Austrália – Incêndios Florestais

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Um desastre piorado pelo capitalismo

Anthony Main, Socialist Party (CIT na Australia), Melbourne

O número de mortes provocado pelos incêndios no Estado de Vitoria, no sudeste da Austrália, está neste momento em 170 e pode aumentar – este é o pior desastre natural da Austrália, muito pior que a Quarta Feira de Cinzas, em 1983, onde morreram 47 pessoas.

Entre os mortos está o jornalista reformado do Channel 9, Brian Naylor e sua mulher. Muitas dezenas mais de pessoas sofreram graves queimaduras ou foram intoxicadas pela inalação de fumos. Além destas trágicas mortes, mais de 750 casas foram destruidas e pelos menos 330.000 hectares de terra foram queimados. Moradores compararam as cenas de destruição com as consequências de uma guerra nuclear.

Os incêndios florestais mostraram alguns dos melhores exemplos de solidariedade humana conjuntamente com alguns dos piores exemplos do falhanço de uma sociedade orientada para o lucro. Histórias heróicas de pessoas comuns salvando vidas de desconhecidos já começara a emergir. Heroic stories of ordinary people saving the lives of strangers are just starting to emerge. Uma enfermeira que se encontrava de folga disse que tinha ministrado os primeiros socorros a queimados num abrigo improvidado porque os socorros não chegaram.

As temperaturas por todo o leste da Austrália subiram acima dos 40ºC durante o fim de semana. O calor era insuportável nos centros urbanos mas era como que o inferno nas áreas rurais onde um residente descrevia como “chuva de chamas”. Numa dada altura mais de 400 incêndios estavam incontroláveis por todo o estado de Victoria e quase 60 estavam também a ocorrem na Nova Gales do Sul.

A seca dos recentes anos e as altas temperaturas devidas às mudanças climatéricas conduziram a um marcado aumento de fogos florestais. Victoria atingiu o recorde mínimo de precipitação o que significa que o solo dos matos estava completamente seco. Embora não haja dúvidas que a seca contribuiu para os incêndios, é também verdade que muita da devastação poderia ter sido prevenida.

Os governos estatais e federal tentaram apontar a culpa para incendiários. Embora alguns deles possam bem ter sido começados por “engenhos incendiários”, a vasta maioria foi resultado das condições extremas. A questão é: fizeram os governos, estaduais e federais, tudo o que estava ao eu alcance para mitigar os piores efeitos dos incêndios?

Durante anos, comunidades rurais como Gippsland, Kinglake e Bendigo foram fortemente atingidas por cortes nos serviços públicos. Não foram apenas cortes nos serviços de saúde, educação mas os orçamentos dos serviços de bombeiros e de emergência também foram cortados Há uma severa falta de médicos, enfermeiros e pessoal de serviços de emergência nas áreas rurais e isto custou vidas humanas em tempo de crise.

Ao nível nacional o gasto governamental na pesquisa em incêndios florestais é menos de 2 milhões de dólares australianos por ano. EM Victoria, o Governo Trabalhista apenas reservou uns míseros $252 milhões por ano para prevenção de fogos rurais. Por um pais coberto por mato e propício a condições extremas de clima é completamente inadequado.

Cortes e falta de investimento

Para além dos cortes e do falto de investimento, o combate a incêndios rurais baseia-se quase completamente em voluntários não pagos. O website da Autoridade de Incêndios Rurais de Victoria (CFA) declara que “CFA é um dos maiores serviços de emergência do mundo baseado em voluntariado.”. Há cerca de 58.,000 bombeiros voluntários apoiados em mais de 400 bombeiros profissionais e 700 funcionários de apoio e administrativo..”

Embora o trabalho desses voluntários seja absolutamente espantoso, a ideia que menos de 2% dos que combatem os fogos em Victoria sejam profissionais é como uma piada de mau gosto. É necessário uma forte expansão do número de bombeiros profissionais. Estes trabalhadores especializados necessitam de ser pagos decentemente, reflectindo a importância do trabalho que fazem. Os que o fazem como part-time ou casualmente devem também ser pagos adequadamente.

Mitas das vidas, habitações e sistemas naturais que se perderam poderiam ter sido salvos se os recursos adequados estivessem disponíveis. Acusar incendiários é apenas um manobra para desviar as atenções por parte dos governos. A principal razão ´e que não há dinheiro disponível, porque, nesta altura, as decisões não são tomadas com base no senso mas nos dólares. Um sistema baseado no curto prazo e engrenado para produzir lucro é incapz de mitigar os piores efeitos dos fogos rurais. De facto, o capitalismo tornou este desastre pior do que poderia ter sido.

É por isso que, se realmente queremos reduzir o risco de mortes e de destruição por causas naturais, é urgente lutarmos para pôr um fim ao sistema orientado para o lucro, que é o capitalismo. Necessitamos de um sistema baseado na solidariedade humana, cooperação e democracia, os tipos de qualidades que os trabalhadores demonstraram instintivamente durante este desastre.

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