Grécia Centenas de milhares em greve do sector público contra o selvático plano de austeridade

Posted on 16 de Fevereiro de 2010 por

1


O Plano de Salvação da UE trás implacáveis medidas contra os trabalhadores – a resistência de massas  dos trabalhadores deve continuar!

Andreas Payiatsos, Xekinima (CIT na Grécia), Atenas

Centenas de milhares de trabalhadores do sector público entraram em greve na Grécia, no passado dia  10 de Fevereiro, numa espectacular e impressionante manifestação de força contra o pacote social do governo social-democrata do PASOK de cortes sociais draconianos.

Estimasse que a participação rondou os  75% dos trabalhadores do sector público, subindo para 90% entre as maiores concentrações de trabalhadores no sector estatal. Duas manifestações de sindicalistas e trabalhadores tiveram também lugar  em Atenas, apesar da forte chuva, com um total de cerca de 15.000, o que foram grandes manifestações em relação aos protestos semelhantes nos últimos anos, particularmente devido às más condições meteorológicas.

A greve dos trabalhadores do sector privado convocada para para 24 de Fevereiro irá agora transformar-se  numa greve geral 24 horas, já que o Sindicato dos trabalhadores públicos “(Confederação ADEDY) decidiu aderir.

Há uma raiva generalizada e profunda contra os ataques planeados ao emprego, salários, condições e pensões e aumentos de impostos. As medidas de austeridade incluem um congelamento dos salários do sector público e cortes graves em suplementos, que constituem uma grande parte dos salários do sector público grego (por vezes até 90% do salário formal), pesados impostos sobre combustíveis, tabaco e álcool, e a substituição de apenas um em cada cinco dos trabalhadores que deixam o serviço público, o aumento em dois anos da idade da reforma, em média, e com idade superior a 65 (idade da reforma agora formal) por dar “incentivos” para os trabalhadores a permanecerem mais tempo no emprego (esses incentivos significam a redução das pensões para forçar os trabalhadores  a permanecer trabalhando por mais tempo. Jornalistas estrangeiros descreveram as principais marchas da última quarta-feira como um “rio de fúria.”

Um trabalhador comentou: “O que eles estão tentando fazer é roubar– nos os direitos que conquistamos na luta, direitos como a jornada de oito horas e uma pensão digna após uma vida de trabalho. Esta é uma crise que vai tornar os pobres ainda mais pobres e os ricos ainda mais ricos. É totalmente injusto “. Mas o clima é misto, com alguns trabalhadores também expressando renúncia e até mesmo desespero. Muitos trabalhadores também estão atordoados com o rápido desenvolvimento e profundidade da crise económica da Grécia. Os dirigentes da federação sindical ADEDY (dos funcionários públicos), que convocou a greve, dizem que se opõem pacote de austeridade do governo selvagem, mas não apresentam um programa concreto para os trabalhadores derrotarem os ataques ou oferecem uma alternativa real aos cortes. Muitos activistas experientes dizem que a greve foi convocada principalmente para “desabafar” e pouco mais.

Sondagens do  PASOK’s

Embora o PASOK ( o Movimento Socialista Pan-Helénico, no governo ) seja  responsável pelo drástico plano de cortes sociais, ainda detêm cerca de 40% de apoio nas sondagens de opinião mais recentes, em comparação com a oposição, a Nova Democracia (ND), que está definhando em torno de 30% . Este resultado é aproximadamente o mesmo que os dois principais partidos do sistema receberam há seis meses atrás, quando o PASOK substituiu o odiado governo do partido direitista. Os principais partidos da esquerda, o Partido Comunista e SYRIZA, têm à volta de 7% e 4%, respectivamente.

Como pode ser explicado que o PASOK mantenha a intensão de voto  de hoje – no meio de uma profunda crise económica, planos de cortes sociais e enormes protestos e greves? A verdade é que a classe dominante grega teve muita sorte (ou foi muito precisa no planeamento de eleições antecipadas) sobre o timing do derrube da Nova Democracia no governo. Se o odiado governo da ND  tivesse permanecido no poder e anunciado  cortes semelhantes aos dos anunciados pelo PASOK, a situação na Grécia, teria sido muito mais explosiva. Um governo de Nova Democracia que fez cortes sociais no início de 1990 provocou grandes movimentos de massa e abalou a sociedade.

Em vez disso, o actual governo do PASOK tem conseguido, parcialmente, até agora, colocar a culpa pelos problemas económicos do país no governo anterior da ND (que escondeu a verdadeira e enorme dimensão da dívida grega) e as políticas da UE e da zona do euro (que estreitam as opções que possui o PASOK para lidar com a crise), e da acção predatória dos especuladores de fundos de risco que apostam na suspensão do pagamento da dívida da Grécia.

O primeiro-ministro George Papandreou, diz que o PASOK não teve outra escolha senão de renegar as promessas de campanha eleitoral, a fim de combater 300 mil milhões de euros da dívida pública da Grécia,, comprometendo-se a reduzir o défice orçamental de 12,7%, para o limite admissível de 3% da zona euro até o final de 2012.

O governo do PASOK também anunciou algumas medidas populistas contra os ricos, incluindo atacar a evasão fiscal, que é um problema enorme na Grécia, e afirmando que o governo vai impor impostos aos sectores mais ricos da sociedade (por exemplo, anunciou a tributação sobre os bónus dos executivos de banco e financeiras de 90%). Essas políticas são, também, até onde as principais federações sindicais estão preparadas a ir, de momento. Dos dois principais partidos de esquerda, apenas a coligação  SYRIZA (da esquerda radical), avançou com a exigência de nacionalização dos bancos ou re-nacionalização dos sectores da economia do sector estatal, sob controle e gestão dos trabalhadores. No entanto, estas propostas estão, em geral, enterradas em artigos de jornal e os dirigentes do SYRIZA não as referem quando falam na televisão, por exemplo. Isto significa que a maioria dos trabalhadores não sabem que reivindicações apresenta a SYRIZA.

O Partido Comunista Grego (PB), em contraste, que tem um maior apoio eleitoral do que SYRIZA e uma base mais sólida na classe operária w nos trabalhadores na sociedade grega, usa uma fraseologia forte e arrojada para dizer que os trabalhadores devem derrotar os ataques do governo, da UE e os patrões. Mas o PCG não explica como parar os ataques – não faz propostas concretas, quer em relação às reivindicações políticas e de classe ou em relação à forma como a luta se deve desenvolver. Ao mesmo tempo, o PCG continua a aplicar tácticas de divisão sectária, organizando manifestações em separado, alegando que todos os outros (na esquerda e nos sindicatos), excepto o PCG, são agentes da burguesia.

Em contrapartida, os defensores do Xekinima (o CIT  na Grécia) claramente apresentam claramente uma alternativa socialista para a crise. O jornal Xekinima vendido durante as recentes manifestações em Atenas, tinha manchetes e artigos que chamavam os trabalhadores à resistência, para que “Os Patrões que paguem a Crise!”, pelo planeamento de uma série de greves gerais e exigindo “uma resistência socialista baseada nos partidos de esquerda “, explicando que” os partidos de esquerda na Grécia estão confrontados com responsabilidades históricas “. Essas reivindicações tiveram uma calorosa resposta dos grevistas, mesmo nos casos de trabalhadores que claramente se sentem “cansados” e um pouco desiludidos.

Xekinima invoca ainda mais detalhadas exigências públicas, incluindo, não aos  cortes nos salários, não aos ataques em matéria de pensões, não aumento dos impostos indirectos; parar de evasão fiscal por parte dos patrões; parar o reembolso da dívida, usando esse dinheiro para o investimento público, para aumentar os padrões de vida; fazer os patrões a pagar os 100 mil milhões  de euros roubados aos fundos de pensão dos trabalhadores, pelo de controle e gestão dos trabalhadores, parar a corrupção endémica no sector do Estado e nas grandes empresas, e nacionalizar todas as empresas privatizadas de serviços públicos e todos os sectores estrategicamente importantes  da economia.

Fiança da UE?

O anúncio feito pelo Presidente da UE, Herman Von Rompuy, na quinta-feira 11 de Fevereiro, que os líderes da UE chegaram a acordo em “ajudar” a Grécia a enfrentar a crise da dívida pode conduzir a esperanças e ilusões temporárias entre muitos trabalhadores gregos de que a crise pode ser superada e que talvez os piores cortes possam ser evitados.

No entanto, a acção da União Europeia não está a ser planeada no interesse dos trabalhadores, quer na Grécia ou de em qualquer lugar na Europa. Os países da UE temem que, se a Grécia foi autorizado a usar suspender o pagamento da dívida ou a deixar a zona euro, se possa espalhar o contágio para outros Estados da UE com grandes déficits públicos, incluindo a Espanha, Portugal e Irlanda, que os especuladores financeiros têm já em mira, e todo o projecto do Euro possa explodir.

Os patrões da UE também temem que se não tomar nenhuma medida ajuda à economia grega e deixá-la apenas com os cortes drásticos de austeridade do PASOK, bem como a contínua queda  económica na Grécia, isso poderá desencadear muito maior explosões sociais, movimentos grevistas e lutas de classe que poderiam espalhar-se  rapidamente para outras economias abaladas pela crise e, em geral, a toda a Europa.

Os detalhes do pacote de “resgate “ da UE ainda não foram apresentados, mas é claro, com base nas declarações de Van Rompuy que ele virá com “condições severas” implacáveis, garantindo que o governo do PASOK se cinge aos seus planos de austeridade. A chanceler alemã, Angela Merkell acrescentou que a Grécia não vai “ficar por conta própria, mas existem regras e essas regras devem ser respeitadas”.

Irá tornar-se claro  para a classe trabalhadora e a juventude na Grécia que as instituições da UE não irão fornecer um escape aos cortes selvagens. Na verdade, a raiva e a hostilidade contra a UE provavelmente irá crescer, já que esta instituição dos patrões irá exigir os ataques mais atrozes contra o povo grego.

Que defendemos?

Os apoiantes do Xekinima apelam  a resposta internacionalista da classe trabalhadora na Grécia, em articulação com os trabalhadores do resto da Europa, que enfrentam ataques e sofrimento similares. O Xekinima luta contra a UE dos capitalistas e por uma Europa unida e Socialista.

Para desenvolver o movimento contra o governo do PASOK e os ditames do clube de patrões da UE,  o Xekinima apela a mobilização grevista desde greves parciais a greves gerais de 24 horas e 48 horas, de todos os trabalhadores dos sectores  público e privado. Os planos para essas acções devem ser coordenados e desenvolvidos a nível local, regional e nacional. O partido governante PASOK, apesar de culpar todos menos a si próprio, pelos ataques que está a desferir contra os trabalhadores, não irá apresentar nenhuma saída.

Uma das tarefas fundamentais para os Socialistas Revolucionários na Grécia é a luta contra as tácticas da divisão de sectores da esquerda, na Grécia, em especial do PCG , e fazer campanha para uma “frente única” de esquerda, fundamentalmente, do PCG e da SYRIZA, para formar um poderosa resistência aos ataques social.

Isso precisa ser ligado a claras políticas socialistas para parar os ataques, e para o planeamento democrático dos trabalhadores e da gestão da economia para atender às necessidades dos trabalhadores, dos pobres e dos jovens – e não aos lucros – e para a construção uma sociedade socialista.

Xekinima apela para a construção de uma esquerda de massas, internacionalista e revolucionária na Grécia e de um governo dos trabalhadores “com claras políticas socialistas, para acabar com a crise e transformar os padrões de vida da classe trabalhadora e da juventude”.