nos média chinesa.

Ao mesmo tempo, os políticos capitalistas em todos os lugares estão a emitir declarações moralistas e hipócritas sobre esta questão. “Esta decisão representa a defesa dos direitos humanos em todo o mundo”, disse o chanceler francês, Bernard Kouchner. Este é o mesmo governo francês, que está a orquestrar uma campanha racista da perseguição e expulsão de ciganos.

Os socialistas revolucionários lutam pelos direitos democráticos, pela liberdade de expressão, e pelo fim à repressão e à censura, deixando claro que se opõem as ideias pró-capitalista que Liu Xiaobo representa. Embora este prémio, traga certamente o foco de alguma atenção muito necessária sobre a questão da repressão na China, acreditamos que a criação de verdadeiros direitos democráticos só pode vir da luta de massas dos trabalhadores e dos camponeses pobres na China e no exterior. Não depositamos nenhuma confiança nas instituições burguesas, nos seus governos ou prémios politicamente questionáveis para fazer avançar esta luta.

• Libertação de Liu Xiaobo, Tan Zouren e outros presos políticos!
• Por um movimento de massas, democrático e socialista dos operários e camponeses contra a ditadura e a repressão!

Para mais informação: Liu Xiaobo e do alargamento a repressão chinesa (em inglês)

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