Eleições municipais no Chile : A falsa representação da direita e da Concertación.

Posted on 31 de Outubro de 2008 por

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Por Celso Calfullan, Socialismo Revolucionario – Chile

No domingo, dia 26 de Outubro realizaram-se no Chile últimas eleições autárquicas, pela primeira vez a direita pinochetista consegue passar a Concertación (aliança de centro-direita) na eleição dos alcaides. A Concertación está no poder desde o alegado regresso à democracia no Chile (a partir de 11 de Março de 1990), desde o fim formal da ditadura Pinochet, em nosso país.

A direita teve 40,56% na eleição de alcaides e a Concertación uns 38,46%, o que permitiu À direita eleger 38 alcaides ,ais do que na última eleição e a Concertación, por sua vez, perdeu 57 alcaldías das que tinha eleito em 2004.

Não aconteceu a mesma coisa na eleição dos Conselheiros, onde a Concertación manteve a sua superioridade eleitoral tendo por 44,43% e a direita apenas 35,99% e a importância destes dados é que nesta votação que melhor reflecte as preferências mais profundas dos eleitores e demonstra-nos que, a Concertación ainda têm mais apoio eleitoral que a direita.

Outro fato relevante é que, na votação dos vereadores também a direita baixou a sua votação em comparação com a última eleição municipal, passando de 37,68% para 35,99%. Este facto mostra que, apesar do facto de que a Concertación tem feito muito mal e as pessoas estão muito insatisfeitos, ainda não se vê uma alternativa para a aliança de governo e como resultado desta acaba por votar a favor da direita, e não pelo mérito da aliança de direita ,que também tem feito muito mal nos governos municipais, a partir do qual surgiram como grandes escândalos corrupção nos últimos tempos.

Todas estes dados eleitorais não mostram o que realmente está acontecendo no país, dado que o voto é essencialmente de idosos e não os sectores mais dinâmicos da população que são os que realmente pode produzir as mudanças exigidas pela nossa sociedade.Já terminou o show eleitoral e como de costume, em todas as eleições, todos se declaram vencedores, apesar de os dois grandes conglomerados têm pouca representação real.

O que está realmente por trás de tudo esses números?

Temos de recordar que dos potenciais 11, 5 milhões de eleitores, apenas votaram um pouco mais que 8 milhões, o que equivale a dois trços do que deveria ser o total dos eleitores, ou seja, um terço da população negou-se a participar nesta farsa e, o que é mais importante, esse terço que não participa é precisamente o sector mais dinâmico da população, principalmente jovens dos 18 aos 30 anos.

Conquanto a directa e a Concertación dizem ter números perto dos 50% dos votos, eles sabem que estão a mentir e que, com sorte, isso representa 50% dos 2/3 , inclusive essas percentagens não têm em conta os votos brancos e nulos que representam uma média de 10% dos votos.

O que é claro é que, com o actual padrão eleitoral, onde a maioria são idosos e que não mudou muito desde o referedndo do SI e o No, é muito difícil que possam haver mudanças reais, dado que uma lata percentagem (mais ou menos 70%) tem decidido de antemão por qual conglomerado vai votar, independentemente mesmo do candidato que apresentem e mesmo se é um tipo provavelmente corrupto.

A actual “democracia” com cada eleição, ´menos representativa

A directa e a Concertación não querem modificar o actual sistema eleitoral e ainda menos o padrão electoral, ambos conglomerados sentem-se muito bem cómodos com a actual situação e com uma «democracia» que deixou de ser representativa há muito tempo.

As declarações das elites políticas a favor de mudanças no sistema são claramente hipócritas, dados que o actual sistema de eleições lhes assegura o controlo do poder da directa e da Concertación e continuaram a mantê-lo enquanto puderam.

Na próxima eleição presidencial o futuro presidente será eleito apenas por um terço dos chilenos com directo a voto e os depurados e senadores inclusive serão eleitos por números inferi rores a um terço dos potenciais eleitores do nosso país.

As actuais autoridades e as que vivem definitivamente não representam os três milhões e meio de jovens que não estão inscritos nas listas eleitorais e manos ainda os jovens que estão nas escolas secundárias (los pingüinos), como eles se encarregaram de demonstrar com as suas mobilizações.

A direcção do PC aparentemente também se sente cómoda, com a actual situação, por que com os 5% dos votos que obtiveram podem negociar pequenas quotas de poder, para tentar ser parte do actual sistema.

O pacto por omissão é parte destes acordos e foi uma espécie de salva-vidas que atirou a direcção do Juntos Podemos à Concertación, num momento em que claramente este conglomerado está a cair a pique e era mais necessário que nunca diferenciarem-se deles e apresentar como uma alternativa real e não como um apêndice da aliança de governo.

O pacto por omissão foi o que impediu o Juntos Podemos, aliança de esquerda (Partido Comunista, Partido Humanista e outros grupos de esquerda) a diferenciarem-se claramente da Concertación, de maneira a que durante a campanha não conseguiram marcar nenhuma diferença.

Se nos dermos ao trabalho de ler as propostas da maioria dos candidatos do Juntos Podemos, não nenhuma dúvida que essas mesmas propostas poderiam ser assinadas pelos candidatos da Concertación e da direita e não haveria nenhuma diferença.

A aposta da Esquerda Revolucionária

Os sectores que se consideram de esquerda e revolucionários, devem apontar para organizar e mobilizar os sectores jovens da população que não estão contentes com o actual sistema e as campanhas eleitorais, claramente, não são atractivas para eles e tão pouco as vêm como uma forma de potenciar as lutas para produzir as mudanças que eles querem.

Está claro que não se pode criar ilusões de que pela via eleitoral se podem produzir mudanzas de fundo no actual sistema e menos, ainda, com um sistema eleitoral que é totalmente fraudulento. Dada a pouca representatividade da democracia actual, é cada vez mais ingénuo pensar que a través de eleições os trabalhadores, jovens e moradores pobres de nosso país conseguiremos as mudanças que requeremos para melhorar alguma coisa nas nossas condições de vida nas comunas onde vivemos e no nosso país.

Os trabalhadores, moradores e jovens, só conseguiram mudanças organizados e mobilizados

Hoje é mais necessário que nunca que nos organizemos r mobilizemos pelos nossos direitos. O direito a uma habitação digna, por consultórios de Saúde de real qualidade, una educação estatal e de qualidade para nossos filhos, o direito a um trabalho digno e um salário mínimo de 250 mil pesos mensais, todo isso só o conseguiremos organizados e lutando nas ruas.

Está claro que não podemos esperar nada da direita e da Concertación, que só defendem os interesses de os ricos e dos empresários.

Necessitamos construir um novo partido dos trabalhadores.
Lamentavelmente, hoje, os trabalhadores e jovens chilenos não contamos com um partido que represente os nossos interesses e que lute claramente contra o capitalismo e por construir uma sociedade mais justa, solidária e com justiça social, por outras palavras que lute por construir una sociedade socialista democrática.

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