Na Grã-Bretanha, como em Portugal UNIDADE dos Trabalhadores contra a crise e o capitalismo

Posted on 4 de Fevereiro de 2009 por

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Nos últimos dias, as TVs, as rádios e jornais têm vindo a dar cobertura à onda grevista que se está a alastrar no Reino Unido. A ideia dominante que passa nesse material é que a greve é dirigida contra trabalhadores estrangeiros – italianos e portugueses. O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros apressa-se a declarar “inadmissível” uma greve “xenófoba” e lembra a livre circulação na União Europeia.
Comentadores avulso alinham no diapasão.

Mas afinal que onda de greves é essa?

Como diz Ketih Gibson, membro do sindicato da construção civil britânico GMB e do Comité de Greve da LOR): “Os operários da LOR, da Conoco e da Easington não estão em greve contra os trabalhadores migrantes. A nossa acção é latamente direccionada contra os patrões das empresas que tentam virar trabalhadores de uma nação contra outro, sabotando o nosso acordo colectivo de trabalho da construção”

Na realidade, a nossa imprensa os nossos “comentadores e analistas” só marginalmente estão preocupados com xenofobia, trabalhadores – sejam eles ou não portugueses -, liberdades. Tal como o governo britânico que classificou as greves como inadmissíveis”.

O que irrita estes senhores é que esta onda de greves seja uma resposta de classe contra a chantagem patronal baseada nas leias da Europa dos Patrões: a IREM, que irá construir uma Refinaria com mão-de-obra italiana e portuguesa, recusou-se a contratar ingleses numa primeira fase. Baseada na legislação da EU dos patrões, estava a impor horários de trabalho mais longos, ou seja, a fazer baixar o valor dos salários. Não cumpria o Acordo Nacional para a Industria da Construção e tinha intenção de alojar os trabalhadores imigrantes em barcaças flutuantes e transportá-los para e do estaleiro em carrinhas, cortando assim a possibilidade de contactos entre os trabalhadores migrantes e do Reino Unido.

Nessa base, a IREM, com outras empresas construtoras estão a fazer chantagem para quebrar a contratação colectiva. Ora a resposta colectiva dos trabalhadores pouco tem a haver com xenofobia: nas suas reivindicações incluem salários e condições dos trabalhadores migrantes aos dos trabalhadores britânicos, bem como a sindicalização dos trabalhadores migrantes.

Xenofofia e racismo, quem os alimenta, a quem servem?

“Empregos britânicos, para trabalhadores britânicos” foi uma revindicação não dos grevistas, mas do prórpio primeiro ministro Gordon Brow, do falsamente designado Partido “Trabalhista”. E está a ser usada pelos fascistas do BNP para dividir trabalhadores e ajudar o patronato a rebentar com o movimento sindical, lançando trabalhadores contra trabalhadores.

UNIDADE de TODOS os TRABALHADORES

Mas muitos activistas e delegados sindicais britânicos sabem bem que a UNIDADE é a maior força dos trabalhadores e que estes não têm fronteiras.

E também em Portugal. Em todas as alturas, mas particularmente quando o espectro do desemprego e da pobreza assola as famílias trabalhadoras, é necessário que a CGTP e os sindicatos levantem bem alto a bandeira da solidariedade, organizando também os trabalhadores imigrantes, como nossos companheiros na mesma luta contra a exploração.

Não contra os imigrates, contra o patronato que quer destruir o Contrato Colectivo de Trabalho

Protestos na Refinaria da TOTAL: Não contra os imigrates, contra o patronato que quer destruir o Contrato Colectivo de Trabalho

Num plenário de greve na Refinaria da TOTAL, em Lindsey, – onde os operários portugueses deveriam trabalhar por salários mais baixos e piores condições de trabalho – na passada 2º feira, foi aprovada, por unanimidade, a seguinte carta reivindicativa:

• Não às represálias paras trabalhadores que solidarizaram connosco
• Todos os trabalhadores no Reino Unido devem estar abrangidos pelo Acordo National para a Construção Civil
• Registo de desempregados e membros de sindicatos locais controlados pelos Sindicatos, com direitos de preferência quando houver empregos.
• Investimentos adequados do governo e das empresas no treino e aprendizagem para uma nova geração de operários da construção – lutar por um futuro para os jovens
• Todos os trabalhadores imigrantes devem ser sindicalizados
• Apoio sindical aos imigrantes – incluindo interpretes – e acesso a aconselhamento sindical – para auxiliar à sua integração como membros activos dos sindicatos.
• Construir ligações com os sindicatos da construção no continente [europeu].

Ler folheto escrito por Keith Gibson, membro do Comité de Greve da LOR (que desencadeou a onda de greves) e por John McEwan do Fórum Nacional de Delegados Sindicais da Construção, ambos membros do Socialist Party, secção inglesa e galesa do CIT