Crise Económica Mundial e Relações Mundiais

Posted on 1 de Dezembro de 2008 por

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O Socialismo e o marxismo
de novo na agenda política

O Socialismo e o marxismo estão agora, novamente,  na ordem do dia, popularizando em parte pelos inimigos do movimento dos trabalhadores. Mais do que isso, o papel da CIT agora assume maior importância, particularmente porque esta crise confirmou a coerência da nossa análise de que o “boom” económico iria chegar ao fim e que isso traria novas lutas.

Os comentadores capitalistas têm levantado o medo da “máfia”. Há raiva justificada entre milhões em todo o mundo por causa dos efeitos da crise. Na Islândia, onde a economia está a enfrentar um colapso na sequência do efeito devastador das actividades especulativas dos bancos islandês e sua eventual colapso, estão a realizar-se neste momento manifestações. Os banqueiros e ministros são incapazes de se deslocar livremente! A Islândia é a crise de 1929 em termos modernos, e mostra o que seria uma outra Grande Depressão nos nossos dias.

A crise tem atordoado trabalhadores do mundo, mas a sua raiva está a reflectir-se em muitas maneiras diferentes. É o que reconheceu o Financial Times, de Londres, quando levantou o temor de “revolução” e “nacionalismo”, (na realidade contra-revolução), como características do próximo período. A frase de Rosa Luxemburgo “Socialismo ou barbárie” poderia facilmente ser uma descrição dos próximos anos. Veja-se o desmembramento da Somália e as recentes e altamente publicitada pirataria na sua costa marítima como um exemplo do que isso significaria. O Socialismo irá tornar-se cada vez mais relevante para o mundo neo-colonial e os países de «mercados emergentes», mas também nos países “desenvolvidos” . (…)

Obama tem alertado para a perca de milhões de postos de trabalho. Ele propõe um estímulo 700 mil milhões de dólares para safar os EUA dos caos económico. A recente cimeira do G20 tentou unificar o estímulo pacotes com um sucesso apenas moderado. O pacote de reacção na China só é menor do que o anunciado pelo Obama. A liderança chinesa tem terror das consequências sociais, se nada fizer. Já dezenas de milhares de fábricas fecharam este ano na China, então será que os pacotes de estímulos terão algum efeito?

O mundo enfrenta agora um período de “deflação”.
Durante a expansão da globalização, a deflação provocada pelos produtos chineses baratos era “boa”, uma vez que manteve os preços em baixo e obrigou os trabalhadores a aceitar aumentos salariais moderados com medo que as empresas se deslocalizassem. Mas essa deflação é “má”, com as quedas generalizadas de preços que está a decorrer. Comentadores capitalista têm sugerido a «teoria helicóptero» de dar dinheiro para as pessoas, a fim de levá-las para consumir. O comentador do FT Samuel Brittan pensa que Gordon Brown deverá, se necessário, recorrer a produção de notas para pagar o pacote de estímulos. Acusa os Conservadores britânicos de estarem de serão com os ‘Bourbons’ – aprender nada e nada lembrar – voltando às politicas de Thatcher nesta crise.

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A eleição de Obama marca um novo período.
Milhões votaram nele na esperança de mudança. Isso significa que as ilusões nele podem demorar mais tempo a dissipar, tal como vai haver um sentimento entre alguns sectores que ele deve ter uma chance. A sua resposta económica, já referida neste documento, mas haverá importantes decisões a serem tomadas no campo das relações mundiais também. A sua eleição não irá interromper o desenvolvimento de rivalidades inter-imperialistas e pode haver choques geopolíticos, como a instabilidade na Coreia do Norte, se o regime de Kim Jong-Il colapsar.

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A nova situação mundial e as tarefas do CIT
Os Socialistas enfrentam hoje uma confusão de consciência; há elementos da revolução e contra-revolução na situação e os trabalhadores ainda não viram claramente o caminho a seguir. O CIT tem demonstrado que tem a clareza de ideias, de perspectivas, estratégias e tácticas como uma resposta para a maior crise desde os anos 1930. (…)

Da teoria à prática
(…)Precisamos de ter uma visão de futuro do socialismo; a propaganda socialista está a tornar-se muito mais importante, mas também o é o nosso programa e o nosso uso de reivindicações transitórias para apontar o caminho para socialismo. Como é que vamos colocar as nossas reivindicações concretas de controlo e gestão dos trabalhadores? Como deveremos aumentar a nossa reivindicação de um governo dos trabalhadores? A velocidade e a profundidade da recessão tornam possíveis muitas evoluções.

Esta foi, sem dúvida, uma discussão inspiradora numa altura que as fileiras do CIT adaptam-se ao novo período, em que se assiste a crescente de radicalização e de luta, e a uma crescente sede de ideias socialistas que apenas a nossa Internacional pode proporcionar satisfatoriamente.

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